segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

E aqui estou de volta! Só por enquanto

Essa é com certeza uma postagem póstuma, algo parecido com o que Brás Cubas faz em suas memórias. A diferença é quem morreu não foi eu, foi essa página cinza e complicada, morta em meados de outubro do ano passado. 

Não sei quantas pessoas chegaram a ler de fato a última postagem por aqui, mas ela dizia que aquele seria o fim do blog, que nada mais seria escrito nessas páginas, e blá blá blá. Acabei deixando uma margem de esperança naquelas palavras, dizendo sempre "por enquanto". Não foi apenas graça isso.

Ao terminar o último texto, eu tinha em mente duas coisas: a primeira era que eu precisava fechar o blog a qualquer custo porque me parecia que ele tinha cumprido seu dever, que era tentar diminuir a confusão de minha mente; e a segunda era que eu precisava começar algo novo, algo verdadeiramente novo pra mim e que não ficasse na mesmice dos sofrimentos de várias almas. Ao fechar o Labirinto Silencioso, eu queria diminuir a dor que existia nele; eu não queria que as pessoas vissem mais aquela dor fragmentada em palavras. Fora outros acontecimentos que me fizeram fazer o que eu fiz. 

Mas a situação agora é um pouco mais feliz: eu voltei a escrever textos, mas não mais aqui; depois dessa postagem, nunca mais aqui. Eu criei outro blog, algo menos melancólico, por enquanto. Lá eu pretendo não somente lançar meus textos novos, como também colocar alguns dos textos do Labirinto Silencioso que eu gostei, rascunhos que eu nunca postei, poesias, poemas e resenhas. Sim, resenhas! Estou com a intenção de escrever sobre livros, filmes, séries e música um pouco. Minto. Um pouco não; bastante. 

O novo blog se chama "A realidade em fuga". Peguei o nome a partir da leitura de um livro (que eu não vou dizer qual!) e achei que ele se encaixasse perfeitamente, afinal, sempre estamos tentando fugir um pouco da realidade lendo, ouvindo ou assistindo alguma coisa. E o legal é dessa vez não quero fazer algo extremamente solitário. Quem quiser se unir a mim e lançar seus próprios textos e resenhas pelo blog, pode se unir perfeitamente a campanha! 

Então, é isso. Deixo todo o meu carinho para aqueles que acompanharam a trajetória do Labirinto Silencioso e que leram todas aquelas dores, que foram sempre verdadeiras. Foi um prazer "conversar" com vocês e um prazer ainda maior ler os comentários de vocês em relação aos textos. Sempre ficava alegre em ver alguém com uma opinião formada e que queria me dizer. Apesar de terem sido dois anos complicados e carregados de incertezas e desamores, foi ótimo me sentar e extravasar um pouco disso e foi ainda melhor receber um público como vocês. Agradeço do fundo do meu coração por vocês terem entrado aqui, nem que tenha sido apenas uma vez.

Deixo aqui, além dos meus agradecimentos, o link do novo blog e o link do meu Twitter, que tem sido a rede social que mais tenho usado nos últimos dias. Espero que continuemos nossas "conversas" por mais tempo através desses dois links.

Meu twitter: http://twitter.com/gabefiel ou apenas @gabefiel



O Labirinto Silencioso te agradece!

sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre caminhos, verdades, mentiras, mares e fins


Do ponto mais indulgente ao mais ridículo dos acontecimentos em plena chuva de primavera com dia ensolarado. Das chuvas ao sol. Do dormir ao amanhecer na praia. Dos traços que deixei ao ponto final que poderia ter sido uma vírgula. De uma verdade, uma mentira dita em segredo para que ninguém saiba. Uma mentira a mais, uma oração a menos no coração da verdade, que ecoa infinitamente com risadas e fontes do além. Talvez um último momento de depressão, talvez um último momento para retomar o fôlego, matar as dúvidas e andar sem rumo. Andar, não. Navegar.

Aqui, do ponto mais alto e mais baixo dos mares, as verdades são intrínsecas às mentiras das pessoas que uma vez passaram à minha frente para dizer olá. O sol, cercado de nuvens cinzas como o mesmo pó que um dia esteve em minhas mãos, brilha com uma intensidade primitiva; ele não brilha, para ser mais realista, ele ofusca, cega, mata e, por consequência, traz mais vida do que nunca. Pelo brilho da chuva que se aproxima, eu vejo os olhares de todos aqueles que me cativaram e já não são mais quaisquer uns; são únicos e são minhas responsabilidades. Eu vejo o pesar dos meus próprios olhos cansados de tanta falta de virtude, de tanto desespero, de tantas mentiras, de tanta falta de amor e de verdade.

