sábado, 31 de dezembro de 2011

Mortem

Esse texto era para ter uma outra configuração. Uma completa e diferente configuração. Escrevi ele três vezes me baseando nela e nada. Quando saía algo, o texto ficava cansativo, ficava exaustivo, não parecia algo que eu realmente gostaria de ter escrito. Essa é a quarta tentativa. Acho que dessa vez vai funcionar.

 

O problema aqui é 2011. Esse ano foi um dos melhores da minha vida. Se, é claro, não foi o melhor. O que acredito que foi. Quantos sofrimento eu não passei, ou quantas coisas inacreditáveis não aconteceram? Quantas pessoas que eu nem havia imaginado que seriam importantes na minha vida surgiram e me fizeram pensar o que eu sofreria se perdesse uma delas? Foram muitos, vários, várias, muitas, além da conta. Então eu havia pensando "vou fazer um texto agradecendo e pedindo desculpa a essas pessoas importantes." A questão é que eu não consegui. Todas as vezes que eu começava a escrever, eu me perdia. Eu não encontrava as palavras certas e ia me perdendo cada vez mais em pensamentos e nas palavras. Lembrar me pareceu mais importante do que escrever, do que delatar, do que, simplesmente, agradecer ou arrepender. E sinto que algo era necessário para eu conseguir fazer isso. Alguma mudança. Algum novo foco de vida. 

E eu consegui. Esse foco de vida é a morte. Não pretendo matar vocês, fiquem tranquilos. Só pretendo me matar. Morte é recomeço, são novas oportunidades. Já está mais do que na hora de enterrar algumas coisas naquele passado que eu não quero mexer. Naquele pedaço da alma obscuro e que nunca deveria ser aberto. A verdade é que eu simplesmente cansei de ser tratado como capacho. Como mais uma pessoa, como mais um homem sem sentimentos. Sempre penso mais em vocês, ou em qualquer outra pessoa antes de pensar em mim, e por isso eu só faço essas merdas comigo mesmo. Eu me machuco. Firo-me cada vez mais profundamente e intensamente em vez de viver a vida da maneira que eu sempre quis, que é sempre me dedicando aos meus sentimentos, espalhando o que sinto, o que penso, o que sou para os outros. Eu tenho essa tendência de ajudar mais as almas perdidas ou necessitadas do que me ajudar. Do que tentar entender o que se passa nessa cabeça, nesse coração, nessa alma, nesse espírito. Então, morte.

Morte tem outros significados além de morte carnal. O que eu quero fazer é apenas mudar. Mudar quem eu sou? Não. A maneira que eu ajo em relação as coisas importantes? Definitivamente. Sentar, calcular e esperar alguma coisa acontecer foi sempre o que eu fiz, mas chega uma hora que entendemos, que a ficha caí, e que vemos que isso não ajuda a viver da maneira que havíamos decidido quando nascemos. E eu só quero mudar isso. Eu quero agir, eu quero fazer, eu quero lutar, eu quero me abrir. Só isso.

Sempre serei aquele cara extremamente sentimental. Aquele que chora com filmes românticos, em dramas e até em comédias (mas ai é de tanto rir). Aquele que chora lendo livros e com acontecimentos marcantes. Sempre serei aquele besta que gosta de Legião Urbana, Metallica e Dream Theater. Sempre serei o mesmo. A questão aqui é viver com meus próprios padrões. Arriscar mais. Viver o presente.

E vendo agora, eu saí completamente do assunto inicial que era me desculpar e agradecer algumas pessoas. Ou pelo menos, foi isso que você pensou. A verdade aqui é que tudo isso que se passou pela minha cabeça nesses últimos dias foi gerado por todas essas pessoas. Por amores. Por amigos. Por familiares e casos complexos demais. Então, chegamos a parte principal.

Larissa e Vanessa. As duas tornaram meu mundo de ponta-cabeça. Espero que vocês já tenham essa noção. Agradeço as duas por terem ficado ao meu lado por um tempo. Sinto muito por tudo aquilo que fiz e que deixei de fazer (cada uma entenderá sobre o que estou falando) e agradeço por me ensinarem algo que ficaria na minha cabeça por um tempo. Que é lutar pelo o que eu queria. Arriscar de vez em quando. Agradecido, até demais.

Marcus, Matheus, Gabriel, Roberto, Gláucia, Beatriz. O que vocês me ensinaram? Tudo. Eu sofri com vocês, senti a dor de cada um e vocês tiveram paciência em analisar a minha dor e dar uma resposta de valor. Alguns são como pedras, não sentem nada, mas alegram. Outros sofreram por amor e conseguem me entender de alguma maneira. Outros estão caminhando por caminhos não trilhados e finalmente entendem as coisas que venho dizendo há anos. Outros simplesmente batem e xingam. Ou compartilham textos, não é mesmo? Eu agradeço todos vocês por serem meus amigos, sentindo por todos não somente aquela intensidade aparente, mas sentindo aquilo que me faz pensar o que seria da minha vida sem vocês.

Dominique. Eu tenho que pedir desculpas demais. E mesmo pedindo desculpas, não sei o que acontecerá. Não sei, talvez nunca saberei. Mas eu lhe agradeço. De coração. Tu fora a luz que me alegrou enquanto eu estava no escuro, e Zeus sabe o quanto eu precisava dessa luz. Vai dar tudo certo? Toda a vez eu penso nisso, eu penso uma coisa diferente. O que eu posso responder agora é simples: veremos. Creio que ainda temos coisas a serem feitas.

Obrigado também aqueles que leram os textos, que comentaram e que seguiram o blog. Vocês não tem noção de como eu me sinto bem quando vejo alguém achando "genial" algum dos textos ou quando vejo algum comentário novo ou quando alguém mais entra para a lista de perdidos dentro desse labirinto.

Esqueci de alguém? Lógico que sim. São muitas pessoas para lembrar, muitas para pedir perdão ou simplesmente agradecer por estarem lá para garantir um sorriso, nem que seja uma vez. Não irei começar com nomes. Vou sempre esquecer de algum. E eu não quero esquecer de ninguém. Eu só quero agradecer por terem trilhado, nem que seja um enésimo do caminho, junto comigo. 

Obrigado por tudo. Perdoem-me todos. A morte é agora. 2011 morre hoje e um novo ano toma forma. Padrões antigos mudam. Tomam nova forma igualmente. Será que vamos conseguir vencer? Vamos. Se nos mantermos unidos, vamos todos conseguir vencer. 

Bom ano para vocês. Vamos enfrentar os perigos juntos. Vamos acabar com a Hidra. Vamos ganhar a guerra. Vamos ouvir a glória, os hinos, a emoção. Que 2012 seja de amor, de paixão, de amizade, de compaixão, de dedicação e de mudanças. E mesmo que algumas coisas não sejam boas, talvez tudo resulte em algo maravilhoso no final. Então, vamos desejar por uma coisa.



Que 2012 seja do caralho.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011, Pt. 4/4

Outubro. Novembro. Dezembro. Confusão. Abandono. Verdades.

Onde eu guardo meu coração nesse tempos
Tão tristes, cinzas, claros e escuros?
Por onde andou todas as emoções e certezas?
Que tempo eu poderia dar para tudo dar certo?
Quanto tempo, na verdade.
Porque tudo é uma questão de tempo
Uma questão de costume absurda e arbitrária.
Julgue o que julgar, mas nunca engane o coração com mentiras
Sejam elas novas, velhas ou apenas ilusões
Contemplações antigas e confusas de sentimentos não sentidos
De batimentos pulados e pensamentos deletados.
Onde tudo não é verdade, apenas incertezas vivem sob as luzes
E a verdade é que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.
É sempre uma razão ilógica e impessoal
Uma motivação desvairante pelo vento.
Chega de incertezas, vamos dar o tempo.
Longe, longe, aqui do lado. Bem longe de seu lado.
O que deveria sentir agora além de mais nada
Além de conforto e de certeza?
Dúvidas cercavam todas as partes e resistiam cruelmente.
Simplicidade era o que havia a ser conquistado.
Felicidade era o que havia de ser sentido.
Lágrimas são derramadas e ambos choram em meio o campo de almas vazias.
A questão é sempre o que fazer depois de cair.
Mas quem caiu mais fundo?

O que era bem simples no começo, aparentou completamente complicado no seu fim. Dezembro foi um mês de mudanças, de assassinatos brutais aos sentimentos alheios e de verdades esclarecidas depois que todas as luzes foram apagadas. A verdade é que sentir felicidade não parece ser algo realmente distante; ela está aqui e agora. As lágrimas caíram, mas fizeram isso para melhorar, para tirar um peso negativo da alma, das almas. E aqui está o fim. Fim do fim do começo. Vejamos o que acontece a seguir.

Livros: série A Torre Negra (Stephen King); série O Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams); Um Dia (David Nicholls); Marina (Carlos Ruiz Zafón).

Filmes: Um Dia; X-Men First Class; Thor.

Músicas: Legião Urbana (discografia); Dream Theater (discografia); Metallica (discografia); O Teatro Mágico (discografia); Slipknot (All Hope is Gone).


