sexta-feira, 29 de julho de 2011

"Adeus" - Lágrimas e corações partidos.

Há 3 semanas eu postei um texto. Ele era, basicamente, uma resposta pra um outro texto apresentado em um outro blog. Algumas das pessoas que estão lendo isso sabem de que blog e de que texto eu me refiro. Pois bem. Aquilo que eu escrevi foi apenas uma das versões que eu compus. Escrevi dois textos com a mesma finalidade e acho que seria interessante colocar a 2ª versão aqui. Afinal de contas, foi a primeira que eu escrevi e a que ficou mais sincera.

Para aqueles que não sabem, a primeira versão é essa aqui. Tanto o texto abaixo, quanto o anterior, são respostas para esse texto. O título é simples. Está escrito na imagem.


Pois mais que o tempo passe, é impossível esquecê-la. Ainda lembro do nome, da cor dos cabelos, da casa onde mora, da rua onde passa, do brilho dos olhos e de seu cheiro. Sempre lembrarei da sensação estranha que tive ao conhece-la. Da sensação maravilhosa de conversar com ela. De tudo. Era verão e nos vimos. Nos conhecíamos e não nos conhecíamos ao mesmo tempo. Foi legal. Foi divertido. Foi genial. Consegui contato e mantemos as conversas e a troca de informações. Era gritante a semelhança entre nós e brilhante a maneira que nos dávamos bem. Ela era brilhante por si própria e não demorou para eu cair em seu feitiço. Começamos a sair e percebi o que estava sentido. Todos os textos que eu escrevia tinha alguma denotação a ela, ao seu jeito, a maneira que eu a via. Comparações babacas da escuridão do meu coração estraçalhado no passado com a luz do que ela viria ser; da neve que me prende a um inverno mortal com um dia ensolarado que me traz alegria. 

Não era mais uma atração, apenas mais uma menina para os arquivos do coração, na seção "gamei, mas não tô tão afim". Seria mentira se eu dissesse que eu não havia me apaixonado. Por tudo nela, desde o sorriso até o frio na barriga que ela causava. Passei mal incontáveis vezes, de nervoso, simplesmente por estar ao seu lado e fazer alguma bobagem. Estragar tudo. Mas me mantive. Ela estava lá e eu não podia cair. Não demorou muito para que eu tivesse uma sensação repentina do que fazer. E fiz. Corri até sua casa, passando mal e com o coração na mão. Fiz a pergunta mais difícil da minha vida. "Quer namorar comigo?". Quando ela respondeu, meu coração resplandeceu de felicidade. O problema era que eu nunca havia beijado-a. Só na bochecha. Putz. Agora tem que ser a hora. Mas não foi. Era o frio na barriga agindo mais alto. A pressão de tudo na cabeça. A felicidade rumando nula a todos meus músculos. Não agi. Demorou quase uma semana para eu beijá-la e me lembro daquele dia como se fosse ontem. Não foi meu primeiro beijo, mas foi êxtase pulsando pelo corpo inteiro. Foi naquele momento que eu tive certeza do que eu sentia, e era amor. Depois eu tive que falar com o pai. Aquele dia foi complicado. Muito, na verdade. Quase cheguei a vomitar de tanto nervoso e precisei da mão da mãe e da irmã dela para me acalmar. 

E o tempo foi passando. Fui amando cada vez mais. Fui sentindo que finalmente havia encontrado alguém. E então, eu comecei a perceber. Ela sentia algo diferente. Não era o mesmo do começo de tudo. Pensei que era algo do momento, do dia. Mas não era. Tudo mudou depois disso. Eventualmente, discutimos sobre isso e o final não foi nada divertido. Como se terminar um relacionamento fosse. 21 de Maio de 2011. Não chovia. Ficamos horas sentados na sala. Eu já sabia o que ela iria me dizer. Mas ela não achava forças para tal. Tentei mudar seus pensamentos, mas falhei. O futuro já havia falado mais alto e tinha certeza do que aconteceria. Estava a ponto de chorar a qualquer momento. Então a mãe dela veio e desabei por completo. Era a hora da verdade e a verdade é que meu mundo caiu naquele momento. Saí de sua casa e fui para minha. Chorei. Primeira menina que eu realmente chorei. Na verdade, primeira menina que eu realmente sentia que iria dar certo quando eu cometi as loucuras no começo de tudo. "Vamos ser amigos". Já usaram isso antes. Dói. Fere. Queima. E ardeu ainda mais com ela proferindo tais palavras. Mas o tempo irá curar isso. "Tudo passa, tudo passará", não é mesmo? 