No meio do trajeto, uma esperança e, de repente, chove o caos mais uma vez. O céu se fecha com uma pequena abertura por onde a luz continua matando: matando as escuridões dos corações dos homens. Aquela é a esperança no meio desse nosso mar que sozinho, acompanhado, navego no meu barco, navio. De todas as verdades, a única que não posso mais ignorar. De todas as mentiras, a que mais deve ser obliterada. Um relâmpago e um trovão tinem quando a noite chega, mas sempre amanhece no finito centro da existência. Grandes esperanças cercam o arredor, o horizonte trêmulo de tolo contentamento e de grande horror em virtude de uma nova etapa desvencilhada em sua vidas efêmeras. Ao pior de tudo, apenas uma grande deixa para o recomeço: o próprio fim.

O fim do labirinto. O fim da viagem em mares desconhecidos. O fim do amor de mentira. O fim da verdade do ódio. O fim de todos os clichês para que tudo seja apenas mais alguma coisa além de algo que já era. O fim da negação. O fim da omissão. O fim de tudo e de todos. O fim do bar, que pegou fogo. O fim do dragão, que morreu cortado. O fim do palco, que foi enterrado pelas lágrimas de um deus em melancolia. O fim dos ares e dos céus escarlates, produtos de sangues alheios e independentes. O fim de um labirinto cinza, mudo, que é tão infinito e espetacular quanto a própria dimensão da minha vida. O fim de uma vida. O fim de uma era. O fim do final, o final dos fins, a espera espetacular e a resolução de uma tormenta de mentiras e verdades. De tudo o que sobrou, a paciência para seguir em frente, as botas rasgadas, as cicatrizes nas mãos e rosto, a fé de dias melhores e com chuva, o amor cativante de olhos verdes, castanhos, azuis, esmeraldas, brilhantes, teus, um dia meus. O que sobrou é uma vida. Já não há mais folhas brancas nesse caderno, pelo menos por um bom tempo. Já chega a hora de terminar de relatar. É hora de caminhar pelo labirinto, não pelos mesmos lugares e mesmos fins, mas por novos fins, novos caminhos.

Da maior revolução das mentiras e verdades: o ato de viver e, eventualmente, mesmo sem querer, o de morrer. Tudo isso somente para que a roda gire novamente ao seu, meu, favor. Mas, por enquanto, o fim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Rumo ao final do fim

E o fim é belo, incerto. Depende de como você vê.

Roubo palavras que não são minhas para relatar as próximas nessa folha branca na qual eu havia resolvido fazer o que viesse à telha. Depois de quase 19 meses de confabulações internas, nas quais alguns se reconheceram, xingaram, comentaram ou simplesmente nada fizeram, há de se haver um fim a folha que antes era branca, tornou-se cinza, e que agora é puramente preta.

Complicado? Nem um pouco. Dessa vez eu apaguei as marcas das folhas escritas. Deixarei elas em branco novamente. Desamassá-las será impossível, as marcas ainda ficarão mesmo que eu consiga, mas eu a deixarei em branco. Deletarei tudo apresentado na quantia absurda desse complexo labirinto de nada. Tudo.

Por fim, eu realmente porei um fim. Não existem mais cinzas nesse mundo negro e não existe mais branco nesse mundo alternativo e complicado. Deixarei trancado, diferente do labirinto da minha mente, que sempre prossegue e sempre prosseguirá pelos caminhos mais audaciosos e inesperados. 

A partir de hoje, irei iniciar uma contagem regressiva até o dia 1° de Outubro, dia em que o Labirinto Silencioso, amigos de uns, inimigos de outros e neutros para o restante da população, deixará de existir. Salvarei todos os textos antes, é lógico, mas esse lugar deixará de existir para o contato daqueles que queiram ler. 

Devo pedir desculpas para as pessoas que se mantiveram fiéis as leituras por tanto tempo e dizer que apenas por vocês eu continuei a publicar estes textos. Saibam que tenho muito mais coisas escritas além daqui, coisas em cadernos, livros e outros documentos, coisas nunca mostradas e que nunca serão.