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A resposta (repost)


Sou a sombra
A sombra de sua estadia
As trevas de sua existência.

Sou o raio que intesifica sua queda
O relâmpago que te deixa apavorado
O trovão que tenta te acertar.

Sou o motorista na estrada que vaga
O capitão do navio que navega
O carrasco das suas injustiças.

Sou metal quente
Derreto e te machuco
Congelo e te esmago.

Sou luz que te cega
Te nego a verdade
Te abraço com ignorância.

Sou tudo e todos
Sou a luz e as trevas
O começo e o fim.

Sabe quem eu sou?
Sou o temido e idolatrado,
Curioso fato marcado;

O fim da luz que te guia
Pois no final, não há luz
Apenas o medo,
O fim da jornada,
A resposta.

(postado originalmente dia 26 de Fevereiro de 2011 às 15:28)

Comentário do autor: um dos poucos textos que eu demorei mais de um dia para escrever. Lembro de ter começado a escrever a primeira estrofe e ter travado, sem saber do que exatamente eu ia tratar nas palavras escritas. Estava cansado de fazer apenas coisas de melancolia, de amor e de paixão e fazer algo sombrio me pareceu uma grande ideia. Umas duas semanas eu voltei e continuei os versos. Eu gostei dessas comparações entre os dois lados das coisas e chegando no último verso eu decidi sobre o que seria. Lógico, cada pessoa que lê tem a interpretação que quer e esse é o belo da literatura. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vício



Ah, como você me vicia.

Parece cocaína para meu cérebro.
Nicotina para meus pulmões.
Uma dose de heróina para meus ossos e para meu coração.

Deus sabe que você é péssima para mim, mas não aguento outro minuto longe de você
Pode me arruinar.
Confundir meus sentidos.
Distorcer minha visão.
Me matar.
Não importa. Eu tenho que te usar.
Você me faz bem.
Me faz sentir vivo, com uma alma.

Ah, sua droga.
Você me viciou sua maldita.
Todos sabem disso.
Está estampado na minha cara e nos meus olhos.

Tratamento não irá adiantar.
Mudarão minha mente e não meu coração.
E meu coração está viciado em você.

domingo, 25 de dezembro de 2011

2011, Pt. 3/4

Julho. Agosto. Setembro. Dor. Melancolia. Luz. Falsa luz. 
                 
Onde todo o sofrimento se beirava, toda a luz cegava e nada entrava.
Todo o caminho de toda a fonte fica nublado e uma forte luz apareceu.
Toda distante, apaixonante e sincera.
Luz de vela, luz de lanterna, luz de Sol.
Raio de Sol.
O pêndulo anda, corre e circula, o tempo anda
A verdade desanda, nova luz aparece.
Luz cega, luz artificial, luz?
Quais das duas luzes?
Iguais, semelhantes, parecidas, estranhas, diferentes.
A mais próxima é a real, é a luz que mais ilumina. 
Incerteza irreal. Choro virtual. Distanciamento emocional.
Onde estavam as verdades e certezas?
Foram elas engolidas pelas mentira do caminho?
Foram elas nada além de falsas promessas vagas?
Onde está o carinho e a solidão e o amor e o desprezo e a dor e o desejo?
Faça de uma luz um novo Sol, uma estrela, algo que ilumine.
Aproveite a luz e dê sempre seus bom dias. 
Aparecidamente aparecido com força dominante e cerrada. 
Cega-me com sua luz ou com incertezas?
Que certeza eu teria se nada é certo?
Caminhamos pelo cinza rumo ao caminho mais nublado.

Encoberto pelo desejo a mente vagueia.
Felicidade encontrada, mas artificialmente programada.
Que sorrisos belos e falsos encontramos.
Que quartos apagados tentamos resolver com um pouco de luz não sincera?
Sinceridade, verdade, amor, mentira, tempo.
Quem navega em barcos separados desconhece o desejo
A vontade singela e triste de um coração ferido.
Os dias trouxeram angústia, veracidades e sentimentos
As vezes belos, as vezes amargos e outras vezes sem sabor.
As luzes, todas, eram falsas, imorais, mentirosas.
Que certeza existia além da certeza que havia incerteza?

Apenas tempo confirma. Apenas tempo é o que temos.


Livros: A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro (Stephen King); Tudo o que é sólido pode derreter (Rafael Gomes); O Herói Perdido (Rick Riordan); O Jogo do Anjo (Carlos Ruiz Zafón); Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas (Raphael Draccon).

Filme: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2.

Músicas: Placebo (Battle for the Sun); Dream Theater (discografia, como sempre); Avenged Sevenfold (Nightmare e Avenged Sevenfold --álbum branco--).


Aviso: nessa última semana de 2011, haverá mais 4 textos: um poema, um repost, um texto/desabafo e a última parte do especial de 2011. Mas eu vou alterar as datas de postagem. Enquanto segunda e terça continuam as mesmas, vou alterar a data do especial de 2011 e do novo texto. 2011 Pt. 4/4 vai ser publicado entre quinta e sexta e o novo texto só sairá dia 31 de Dezembro. Vocês irão me entender. =)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Perigo


Arriscar a vida com coisas pequenas? Eu não aceito isso muito bem, e alguns até sabem como é que é. Melhor perder uma oportunidade e ficar martelando sobre as possibilidades da mesma do que fazer ela realmente dar certo. Acabei de ir na banca de jornal. Não tinha o que eu queria, mas tinha o que eu queria. A menina que estava lá, que estava trabalhando lá, era o que eu queria, e me veio uma passagem única de emoção e desespero quando as palavras "Você", "Sair" e "Algum dia" vieram na minha cabeça. É estranho demais acreditar que por um instante, durante todo aquele estado confortável de inércia, eu nunca fiz nada regado a vontade e ao que eu realmente queria fazer. Fiz isso apenas algumas vezes, coisa que dá para contar com apenas uma mão, para falar a verdade, e foram as coisas mais emocionantes da minha vida, não por causa da adrenalina, mas porque eram coisas ou algo que eu queria. Então, por que ainda estou martelando contra as possibilidades de descer a rua novamente, dizer que eu dei uma imbecil lá em baixo e convidá-la para sair? Só de escrever essas palavras meu coração já bate como um milhão e meio de outros corações juntos. Mas e se for mais uma oportunidade perdida? Vamos deixar ao acaso, ao destino, ao modo aleatório? E ainda mais, por que eu estou escrevendo isso se na verdade eu poderia estar chamando ela para sair nesse exato momento? Por que.... ah, a vida é curta demais para se pensar nessas coisas. Descer parece cansativo e tudo mais também, mas por que não tentar? Vamos lá. 

....

Então, a vida é assim mesmo. Chamei ela para sair. Disse que era estranho. A gente não se conhece e tal e ela disse que precisava pensar. Falei que ia dar uma volta, e depois eu retornava. No final das contas, eu levei um fora. Pensando assim, o que eu aprendi hoje ao olhar para uma garota, ver que ela tem algo de especial e tentar as chances? Tudo. Eu me arrisquei. Arrisquei novamente o coração. Eu me arrisquei (tenho que repetir isso várias vezes porque é a verdade, e eu agradeço). Eu vivi. Eu fiz besteira. Eu levei um fora! E ainda rio disso como se não fosse nada. Ou como se fosse a coisa mais engraçada que eu já vi acontecer na minha vida. E tecnicamente, não foi. 

Foi a melhor.

....

Ai alguns podem me perguntar "mas vocês nem sabiam os nomes um do outro e você, ainda assim, a chama para sair?". Sim, eu tenho parafusos soltos, mas pare para pensar (frase legal essa, "pare para pensar"), onde vou conhecer pessoas e sair com elas? Na rua, no mercado aqui perto. Facebook e outras tecnologias estão ai para ajudar, não para construir uma ponte gigante de uma alma para a outra. E arriscar me pareceu uma boa ideia. Sei que no fundo ela queria sair comigo. Até dava risada enquanto eu falava com ela. Mas o medo do desconhecido é maior. Irônico em alguma maneira? Não.

"É a vida."

Comentário do autor: desabafo e texto ao mesmo tempo. Conseguem distinguir o que é verdade e o que é mentira, ficção?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sonambulismo (repost)


Hey, HEY YOU! Está acordado!? Acho que está, mas ainda está sonhando. Deve ser algo bom já que não consegue nem prestar atenção no que estou te dizendo. Mas mesmo assim, eu irei te contar algo muito interessante. Se quiser continuar dormindo, tudo bem; se quiser continuar no sonho, tudo bem. Um dia você irá entender.

É o seguinte, meu caro: acho que você anda dormindo demais. Na verdade, não acho nada. Tenho certeza. Tanto que aquela moça, qual é o nome dela mesmo? ...Lembrei! Molly! Ela te ligou, sabia? Deve fazer umas duas horas. E também veio aqui ontem, mas acho que você nem reparou. Se quiser saber minha opinião, acho que ela é uma boa garota, devia dar atenção a ela, quem sabe retornar a ligação. Mas acho que isso não vai rolar, né? Você está ai, dormindo.