Pode ser que sim, mas foi difícil. Eu a amava e continuei amando por dias, semanas a fim. Todos me diziam para esquecer, para fazer outras coisas, viver a vida. Eu não conseguia. Eu não queria. 21 de Junho de 2011. Combinei com ela de lhe entregar um livro naquele exato dia. Um mês desde que nos separamos. Solstício de inverno. Data perfeita. Escrevi um texto e coloquei dentro da página 216, referência numerológica ao dia em questão. Fui até a casa dela. Lhe entreguei o livro. "Quer entrar?". Não. Se eu entrar eu vou lembrar de tudo, vou lembrar de você e vou chorar de novo. E não estou muito bem com tudo isso. "Não, vou só devolver o livro mesmo. E abra ele na página 216. Tchau". Eu não consegui ficar na casa dela por muito tempo. Quando me virei pelo portão afora, eu quase chorei. O texto escrito era meu ponto final. "Ainda te amo, mas isso está me matando. Não posso esperar se algum dia você vai querer voltar, como eu estava fazendo até hoje. Que o vento me carregue porque eu mesmo não consigo andar. Adeus.". Aguentei as lágrimas. Não era hora de cair em prantos. Fiz isso quando cheguei em casa. 


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Escuridão.


Pinte meu mundo de negro com tintas fosforescentes. Deixe ele negro e me cegue com o máximo de luz. Seja aquela pequena luz que eu quis encontrar enquanto estava no escuro. Pinte a porta vermelha que leva ao meu coração de preto, como carvão, e depois a arrombe com toda a força. Me cubra com um véu negro que me deixa cego. Retire todas as cores da minha vida e saia dela pela porta mais próxima. Deixe-me no vazio enquanto sofro as sequelas de um amor antigo. Mas pinte tudo de negro, assim como esse coração, que se funde a noite, de alguma maneira. Sim, cada detalhe deve ser negro. Tudo. Simplesmente para combinar com meu coração que bate como tijolo contra a calçada; que geme como um infeliz no meio da estrada; que vive como uma pedra escura no nada. Eu quero me ver pintado de negro, quero ver tudo com a mesma cor. Depois de pintar tudo, suma, desapareça da minha vida, só que continue aquela luz distante. Mas só por um tempo. Me deixe aqui, na escuridão, tentando decifrar as incógnitas, me enfrentando; enfrentando aquele amor tão pesado e mortal que me faz escorregar para o mais profundo vale da agonia. Preciso de tempo. E preciso de escuro. Pinte-me de preto, por favor. Espere o tempo necessário. Mas venha. Venha ao meu mundo negro e me traga as cores. Ilumine meu mundo e me dê cores. Me dê luz, carinho e paixão. Arrombe a porta negra do meu coração novamente e pinte-a de vermelho, como era antes. Entre no meu coração e o aqueça. Se feche dentro dele e nunca mais me deixe.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Escrever


Muitos pensam que escrever é uma coisa de outro mundo e que apenas gênios conseguem. Não é bem isso.

Escrever é passar a limpo emoções e sentimentos que ficam dentro de ti.
É transcrever pensamentos perdidos na tua mente.
Comentar assuntos polêmicos e apresentar sua opinião sobre o mundo.
É tentar se entender e, por um acaso, salvar a vida de alguém. Ou propriamente a tua.
É imaginar as coisas mais interessantes e passar essa imaginação adiante.
É conceber ideias do nada e mesmo assim pública-las.
É escrever uma palavra de cada vez e passar tudo o que escreveu para desconhecidos.
Porque escrever não é apenas um conjunto de palavras, frases, linhas e parágrafos.
É descobrir quem é você.
Uma palavra de cada vez.

Feliz dia do escritor para todos vocês que já deixaram e continuam deixando um fragmento de suas vidas pelo mundo.

sábado, 16 de julho de 2011

Diga a verdade, doa a quem doer.