O Labirinto Silencioso veio como um método de me expor ao mundo de uma vez, coisa que há tempos pensava ser a solução ideal. Não poderia estar mais enganado. Em 19 meses, aprendi que o verdadeiro valor de um texto não se localiza na quantidade de pessoas que o lê ou comenta, mas sim no pedaço da alma do escritor deixado naquelas palavras, naquelas exatas palavras, escolhidas entre tantas existentes. O verdadeiro poder de um texto não se localiza ao ser publicado, postado e curtido. Isso é um pensamento puramente século XXI e que cheira a estragado, tanto que é por causa dele que iria deletar de vez o blog.

Meus textos possuem minha alma e estou colocando valores virtuais, como likes, comentários e visualizações acima de tudo mais: da essência. Como um ultimato, as pessoas que lerem isso tem até o dia 1° de Outubro o tempo ideal para lerem os textos que quiserem, comentarem o que quiserem e compartilharem, se quiserem. Atento também para aqueles que não quiserem que o espaço seja deletado, para encontrar uma boa razão, nada fútil, para que o processo de funeral seja cancelado. 

Não irei me despedir formalmente nessa postagem. Farei isso com mais adequação dia 30 de Setembro, um dia antes do verdadeiro fim. E, também para as pessoas interessadas sobre motivos, razões ou que apenas querem apelar para o cancelamento do funeral, ou talvez que apenas queiram conversar, entre no Twitter e siga @gabefiel. Lá escrevo alguma coisa e não peço nada em troca.

Aproveitem o tempo que ainda possuem. Às vezes, o fim é mais rápido do que o pensamento de agir. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Todas essas mentiras (verdades)


Eu, do caos ao completo absurdo que cerca as margens da verdade. O que é a verdade além de um confusão eloquente e errônea do que parecia tão profundamente maravilhoso meses atrás? O que é a verdade além de pó em minhas mãos, areias em minhas botas e caos dentro do meu coração?

Todos que navegam deveriam saber, por um alerta infantil, que a verdade não existe. No final das contas, só mentiras, uma atrás da outra, comparecem ao seu funeral, apenas infinitos maiores que o seu te vem cair e vem teu barco, navio, afundar. Sempre, no final, existe o caos porque ninguém encontra paz porque não há paz num oceano de mentiras, desilusões e amores desvirtuados. Afinal de contas, o que é o amor? E o que é a verdade?

Agora eu vejo toda minha tropa se afogar em memórias passadas, águas esquecidas, frias como deveriam ser e às vezes quentes como o inferno que beira a mente assassina daqueles já fugiram da minha vida. Mentiras. Todos mentem, e eu minto a mim mesmo por não saber o que fazer agora que tudo não chegou ao ponto verdadeiro que eu queria. Nada durou pra sempre, nada me fez feliz ao ponto de explodir as vidas anteriores, nada é apenas uma palavra esperando tradução e eu não consigo achar a droga da solução.

O sol bate nos olhos, mas nado enxergo além de ondas batendo cada vez mais forte na costa. Eu murcho, eu desisto e mesmo assim eu continuo em pé, procurando algo que nem eu sei o que procurar. Não há mapas, nem sinais, nem barcos alheiros para entrar e ancorar em algum lugar seguro. Tudo depende de mim,  das minhas mãos, das minhas botas, dos meus olhos e do meu coração, ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo, o que pode ser nada mais do que mais uma mentira que conto a mim mesmo: o pior de todos os tipos de mentira.

Então, todas essas mentiras são usadas, são retalhadas, são usadas novamente, são mortas e revividas, são desmentidas e mentidas, são armas, punhais, espadas de lâmina dupla, ondas de calor que apenas afogam-te até o caos da tua mente. Minha mente. Minhas ondas, minhas mentiras, minhas verdades, meu caos. E devo deixar tudo ir embora, devo mentir mais uma vez, eu sei. Mentir apenas mais uma vez, uma vez para acabar com tudo isso, porque estou cansado e essa é a primeira verdade que digo desde que cheguei aqui. Estou cansado de tanto caos, de tanta mentira, de tanta confusão, de tanto eu. De mim. Estou cansado de tudo e não de todos. De tudo e de mim. De mim, como nunca. De mim, como a vergonha de uma vida. De mim, como o amor que nunca consegui ter. De mim, como a dor que nunca consegui apaziguar. De mim, de eu, de-me, somente de mim, de eu, de-me. De mim, como ser humano que erra e erra consigo mesmo. De mim, alma que falhou no atento de encontrar a verdade e naufragou.

De todas as mentiras, a que eu mais odeio é dita: estou bem, e chove caos de uma vez só.