Mas sabe cara? A vida tá andando que nem louca lá fora. Acho que você devia acordar, tá perdendo muita coisa. O tempo está passando e você está ficando para trás. Ou você para de sonhar e viver um mundo inexistente nessa sua cabecinha, ou sua vida vai virar um pesadelo da qual você nunca vai acordar...

Acho que você não conseguiu me entender, não é? Vamos falar sério agora.

Você é um idiota. Fica dormindo para as coisas da vida e faz aquilo que acha benéfico para você na hora e no lugar que estiver. É capaz de sair com alguém e no meio do encontro ver outra menina e tentar suas chances com a segunda enquanto sai com a primeira. Ou sair com uma menina, brigar com ela, ir para outra e para outra, como se fossem brinquedos e você uma criança: quando cansa de um, ou não entende como funciona, logo desiste e joga fora, indo brincar com outro e quando se cansa desse novo, volta para o antigo.

No mesmo jeito, você ignora o que os outros pensam sobre você. Sei que você tem que ser quem você quiser, mas sinceramente, tá na hora de acordar; tá na hora de perceber que o mundo não gira ao seu redor e que todas as pessoas tem sentimentos. Você faz idiotices e nem liga para elas. Você faz as pessoas de idiotas e nem se preocupa em consertar isso. Eu acordei e não suporto olhar para você aí, largado a deriva do vento que vier ou em busca da luz que brilhar mais forte.

O problema mesmo é que eu não posso te acordar. Terá que fazer isso sozinho e com sua própria força de vontade. Sem uso de despertadores. Você terá que entender que está na hora de parar de sonhar quando ela chegar. E quando ela chegar, entenderá o que eu quis dizer. É uma pena eu não poder te ajudar cara. Eu mesmo fico com raiva disso. Mas vou estar ai caso precise. Então, quando acordar, me avisa.

AH, antes que eu esqueça. Quando acordar, não esqueça de ligar pra Molly e pedir desculpas pela demora. Acho que ela gosta de você.


(postado originalmente dia 27 de Março de 2011 às 11:11)

Comentário do autor: quando eu leio esse texto eu lembro de duas pessoas. Uma menina e um menino. Lembro que essa menina tinha me falado algo sobre esse menino que eu não havia gostado, e que é exatamente esse desligamento da realidade e do sentimento alheio, tratando as meninas como se fossem lixo ou algum brinquedo que pode ser pego a qualquer instante. Realmente penso o que eu escrevi e até que ficou bom. Dá para perceber bem a crítica. Em referência ao nome do texto, "Sonambulismo" foi o que mais me atraiu. A pessoa está se movimentando, está fazendo coisas no mundo real, mas parece que vive no próprio mundo dos sonhos dela. Me pergunto, algumas vezes, se algum dia esse menino leu o texto. Provavelmente não. E outro comentário interessante: o primeiro nome desse texto era "Hey You", tanto que comecei o texto com essa frase. Pink Floyd a parte, o outro título era melhor. E foi o que ganhou.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

I Me Mine

Observação: não me levem a mal. Esse texto foi uma brincadeira que eu fiz nem lembro para quem. Não sou orgulhoso e nem fico me achando. Mas foi legal fazer.

Não sou do tipo mais procurado
Alguém com quem você pode ter se relacionado.

Sou louco. Um pouco cinico
E se permite dizer, muito dramático.

Nunca teria a coragem de dizer que você é linda no primeiro encontro
Ou de que você faz meu coração bater mais rápido.

Nunca sairia com alguém que eu não goste ou que me irrite:
não preciso aturar pessoas que não me impressionam.

Tenho alguns parafusos soltos e uns neurônios a menos
Mas tudo bem, acho que penso mais que o restante.

Nunca te trocaria por outra
Ou ficaria parado enquanto chora.

Posso não ser o mais bonito
Mas sou o mais capaz de te fazer feliz.

Não serei sua primeira escolha,
Ainda mais que eu não sou seu tipo.

Isso porque eu não sou um tipo
Sou excêntrico do meu jeito e se não gostar
Procure outro em outro lugar.

Comentário: essa composição foi minha primeira tentativa de fazer um texto que sugerisse o que eu sou para as outras pessoas, tanto que eu o fiz em março e vários outros textos do tipo já vieram e foram deletados ou postados. Mudei o fim para ficar mais aceitável e menos palhaço, mas se quiserem eu posso colocar o fim original. Escolher a foto também foi complicado. Então, deixei sem foto. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

2011, Pt. 2/4

Abril. Maio. Junho. Me apaixonei. Amei. Sofri. Morri. 

Dá para resumir o 2° trimestre de 2011 dessa maneira. Tentar voltar àquelas memórias e sensações me parece algo complicado, agora. Ainda vou lembrar da garota da livraria dizendo sim. Da gente se beijando no shopping. De receber meus presentes de aniversário. E de eu dizendo que eu não gostava muito de morangos enquanto ela dizia que iria me obrigar a comer o bolo dela, que teria morangos. Tudo parecia que iria durar. O para sempre e para toda a eternidade tem um sentido claro de acabar cedo. 

Sofri demais entre Maio e Junho. Retomei minhas leituras. Assisti os filmes que haviam passado na TV enquanto eu não estava em casa. Nunca dei de fato aquele tempo para eu organizar meus pensamentos e viver do jeito que eu queria. Todo aquele precioso tempo foi feito para esquecer. E, afinal de contas, esquecer o que? Já imortalizei tantos textos que já perdi o básico da noção de memória. Cada palavra digitada era apenas um meio de tentar extravasar toda a dor e todo o nada que existia. E no final das contas, que dor sobraria além da dor que eu não sou feliz comigo mesmo? 

Junho ainda teve um ponto final. Ou o ponto de partida. Se um texto codifica, poetisa e argumenta tudo o que aconteceu e que deixou de acontecer, é aquele que estava na página 216. Solstício de inverno. Quais das cartas, das palavras escritas por ambos teve mais impacto? Não sei dizer. Talvez publicar algo que fosse pessoal fosse a gota que qualquer um gostaria para ver o copo transbordar. 

Retomei as passagens e caminhos desse labirinto. Postei novas fotos, novos sons. Invadindo o labirinto, eu libertei coisas que, antes, estavam trancadas a sete chaves. Eu morri para entender que na verdade apenas uma parte de mim havia morrido. E isso morto era aquela paixão súbita pelo o que, um dia, significou muito. 

E por que não virar meu mundo ao contrário? De ponta-cabeça? Julho estava ali por perto e o labirinto se complicou mais uma vez.

Entre os livros que marcaram essa época, eu preciso ressaltar: A Zona Morta (Stephen King); A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas (Stephen King); Eu sou o Mensageiro (Markus Zusak); A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón).

Filmes? Quais marcaram? Across the Universe; O Paciente Inglês; Lembranças.

E entre as músicas, recomendar bandas. Engenheiros do Hawaii (Acústico e Novos Horizontes); Legião Urbana (discografia).

Por que eu não coloquei fotos ou vídeos? Bem, eram muitas coisas. Se eu colocasse fotos e vídeos para tudo, o post ficaria gigantesco e perderia o sentido original.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Indubitavelmente



A: Querida, para onde vamos hoje a noite?  As cidades estão espalhadas de venenos mortais, gases de perdição, palavras sem coração. Cheias de verdades e mentiras. As pessoas vestem máscaras e não podemos enxergar além da face. E que faces verdadeiras essas meias-verdades poderiam nos dizer? Será que na verdade eu não visto uma máscara todos os dias quando te vejo e a derrubo, a vaporizo, quando nos separamos pela manhã? Onde está o que é certo e errado nas cidades? Onde as assombrações e as mentiras não podem ser vistas? Onde só me resta a liberdade de saber que nem tudo é realmente uma grande farsa? Não é apenas uma peça ou um jogo? Vamos tirar as máscaras, querida. Veja meu ser. Veja pelo reflexo e entenda o que eu desejo e sonho. Vamos fugir. Dane-se a cidade. Vamos lá. Tire sua máscara, o que me diz? 
B: Eu não me apaixonei pela sua máscara, seu imbecil. Eu consigo ver além dela. E eu já não uso a minha faz tempo.
A: E eu também. Mas não a use mais. A quebre. Jogue no rio. Deixe nos trilhos do trem ou jogue aos ventos do norte. Tire-a de sua vida.
B: Mas, por que eu deveria? Minha máscara é minha proteção. E eu quero me sentir segura. Mesmo não a usando.
A: Não precisa usá-la. Nesse baile de máscaras fúteis, apenas uma se mostrou verdadeira. Uma máscara que protege e não mente. Quando vi aquela mulher eu sabia que eu iria sonhar com ela todas as noites e dias até o fim da minha vida. E talvez o fim esteja longe, mas agora, estamos tão perto. O que eu quero de verdade é jogar fora sua máscara, querida. Quero te levar para fora das mentiras, das omissões. Não precisa mais de máscaras. 
B: Não? 
A: Não. Já vivemos sem elas. Por que precisaria?
B: Eu... Não sei.
A: Fiquei assim também, mas a joguei na lareira e a vi arder em brasas. Não preciso de mais proteções. E nem você. Eu te amo. E ninguém tem a noção do quanto esse sentimento é imensurável. Vamos, jogue-a fora. 
B: Como pode ter tanta certeza?
A: Porque eu nunca senti isso antes. Éramos meias-verdades. E nos completamos. Você não se sente bem com tudo isso? Com nós?
B: Lógico que sim, seu tonto. Eu te amo também. E eu a nunca tinha tirado para ninguém antes.
A: Meias-verdades unidas. Nós formamos uma verdade, um sentimento único e real. Vamos. Jogue fora. Seja minha para sempre. Se case comigo. Tenha filhos comigo. Não preciso de mais ninguém se eu te tenho ao meu lado.
B: Para sempre?
A: Para sempre e para toda a eternidade. Você é a minha verdade absoluta e sem dúvidas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Really? (repost)


A: O mundo é uma hipocrisia! Onde quer que você olhe irá ver mensagens de amor falsas, músicas mentirosas escritas somente para alcançar sucesso, filmes de sétima categoria que mostram que qualquer um pode amar! Maior hipocrisia conhecida: nós mesmos!
B: Não concordo muito contigo.
A: E por quê? Você sabe que eu estou certo e ponto.
B: Não. Você está generalizando. Há canções belas escritas por uma alma perdida que quer encontrar sua cara metade. Há roteiros e livros escritos de tal maneira que o amor seja tema principal porque, convenhamos, o amor é a maior incógnita em nossas vidas. Vamos amar? Seremos amados? Não há como sabermos quem irá conquistar nosso coração ou quando e muito menos saberemos quem irá quebrá-lo ou dá-lo aos braços de um fogo que o fará queimar até sangrar. O que a sociedade apresenta não é hipocrisia. É sonho. Desejo. Ou você também não quer alguém? Se quer alguém hipócrita, procure algum político. Não um escritor. Não um compositor. Não uma pessoa que consegue amar.
A: Você só diz tais coisas por causa daquela vadiazinha que vem saindo..
B: Não preciso pagar para conquistar uma mulher. Não sou um hipócrita que só sabe reclamar e que sempre prefere pagar um custo monetário do que apostar seu coração num jogo assassino. Hipócritas são assim mesmo: enxergam o que acontece e sabe o que querem, mas são covardes demais para lutar por algo que possa machucar. E por isso mesmo que não preciso de vadias, seja lá como prefere chamar. E de qualquer maneira, elas também são pessoas. Não é porque te satisfazem que não possuam alma e coração. Além disso, não sou hipócrita de dizer as coisas apenas por um momento. Sei quem sou. Sei o que quero defender.  E sabe o que é?
A: O que?
B: O amor. Algo que a mentira e pessoas falsas não conseguem enxergar.


(postado originalmente dia 11 de Junho de 2011, às 19:44)

Comentário do autor: esse é um daqueles textos que eu olho, leio novamente e penso "Nossa, eu que escrevi isso?". O interessante é que eu queria fazer algo engraçado, somente para variar. Ia ter uma tirada mesmo, só que acabei indo para um caminho mais sério. Bem mais sério. O resultado foi esse. Uma tirada social e uma mensagem de amor ao mesmo tempo. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entre linhas


Me falaram que estou apaixonado.
Disse que não.
Mentira

Me falaram que estou insano.
Disse que são eles que estão.
Mesmo sabendo que sou eu

Me disseram que estou sofrendo.
Falei que não sou eles.
Eu sofro mais
Que estou feliz
Outra mentira
Que estou alegre
Como posso estar alegre...

Me perguntaram o que me fez mudar tanto
Disse que não sabia
Foi você

Me disseram tchau.
Eu também
Foi de coração
Te disse oi
Você me disse adeus
Que coração?


Texto antigo em layout novo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

2011, Pt. 1/4

Comecei o ano em vermelho. Paixão, amor, eu queria essas coisas do fundo do meu coração. Olhava para o céu, me alegrava em ver os fogos de artifício que meu tio e meus primos soltavam. Ouvia Dream Theater pelo fones de ouvido e pedia por um bom ano. 

Janeiro é sempre férias. Pus minha leitura em dia e comecei a conversar com uma garota pela internet. Tínhamos nos encontrado semanas antes na livraria. O mês foi passando bem assim, com um pouco de sossego, livros novos na estante e na cabeceira, jogos para jogar e novas e antigas músicas para escutar. Comecei a escrever de verdade nesse mês. Fosse por necessidade ou não, os textos vieram e ficaram. Mostrei-os a quem eu achava que deveria mostrar. Tranquei em sete chaves.

Entre janeiro e fevereiro eu tive uma crise. Não queria mais saber de internet. Resolvi ficar longe e tentar me entender. E foi daí que surgiu o Labirinto Silencioso. De uma crise. Irônico, não é mesmo? Aproveitei que eu já tinha textos salvos e resolvi postá-los, me abrir para o mundo. E tentar entender o que se passava dentro de mim. 

Os meses foram passando. Fui escrevendo cada vez mais e mais e mantive conversas maiores com a garota da livraria. Esse três meses foram ótimos em certa parte. Acabei achando o que eu queria achar. Vi as pessoas que eu queria ver. Falei com quem eu quis falar. De Janeiro a Março as coisas mudaram. Para melhor. Comecei a me encontrar com a garota da livraria. Meus textos ganhavam força, expressão. Eu estava amadurecendo e me deixando levar pelas coisas que aconteciam ao meu redor. 

O primeiro trimestre do ano foi ótimo. De verdade. Os buracos só começaram no segundo.

PS: isso aqui seria apenas um texto. Mas por que não fazer algo a mais? Aqui estão as músicas que marcaram, os livros que eu mais gostei de ler e o filme que mais me emocionaram nesses meses.


Wish You Were Here - Pink Floyd


Across the Universe - The Beatles


A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três - Stephen King


Percy Jackson & Os Olimpianos - O Último Olimpiano - Rick Riordan


(500) Dias com Ela


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Jornada


É constante. Tudo é constante. Nossa vida é constante. Segue um padrão. Nascemos, vivemos e morremos. Constante direção de eventos. Então para que seguimos? Por que nos mantemos vivos? Já temos a resposta do final de tudo, e ela se chama morte. Mas não é a morte que nos atraí. É o que nos leva até ela. É a jornada e as trilhas que pisamos antes de respirar pela última vez. É simplesmente entender que existem mais coisas além da vida e do fim da própria. Navegamos sem rumo, perdidos, sempre seguindo a luz no fim do túnel, que na verdade não passa de um trem desgovernado que carrega as almas daqueles que já atingiram sua hora. Prosseguimos por caminhos cobertos de mistérios e segredos e é isso que nos chama tão ardentemente para caminhar por vales desconhecidos e nos apaixonarmos por totais estranhos que vemos na rua.

O mistério nos atrai. O anormal é interessante, instigante. A curiosidade nos faz viver, mas ela também nos dá nosso atestado de óbito. Isso deveria ser mais do que gratificante. 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aviso ao leitores



Estive pensando sobre o blog ultimamente. Sobre quais textos eu postaria e quando. E acabei chegando numa conclusão, que está logo abaixo. 

Irei postar em todas as semanas de dezembro. Vou me organizar aqui e fazer um esquema de postagens. Será algo mais ou menos assim: 

Segundas: postagens de poesias e poemas. Faz tempo que eu não faço nada desse tipo e muito mais tempo que eu não coloco aqui. Vou retomar isso porque foi aonde eu comecei e foi aonde o blog começou.
Terças: repostagens. O que seria isso? Bem, vou pegar os textos antigos e editar, colocando fotos e talvez alterando o título de alguns. Com isso, eu vou mudar as datas originais para ficarem logo na primeira página.
Quartas: textos novos. Desabafos ou textos normais (como o da Janine, se estão lembrados) serão publicados toda a quarta e pretendo manter isso não somente para dezembro.
Quintas: sem postagens. Dia de sossego para mim e para vocês.
Sextas: especial de fim do ano. Tem quatro semanas pela frente e quero fazer um resumo do que eu achei de cada mês, então dividi o ano em trimestres e escreverei sobre meus pontos de vista em relação a tudo que me aconteceu e sobre tudo que deixou de acontecer.
Sábados e domingos: sem postagens. Mesmo sendo férias, esses dias continuam sendo dias de descanso.

Ou seja, postarei quatro dias por semana. Se em algum desses dias eu não publicar algum texto, publicarei no seguinte. 

Atenciosamente, Gabriel Fiel, escritor/dono do Labirinto Silencioso.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Todas essas verdades


Todos esses momentos, navegantes e tristes, tão sólidos que derretem ao toque suave de uma simples visualização. Todas essas fotos guardadas na última gaveta daquela cômoda de madeira antiga e maciça. Todos os cheiros que flutuam diante mil e um espaços desconhecidos da memória. Todas as imagens esquecidas dentro de todas aquelas fotos. Não há razões aparentes para pode lembrar de tudo e de todos, e mesmo assim eu lembro como se tivesse sido ontem. Ou, quem sabe, duas horas atrás? 

Nesse navio que eu navego, nesse barco que estou, acompanhado, ondulo pela ondas e marés do que seria esse oceano de momentos passados e futuros. Por via da preguiça, cortei atalhos e estraguei minha própria vida. Por via do amor, estraguei corações. Por via da tristeza, arruinei espíritos. E por tudo me sento solitário diante do que seria a discórdia em palavras e sufocação da euforia tão ardente que eu nem sinto mais. Na proa desse barco, navio, eu enxergo tudo o que virá. Lá de trás, vejo tudo o que se foi e o que não existe mais. Afinal, vivo nesse oceano, faço caminhos quebrados e insolentes. Jogo partes de mim e dou cores novas ao azul da água. 

E na vastidão desse horizonte cinza, sem sol, enfrento as poucas verdades que meu coração tende a repelir porque são fortes demais para serem esclarecidas; para serem obliteradas. As poucas verdades que sei que irão me mudar e mudar tudo. A verdade a ver navios. A verdade ignorando a verdade. A verdade nesse grande palco que é o navio que me carrega, que é a vida em si. A verdade sentada num bar jogando truco e fumando um cigarro enquanto fala de garotas e de video-games com os compadres. A verdade atrás de um dragão. A verdade trancada num labirinto mudo e cinza. A verdade que foge e foge e na verdade não possui lugar nenhum a chegar, porque ao chegar em algum lugar ela será  a verdade. A mentira e a inexatidão somem de uma vez; pulam do barco e morrem afogadas, pelo menos por enquanto. Todas essas mentiras consomem, uma por uma, todas as energias desses momentos tão alegres e infelizes. Todas essas verdades poderiam alegrar e, por razões conhecidas e desconhecidas (paradoxo de todas as ideias, motivos e pensamentos idealizados), quem não consegue encontrá-las sou eu. 

Eu que navego. Eu que choro. Eu que rio. Eu que penso em todas as pessoas que tiraram uma foto mental e me guardaram; em todas aquelas que gravaram mentalmente minha voz. Eu que não fumo e pedi um cigarro. Eu que não amo você. Eu que leio. Eu que escrevo. Eu que vejo. Eu que escuto. Eu que sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu que sou metal quente; derreto e te esmago. Todos esses eus, todos esses nós grudados um ao outro formando um único ser viajante. Todos esses momentos, tristes, infelizes e navegantes, tão sólidos que derretem e se deformam com uma simples verdade. A verdade sem cores, a verdade envaidecida. A verdade que derrete, pois tudo que é sólido pode derreter. A verdade que é uma roda, que é o Ka. A verdade é que Blaine é um chato, e isso é a verdade. A verdade que no fim há o mar rubro de rosas. A verdade que, agora, não passa de mentira. E a verdade que agora senta em lugar nenhum me esperando, esperando meu navio e toda a minha frota. Esperando que ela seja libertada. Que sua gêmea irreal seja morta ou jogada aos tubarões. Esperando que, uma vez na minha vida, eu a escolha, pois isso não é mais nada do que a própria verdade.

E que caia o inimigo então.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Passatempo


Acendo outro cigarro e me escondo na névoa cinza que ele forma. Escondo-me da verdade tão infame que você deixou. A verdade que seriamente murchou meu coração e me trouxe a incompreensão. Tento me afastar dos problemas com uma tragada. Suspiro uma fumaça cinza e letal a minha frente. Respiro o mesmo ar infectado. O mesmo ar que, uma vez, você já respirou. É assim que mato tempo: me matando; te matando. Ou pelo menos o que sobrou de você em mim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Perfeição


Brindem a ignorância com uma salva de palmas. Sim, sim, sim! Eles estão chegando! Não percam a nova atração de hipócritas vestidos a caráter no congresso e dos mentirosos na lona do senado desse circo tão bem formado por imbecis! Sim, sim, sim! Venham conferir mais um exemplo da idiotice do público geral! Vejam o quanto eles são tolos! Ouça suas mentiras! Acredite nelas e os proteja! Mostrem seus votos conscientes para todos! Sim, sim. sim! Acompanhem nossas atrações ao vivo, pela televisão ou nas manchetes do jornal! Confiram as falcatruas e a discórdia! Assistam todos os episódios dessa torcida tão linda que comemora o carnaval! E que grita com gol da Seleção! E que se fodem com seu país! Sim, sim, sim! Vejam os hospitais e as escolas sem fundamento! Admirem esse circo de canalhas tão bem levantado e armado! Me deem mais uma salva de palmas! Levantem suas mãos e orem para que a novela acabe da maneira que vocês tanto sonham! Sim, sim, sim! Mantenham as saídas de incêndio liberadas e os extintores à mão, porque há não-seguidores de nossa religião que querem ver nosso circo pegar fogo! Não podemos deixar eles fazerem isso! Imaginem o quanto de dinheiro que nossa trupe iria perder! E não se esqueçam também de prender os assassinos e ladrões, só que tenham cuidado com eles! Deixem-nos na prisão, enquanto possuem suas refeições diárias e possuem família ganhando pensão! Sim, sim, sim! Digam vivas a sociedade! Gritos de emoção com as notícias do mundo e do cinema norte-americano! Sim, sim, sim! Não amem sua pátria; somente em sábados, domingos e feriados nacionais ou quando passa futebol na televisão! Tomem mais um gole em homenagem ao fanatismo envolvente, e de mal gosto, desses que pensam! Não pensem, meus caros: sigam-me e mostrarei o melhor caminho para tudo e todos! Comemorem com rojões a estupidez humana e a estupidez de todas as nações! Porque somos mais inteligentes, meus amigos de coração! Somos sim! Mais desenvolvidos, mais aculturados! Louvem nossas metrópoles como se fossem santuários! Eliminem as matas e deixem esses otários no palco principal! Virem seus olhos para a beleza do exterior! Bebam, meus queridos companheiros! Bebam e celebrem como se não houvesse amanhã! Pois muito bem, nunca se esqueçam de conferir o espetáculo de amanhã. Prometemos mais e mais ironias e imbecilidades! Reservamos um lugar especial em suas cadeiras para adorarem esse circo! Sim, sim, sim! A trupe de ignorantes é antiga e teremos ainda mais apresentações! Confiram nossos horários e brindem vocês mesmos! Porque não existe nada melhor que um público imbecil para uma trupe de ignorantes! Obrigado pela atenção e repitam o procedimento!

domingo, 30 de outubro de 2011

Love in the Afternoon


Outubro de 2011. Faz um ano, sabe. Um ano desde que eu me transformei. Um ano desde que eu percebi quem eu realmente queria ser. Um ano desde que eu me apaixonei.

É tão estranho voltar a pensar nisso. Pensar que um momento, uma pessoa e uma chuva poderiam mudar tantas coisas numa vida. E pensar que tudo isso aconteceu e é por isso que eu lembro. Porque a chuva foi forte.

Em março de 2010, eu me apaixonei. Talvez eu possa colocar o que aconteceu dessa maneira. Me apaixonei. Mas devem saber como é. Relacionamento virtual. Por um momento eu não sabia no que eu estava me metendo. Sinceramente. Mas foi ótimo. Me senti vivo. "Conheci" novas pessoas, todas do círculo de amizade dessa garota que meu coração escolheu para amar. Só que as circunstâncias favoreceram o rompimento de nós dois, selando tudo o que um dia fora bom com um beijo.

E quem iria dizer que eu estava bem? Ninguém. Porque eu saí magoado desse "relacionamento". Alguém poderia dizer que eu iria parar um dia de lutar contra o que fora escrito no meu livreto? Não. Mas tudo tem um ponto final, e aprendi isso com essa garota.

Em setembro desse mesmo ano, eu estava fazendo um trabalho perto da casa dela. Lógico, ela morava na mesma cidade (ainda mora) e é algumas semanas mais nova que eu. Nos entendiamos bem e eu sabia onde ela morava, porque nosso único encontro fora naquela calçada em frente sua moradia. A professora havia perguntado em que lugar meu grupo gostaria de fazer o trabalho. Por que não perto da casa dela? O que eu tenho a perder?

Pois é. Eu tinha tudo a perder. Mas o que realmente aconteceu foi algo frio e uma lição que eu precisava. E bastante. Apertei a campainha. A vi. Sem sorrisos. Por que haveria sorrisos, não é mesmo? Simples. Frio. Um ponto final nisso tudo.

O tempo caminhou. Em outubro, eu estava no grupo de teatro e conheci uma garota. Especial, sabe? Afinal, todas as pessoas que conhecemos e que nos conquistam são especiais. Como essa. Era mais nova, mas possuía algo a mais, algo que eu havia perdido. Se chama literatura. 

Por ela eu comecei a ouvir Pink Floyd. Comecei a procurar livros como um condenado. E creio que poucos sabiam disso. Na mesma época eu voltei a ouvir uma banda chamada Avenged Sevenfold, muito importante pro contexto.

Virei traça de livros e comecei a pegar todos aqueles que eu queria. Somente para entendê-la. E em uma das aulas de teatro, caiu um temporal desanimador. Saímos correndo do teatro e fomos direto para a parte coberta da garagem da escola. Ela não teve medo da chuva. Foi nesse momento que eu pude dizer com todas as palavras que eu havia me apaixonado por ela. Algo forte. Algo que me dava ânsia, calafrios e mal-estar. 

Enrolei, mas chamei ela para sair. Fui esperto e chamei para sair como amigos, mas ela entendeu o que eu queria. Inexperiente, sabe? Deve ter vivido grande parte de sua vida nos livros, desejando alguém melhor e no final das contas quem ela conseguiu foi um moleque desajeitado, sem mira, alto e magro. Não deu certo. Mas foi fundamental. Tudo foi fundamental.

Estava ouvindo uma música do A7X, "Gunslinger", só que eu não fazia a menor ideia do que o título significava, então fui procurar no nosso amigo Google. Encontrei, na verdade, um livro com esse nome. O primeiro de uma série chamada "A Torre Negra". E eu estava emocionado por voltar ao mundo dos livros depois de anos desde que eu havia lido o último volume da saga Harry Potter, e isso ainda em 2007, quando foi lançado.

Mesmo com o coração destroçado, fui atrás da série. A achei. Comprei o primeiro volume e o li. Uns dias depois eu sai com uns amigos e por alguma força eu quis voltar na livraria e apenas olhar o restante da série que tinha lá. 

Lá eu me deparei com uma menina um pouco mais nova que eu. Fez teatro comigo. Era amiga daquela que eu me apaixonei. Estava lá comprando material escolar. Conversamos e descobri que ela tinha a série inteira. Coincidência? Talvez não. Talvez sim. Para ela, deve ter sido. 

Comecei a conversar com ela por meses. Em março de 2011 eu sabia que estava gostando sério dela e queria algo a mais. Saímos várias vezes. Passei mal em metade dessas vezes e nunca consegui beijar ela. Então, como corajoso homem que eu sou, menti ao sair da escola e fui até sua casa. Para fazer o que? Pedir ela namoro. Pelos deuses! Loucura né? E se eu te disser que nem ai eu beijei ela? Ai fica tenso. Mas não demorou muito. Ela aceitou o pedido e uns dias depois eu tive a coragem. 

Conheci sua família e comecei a viver dentro daquela casa. Eram momentos felizes, porém havia um porém. Um estava amando. Outro, estava perdido. Fazia um pouco mais de 6 meses desde que ela havia se encontrado com um homem mais velho. Pelo o que eu sei foi paixão, e ela ainda o amava. Ainda o ama. É claro, é lógico. Só ler seus textos.

Fiquei destruído. Tudo o que eu fazia me lembrava dela. Voltei a ouvir Legião por causa dela. Escrevia muitas coisas para ela. Que porra. E ali eu estava. Fodido, com o coração esmagado e sem pontos finais.

Já fiz dois textos sobre isso, e ambos estão aqui no blog, mas vamos realçar mais um pouco. Em junho eu entreguei um livro dela que estava comigo. Terceiro volume d'A Torre Negra. Dentro do livro, eu coloquei uma carta com um pequeno poema. O resultado disso foi um texto gigantesco que ela me mandou naquele mesmo dia. Chorei. De verdade. Dias depois ela fez um blog e colocou como primeiro texto esse que ela tinha feito especialmente para mim. Sempre quando eu escrevia, trancava aquilo tudo que pertencia ao meu coração. Tudo a sete chaves. E quando vi aquele texto lá, eu certamente senti as piores das sensações. O pessoal lia e se encontrava naquilo. Não sei como dizer isso de verdade, mas acho que fiquei com uma mistura de inveja com ódio. Talvez por isso que eu tenha voltado a trabalhar no blog. Talvez por isso eu tenha mudado tantas coisas aqui no meu cantinho. Talvez seja a palavra errada. Certeza que sim. 

Com o segundo texto dela eu consegui meu ponto final. Ficava claro que ela ainda amava aquele homem, e depois de minutos lendo aquilo tudo eu consegui me contentar com o que era verdade e com o que era bom para mim.

Em julho de 2011 eu estava dando grande parte do meu tempo para esse cantinho que eu dei o nome de Labirinto Silencioso. Fiz propaganda como ela fez. Até pelo msn. E uma menina se mostrou interessada. Já havia mostrado textos meus para ela, e ela gostava, tanto que me pediu para mostrar mais quando eu escrevesse mais. Fiz isso, e comecei a conversar bastante com ela. E apareceu outra menina. Bem mais nova. Sei lá quantas centenas de quilômetros de distância daqui. Conversei bastante com essas duas. Ambas foram importantes. Me tiraram da escuridão e me deram alegria. Tenho que agradecer elas. Deram rumo a minha vida. Uma me deu sonhos. Outra me deu esperança. Ambas sorriram em minha vida. Virei grande amigo da distante. Me apaixonei pela próxima. E quem garante que fracassos são para a vida inteira? Ela também se apaixonou por mim. E conheci ela através daquele meu romance no começo de 2010. Interessante como as coisas funcionam. Fui o mesmo covarde com extrema vergonha no começo. Meio difícil de fazer alguma coisa. Mas deve ser parte do meu charme ser complicado. A parte boa é que as coisas quando são recíprocas são ótimas. Alegres. Felizes. Não é mesmo?

E para falar a verdade, me sinto bem escrevendo tudo isso. Tirei um peso das minhas costas, porque amar foi complicado e ainda é, mas podemos tornar tudo isso mais simples, como esse texto que resumiu mais de um ano da minha vida. E posso dizer que 2011 está sendo o melhor ano da minha vida. Me apaixonei pela garota errada. E gostei. Tive meu coração quebrado. E chorei. Encontrei luz e lua. E amei. Escrevi. E odiei e amei. E agora, por ouvir uma simples música, eu consegui as forças de colocar tudo isso pra fora. E isso me fez pensar numa coisa.

Que a vida é um trocadilho de bom gosto. E que eu me sinto bem com isso. De verdade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Aliás, quero que saibam de uma coisa


Sinto que algo mais forte vive dentro de mim. Dormindo quase agora, eu sonhei com vocês. É. Vocês. Pessoas especiais. E por que não deveria sonhar com vocês? Parece difícil de acreditar, mas é a verdade, e eu agradeço. 

Me lembro de apertar o extintor de incêndio da escola por influência sua, Bruno. O barulho que aquele negócio fez no teatro foi um caos. A coordenadora estava lá e eu saí correndo do lugar que eu estava. Você de boa. E eu ainda te culpei! E você não disse nada. Perdi sua bola também. Estou te devendo 10 reais. E você ainda se lembra de mim e me chama para sair com o pessoal ou quando vai fazer um churrasco.

Me lembro de assistir vídeos de fantasmas no Youtube com você, Ian. Até que um deles só tinha uma escada e mais nada. Não havia som. Aproximamos nossos rostos para tentar ver alguma coisa e de repente um sei-lá-o-quê aparece na tela fazendo UGABUGA! Maior susto que eu tomei na minha vida! Tirei o boné e te bati com ele. Ficamos rindo disso o resto do dia e descobrimos que o que nos assustou foi apenas um boneco de meia feio demais. Me lembro da gente jogando DS e de você me perguntando de quem eu gostava da sala. E de assistir Yu-Gi-Oh GX. 

Me lembro de ficar virando na carteira pra conversar com você no Senai, Tiks. Lembro de dar carona todos os dias da escola para lá, porque ambos fazíamos o mesmo curso e ambos passavam fome. Lembro das piadinhas e de todos nossos amigos daquela escola: do Gigante, do Dimme, do Pinhal, da Rafaela e do Thomas e da Beatriz! Bons momentos que passamos. E Tiks, ainda lembro de você acordando de madrugada, olhando e apontando pra TV, dizendo que aquele era o novo personagem que iam lançar naquela semana. Só que a TV estava desligada.

Me lembro de ter 7 anos e quase nenhum amigo que eu poderia realmente me apegar. E acabei caindo junto com você, Roberto, na mesma sala. Desde então, em apenas um ano não ficamos na mesma sala. Lembro de subir a rua de casa e já estar na tua. Da gente vendo anime. Lembro de quando quebrei, sem querer, um vidro que tinha na sala. Seu pai não me pediu para pagar nada. Você falou que estava tudo bem. Agora ainda estamos na mesma sala, você sentando na carteira atrás de mim. Você consegue me irritar de vez em quando, consegue me deixar bravo, furioso. Ficava esquecendo de fazer lição e eu que te passava os exercícios antes da professora terminar de dar visto. E agora, eu parei de fazer algumas lições. Você continua não anotando nada no caderno. E continua estando do meu lado.

Me lembro de estar na 4ª série e não ter ninguém com quem conversar. E de repente senti uma ligação com você, Matheus. Me lembro da gente falando das meninas, de você me emprestando o apontador e vice-versa. Estamos seguindo juntos desde então. Vi você se apaixonar e as coisas não darem certo. Eu tentava te ajudar de todas as maneiras, sabe? Depois que eu cortei aquele meu cabelo que chegava nas costas, você deixou o seu crescer ainda mais, e só foi cortar de verdade há uns dois meses. Me lembro de dar dicas em relação as meninas. Me lembro de nós discutindo sobre rock. E de te dar um tapa na cara. E não me arrependo de fazer isso, de maneira alguma. Amigo dá tapa e não leva tudo na boa. Você senta longe e eu geralmente estou lendo na sala, mas não se preocupa. To sempre lá quando precisar.

Me lembro também de você, Marcus. Afinal, como eu poderia esquecer? Depois do seu acidente, comecei a conversar bastante contigo. Você me abriu as portas para jogos com Guitar Hero e Rock Band. Me passou as músicas do Metallica que você tinha. Me deu chances no teu blog. Lembro da gente andando no corredor e você simular uma espécie de soco atrás de uma coordenadora. Eu fiquei do lado e disse, "Marcus! Atrás!", quando avistei uma de nossas professoras logo atrás da gente. Chorei de rir, literalmente! Lembro também de servir de intermediário entre você e a Gláucia. Pena que não deu certo. Mas o mundo dá novas chances, né? As coisas sempre dão certo se aproveitas as oportunidades. Me lembro também de você passando cola numa das cadeiras. Da gente disputando quem tirava maior nota em cada prova. Eu, você e a Juliene. Lembro de mudar sua idéia sobre sair da escola no final da 7ª série. E depois lembro de você saindo de verdade depois da formatura. Você foi um dos meus melhores amigos naqueles anos todos que ficamos sentados naquele espaço que ficava a gente, o Matheus e o Roberto e o Bruno.

E de você então, Gláucia? Comecei a conversar contigo depois daquela encrenca na quadra. Várias meninas saíram tristes e chorando de lá, e você era uma delas. Quando voltamos pra sala, vi duas meninas chorando: você e a que eu gostava. Alguma coisa martelou na minha cabeça e acabei indo falar com você. Te perguntei se estava tudo bem. Não sabia mais o que falar. E o mais engraçado é que quase nunca tínhamos conversado. E fomos nos apegando. Você me contou segredos e prometi que não ia contar para ninguém. Eu realmente quis dizer tudo aquilo. Eu te contei segredos também e você nunca falou nada com ninguém. Foi chegando perto e foi tomando espaço, e posso dizer que você é a minha melhor amiga, nesse sentido. Lembro dos seus ataques de riso e lembro de você me irritando na sala. 

E o mundo gira e nem tudo fica no mesmo lugar. Alguns de vocês se afastaram, outros estão ainda próximos de mim, mas isso faz parte da vida. Quero que entendam que o tempo passa, porém as memórias continuam aqui, no meu cérebro e no meu coração. E, no final, eu só quero que saibam:

"Eu sinto saudades."



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pendências

Bem, to atrasado em muita coisa aqui. Me passaram tag há dois meses e nem fiz. Me fizeram comentários tocantes e nem sequer cheguei a olhar o blog dessas pessoas. Parece egoísmo, e de certa forma era. Mas, agora estou tentando compensar pelos erros e coisas não feitas, então olharei os blogs de todos que deixaram sua marca por aqui e vou fazer a tag que me passaram com gosto, e isso vai ser nesse post.

Quem me passou a Tag foi a Jacqueline do Palavras do Poeta. Ela é bem simples:
 - Divulgar quem passou a Tag;
 - Postar 10 fotos (pessoais ou da net) das coisas que você mais gosta;
 - Escolher 10 pessoas para fazer o mesmo e notificá-las sobre tal.

Ler(ignorem o ouriço na lateral ~~é de quando era criança~~)

Escrever

Escutar rock

Assistir séries

Desenhar (principalmente stickman)

Dormir

Ver tirinhas

Chocolate

Mandar sms (e receber)

Dias frio e nublados


Pessoas/blogs (parte mais chata):

Well, mission accomplished!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vá então, há outros mundos além deste...


Para Janine, escrever aquela carta deveria ser muito complicado. Mas não foi.
    
    Ela era uma escritora fascinante, mas nunca prestigiada e ela já tinha em mente a maior de suas obras. Na verdade, já iria acabá-la. Se sentou à frente de sua Underwood, sua amiga mais antiga e começou a datilografar o que seria uma obra-prima.
    Ela repensou todas suas idéias, todos os motivos que a levaram para aquele instante e garantiu que estava fazendo a coisa mais certa possível consigo mesma. Aquele pedaço de papel seria sua entrada monumental para a história da literatura, mesmo que não houvesse como comprovar isso. Ela simplesmente sabia e sempre fazia com maestria o que sabia.
    Os dedos passavam pelas teclas e o barulho de cada escrita ecoava pelo mausoléu que se tornou sua casa. Ela só trabalhava e trabalhava, sempre no mesmo local agonizante que era o mundo da economia. Se sentia descartada dentro daquele banco, se sentia isolada e mesmo sendo muito esperta (e até muito inteligente quando se tratava de exatas) não conseguia se encaixar.
    Mas ela nunca desistiu de seus sonhos: ter o nome marcado na história e ter uma de suas obras considerada um clássico da literatura mundial. Escrevia todos os dias e juntou dinheiro para comprar sua maquina de escrever. Criou um blog e fermentou ideais que nunca foram concretizados. Janine ainda vivia no inferno, sem amigos próximos, num trabalho que ela odiava com todas as suas energias e com um coração esmagado continuamente por amantes pretensiosos e extremamente egoístas. E enquanto ela escrevia, ela lembrava o rosto e o nome de cada infeliz. Fazia questão de lembrar deles enquanto datilografava, simplesmente para colocar toda sua essência em papéis que poderiam ser muito bem descartados.
    Janine se entreteve por mais tempo que imaginava e as páginas escritas nunca ficavam do jeito que queria. Não a agradavam. E cada folha péssima que ela digitava, ela amassava e jogava por trás de seu ombro, formando uma pequena pilha de bolas de papel.
    Se concentrou um pouco mais no serviço e finalmente escreveu aquilo que tanto queria. Para ela, escrever era algo refrescante, mas às vezes era algo maligno e uma boa idéia poderia não sair muito bem ao ser transposta de sua mente ao papel. Entretanto, ela sempre alcançava o que queria ao escrever, e o que ela tinha passado a limpo era sua entrada para o mundo fantástico dos autores famosos.
    Olhou para o relógio e viu que eram 01h12. Abriu o blog e programou um post para depois das duas da manhã. Releu o texto recém nascido duas vezes e o colocou ao lado de sua Underwood. Aquela era a hora e precisava fazer rápido. Como seu pai dizia: “Quando uma oportunidade aparecer, e você a estimar muito, agarre-a com unhas e dentes e não solte-a até alcançar seus objetivos”. Ela não iria desperdiçar mais uma oportunidade. Pegou a cadeira em que estava sentada e a moveu de lugar. Ficou em pé nela e abriu a porta de cima de seu armário. Pegou todos os livros que havia escrito e nunca havia lançado por destino do mundo. Desceu da cadeira e deixou os livros no lado oposto de sua obra-prima. Livros, máquina e magnum opus, tudo junto.
    Pegou a cadeira novamente e levou para outro canto. Verificou todas as gambiarras e se certificou que nada iria falhar de última hora. Se ergueu mais uma vez na cadeira, agarrou sua oportunidade e nunca mais a soltou.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mensagem

Fazia algum tempo que eu não escrevia. A questão preguiça é um fator importante, mas outros acontecimentos também marcaram para minha ausência e dos meus textos. Pois bem, volto hoje ao blog com um novo layout (não sei se gostaram, ou não) e com algumas enquetes que eu decidi fazer. O post é bem básico e faço para avisar que eu não morri e nem pretendo parar de escrever. Aliás, pretendo postar um texto novo ainda hoje.

Pois bem, estou de volta.

domingo, 21 de agosto de 2011

Em cinza


Em cinza eu me visto, em cinza o céu desfila. Frio, nublado, dia calmo de inverno enlouquecido. Mando sms e digito nesse frio. Minha respiração cria uma fumaça branca. Como eu amo frio e chuva. E acordar não me parece ser mais um tarefa árdua. Já aguento não olhar para aquele papel azul, já aguento aceitar as verdades. Mesmo com tempo feio, eu me sinto feliz. Em cinza eu digito as palavras pelo celular e em cinza eu escrevo esse texto. A música toca, o cheiro de comida flutua da cozinha. Essa calça velha de moletom cinza me deixa quente. As letras cinzas que vibram meu celular me aquecem. Porque mesmo sem sol, os dias se tornaram quentes. As tristezas que eram pintadas em preto ou em branco se equilibraram. Cinza. Bem claro. Como a camiseta que visto. As horas passaram enquanto eu lia na cama. As horas passam enquanto escrevo. E quero que as horas passem para eu logo te ver. Porque mesmo sem sol e com chuva, o cinza me alegra. Eu estou iluminado. Sinto que o mundo é meu. E por coincidência, posto isso num lugar cinza. Você, que me responde em letras cinzas, é o meu cinza, meu equilíbrio e minha jubilação, e você me ilumina mais que o branco. Deixe suas tristezas no cinzeiro, querida, me acompanhe pelo pôr-do-sol, sem sol, cinza. Sem planos. Apenas sentindo o frio dessa tarde cinza.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Divagação

[E por algum motivo, repeti o mesmo hábito que mantenho há meses, quase anos. Na verdade, o motivo é simples: virou hábito. Como doença, os sintomas aparecem e me atacam todos os dias. Lembrar das coisas não me parece mais algo a fazer antes de dormir ou ao escolher uma opção que vai mudar minha vida. É comum me entregar aos braços das memórias turvas que assombram e alegram meu passado. E se tornou tão vital quanto respirar. Engulo as lembranças que atingem minha mente e revejo as fotografias que meu coração tirou naqueles momentos mais fortes e emocionantes. Eu respiro a essência do passado como se fosse oxigênio e tento encontrar motivos e razões que me levaram à aqueles acontecimentos.

Tudo acontece tão rápido na minha mente que nem percebo que já estou lá, longe da realidade. Entretanto, não me preocupo com isso. Revivo memórias e imagino futuros com frequência. Tudo isso na minha cabeça. Raramente passo a limpo. Minto e digo que é preguiça. Não. É medo. Medo de estragar essas fantasias tão reais que habitam dentro do meu ser. Sejam as já salvas, aquelas de tempos passados, já guardadas em retratos; ou as em formação, na qual ergo dúvidas e armo impossibilidades. 

Mas as vezes eu uso as palavras e crio um muro com elas. Um muro que ninguém vê porque eu não deixo. Penso que as pessoas não entenderiam. E a maioria realmente não iria entender. Como uma amiga minha disse hoje: "Você é muito complicado". Por que facilitar se podemos, simplesmente, complicá-las? E nisso tudo, eu acabo voltando para aquilo que me atormenta; volto a ser trancado em caminhos estreitos, feitos de paredes ornamentadas com letras, sons, e imagens; continuo vagando por caminhos, sem saídas, pintados de preto, branco, cinza e sépia. Um lugar meu, complicado ao meu jeito e impossível para o restante. Além do mais, meus arquivos mentais são extensos....]

Lembranças. Nossa vida é feita delas. Estão lá por algum motivo. Seja para não cometermos erros do passado ou, talvez, para trazer sorrisos ao recordar um piada que nos foi dita. Afinal, nada dura para sempre, e fotografias sempre são necessárias. Sejam as escritas, as verdadeiras ou as que guardamos em nossos corações.


Olhar para o passado é como olhar pelo retrovisor de um carro. É importante, mas nosso rumo está a nossa frente, não atrás e apenas olhamos para saber se estamos, realmente, fazendo tudo certo. E depois de olhar para ele, segure as mãos firmemente no volante, breque, acelere, faça o que vier a mente. A viagem é sua.


sábado, 13 de agosto de 2011

Entender. Pra quê?


E aqui estou, sentado num bar, tomando algo para me esquentar. Fico pensando em mim e em você. Em nós. No nada. Só estou aqui porque não havia mais lugar para ir. Mais refúgios para me esconder. Não bebo por gostar, só bebo para esquecer de tudo, matar os sentimentos ruins que estão dentro de mim. Já não me importa você, mas o seu efeito na minha vida. E assim eu peço outro copo pro garçom. O pego, tremendo. Viro tudo que estava dentro dele sem me preocupar com efeitos colaterais. Tomo tudo como se fosse um remédio; um analgésico para toda essa dor, que age em mim em todos os locais. Coloco o copo sobre a mesa novamente. Não tenho costume de beber e já estou começando a ficar confuso. Melhor parar. Se eu tomar mais uma eu nem conseguirei sair daqui. Pelo menos, não sem cair várias vezes no chão. Pago a conta e vou lá fora. Acendo um cigarro. Eu tinha lhe prometido que iria parar. E havia parado. Mas cadê você? Olho para os lados e não te vejo. Lembro que foi uma promessa de quando estávamos juntos. Agora faço o que quiser. Dou outra tragada e olho para o céu de inverno. É noite e tudo está mais frio que o normal. A bebida não me aqueceu. A tragada do cigarro não me convenceu de nada. Jogo o cigarro fora e vou andando, cambaleando pelo efeito das doses alcoólicas. Começa a nevar. A neve vai caindo devagar, sem pressa, no meu rosto descoberto do capuz. Sinto os flocos evaporando e virando água entre minha barba. Sempre amei neve. Pelo menos uma coisa que eu amo está inteira. Não mudou. Não desapareceu. Vou andando e passo em frente a sua nova casa. Aqui é mais frio do que em qualquer outro lugar da cidade. É mais triste e cinza. Olho para baixo, em direção ao meu pulso esquerdo. 00h13. Talvez eles me deixem dar uma visitada. Abro o portão e vou seguindo a trilha, com os pequenos prédios de cor de céu nublado cobrindo as laterais. Vou subindo trilha acima e encontro o segurança.
            - Ei, moço! Você não sabe que é proibido a entrada aqui depois da meia-noite?
            - Sabia sim, seu guarda. Mas eu estava passando por perto e resolvi visitar alguém.
            Ele me olhou de cima para baixo. Se eu estivesse mais bêbado, com certeza ele não me deixaria passar. Não foi o que aconteceu.             
            - Certo, certo... Quem você está procurando?            
            Fiquei quieto por alguns segundos. Era a primeira vez que eu iria te visitar desde a separação. Era a primeira vez em meses que eu mencionava seu nome.             - Ei! Tudo bem? - me questionou o guarda
            - Ah.. Sim, está tudo bem. Eu vim ver Finlley. Sarah Sophia Finlley.
            - Tudo bem. Vamos indo.
            Fiquei conversando com o segurança no caminho até você. Ele se chamava Gunter e era casado. Tinha dois meninos e uma menina, que era a mais velha entre os três. Uma pessoa boa. Boa demais para estar naquele lugar. Continuamos a conversa até chegar no local marcado.            
            - Pode me deixar sozinho por um momento? - perguntei ao guarda             - Posso sim. Sabe achar o caminho de volta?
            - Sei sim.
            - Tudo bem então. Vou estar perto do portão.
            Ele me deixou ali, na penumbra da noite. Peguei o isqueiro e o acendi. Me ajoelhei e li as palavras talhadas na pedra cinza que jazia a minha frente. "Sarah Sophia Finlley. 1987 - 2011. Que o céu esteja de portas abertas para você."
            - Hoje fazem 4 meses, Sarah. Quatro malditos meses desde que você morreu e me levou junto contigo. Por que você me abandonou? POR QUÊ!?
            Comecei a chorar alto. A neve estava ficando mais pesada e o tempo ia passando.
            - Eu fumei hoje, sabia? Sei que prometi não fumar mais, mas não me aguentei. E tomei um pouco também. Coisas que eu nunca faço. Só por causa sua. Eu tento esquecer, Sarah. Mas não dá. Eu ainda te amo. E acho que sempre vou te amar.
            Não havia muito a ser dito, então eu me levantei, olhei novamente para o túmulo e segui caminho. Quando cheguei no portão, a neve já estava forte e Gunter me esperava com a lanterna nas mãos.
            - Fez o que tinha que fazer?
            - Acho que sim.
            - Bem, boa noite então.
            - Boa noite.
            Sigo pelas ruas. Não possuía caminho, direção ou rota, e agora isso não é diferente. Não tinha mapas. Apenas andava, apenas ando. Quando percebo eu estava novamente na porta do bar. 01h26. Não. Cansei de bares por uma vida inteira. Além do mais, eu te prometi. Sigo o caminho para minha casa. Está fazendo o frio que nunca fez. Adentrei aquele coração vazio feito de madeira que chamo de lar e me jogo numa poltrona. Sei o que vai acontecer, mas eu nego balançando a cabeça. Não há escapatória. Eu choro novamente, rotina um tanto já antiga. Me lembro do acidente, aquela curva mal feita e do motorista bêbado no outro carro. Morte instantânea. Para ambos. Mas aquele desgraçado que vá para o inferno. Foi ele o bastardo que me fez estar aqui chorando, foi ele que me fez esse fantasma que anda e vagueia pela cidade sem nada para fazer além de deprimir os ambientes. As lágrimas não param de cair. Nunca param. Não até eu cair no sono. Coisa que acontece tão rápido que eu nem sinto acontecer. Durmo. Não preciso entender nada. Esquecer nada. Então, eu apenas sonho com você.

Rosas. Ainda lembro de como gosta delas. Eu sempre sonho com elas. Com você. Dou-lhe um buquê de rosas vermelhas. E de repente elas mudam de cor. Ficam negras. É quando acordo, olho para o lado e percebo que não existe vermelho. Apenas a escuridão nas rosas que te deixei.