- Você ainda vai morrer por causa disso. - ele não escondeu a verdade em suas palavras; falou sério e determinado, enquanto ela abaixava a cabeça e olhava para o piso frio. A frase pronunciada teve um efeito devastador em sua mente, tudo o que ele queria naquele exato momento. - Você está se torturando e está fugindo. Um dia você vai ser encontrada, e espero que não morra.
Ele estava mais do que certo a seu respeito. Havia analisado corretamente todas as ações e sentimentos dela como se fosse apenas um objeto a ser estudado, um livro a ser lido e interpretado. Mas ele tinha essa habilidade. Ele conseguia entender as pessoas como mais ninguém entenderia e, mesmo com o coração partido e os sentimentos transformados em pó, sempre acertava.
            - Eu sei... - disse a garota, cabisbaixa. As primeiras lágrimas começavam a derramar sobre seu rosto, maiores, mais pesadas do que quaisquer outras. Elas vinham numa quantidade absurda, inigualável a qualquer outra ocasião. Mas ele não se importou. Poderiam ser verdadeiras, porém ele não ligava. Sabia o que estava fazendo e sabia que ela iria chorar. Até agora, tudo ocorrera como ele previra.
            - Não parece que sabe. Se soubesse realmente, já tinha parado de fugir há muito tempo.
            - E como eu faço para parar isso? - gritou a coitada - Eu.. eu.. não sei o que fazer!
            - Eu não vim aqui para te dar um mapa ou detalhes do caminho que deve trilhar ou do que deve fazer. Eu sou apenas um mensageiro; um amigo que está dizendo nada mais do que a verdade. Entenda que eu nunca descobri quais eram os corredores pelas quais eu passava até chegar aos seus fins e perceber que eles eram os certos. Não faço a menor idéia do que VOCÊ precisa fazer ou precisa fazer acontecer. Nunca soube comigo. Jamais saberei para você.
            Ela o fitou com os olhos vermelhos, pulsando tristeza, melancolia, ódio e raiva diante daquelas palavras tão sábias e tão vazias. Ele se preocupara e viera em seu encontro. Mas o que adiantava ele estar ali, ao seu lado, lhe alertando de um futuro não muito distante, se ela não sabia o que fazer? Aparentemente, nem ele sabia. O que fazer agora? Continuar chorando? Ela sabia que isso não adiantaria em nada. Concentrou algumas energias na ponta de sua língua e disse a primeira coisa que veio a sua mente quando o viu chegando em sua casa e a chamou para conversar em particular há alguns minutos atrás:
 - O que você está fazendo aqui?
Ele não respondeu. Continuou dando as costas aquela mulher aos prantos, enquanto olhava atentamente para a rua. Nem ele sabia ao certo o porquê de estar ali. Era mais uma daquelas sensações que tivera em tantas ocasiões. Aquela sensação de "isso é o certo a se fazer agora, mesmo que me machuque no final". Ele conhecia muito bem a "sensação" e sabia o que ela significava. Era um sinal de que usava sua mente para pensar nos riscos, enquanto seu coração tomava as rédeas de seu corpo e o fazia agir, o fazia tremer e, principalmente, o fazia passar mal. Não fora sua mente que o levara até ali e explicar isso a aquela mulher lhe pareceu inconveniente. No que adiantaria, afinal, ele tentar lhe explicar sobre o coração se ela não conseguia conectar seus sentimentos com seu cérebro; não conseguia enviar uma mensagem, alta e clara, para seu próprio coração, dizendo que precisava seguir em frente e necessitava, de qualquer maneira, se livrar daquele amor tão letal que carregava como uma parte de si própria? O rapaz já sabia. Nada adiantaria ele falar sobre corações com ela. Ela só conseguiria entender que estava perdida. Apenas isso. A viagem fora um fracasso total e ele sabia disso. Por que viera então? Nem ele sabia mais responder essa pergunta, mas tentou, de alguma maneira, juntar os pensamentos e sussurrar algo:
            - Sabe, não faço a menor idéia do porquê eu vim aqui. Não era minha mente que ditava, era meu coração. Acho que disso você entende um pouco, não é mesmo? - ele fez uma pequena pausa e olhou para trás, para ela. Os olhos ainda o fitavam com aquela confusa fusão de sentimentos paradoxos e ele percebera que ser sarcástico ou engraçadinho agora era uma péssima escolha para a conversa. Virou novamente para a rua e continuou ditando as palavras que lhe vinham a mente - Acho que, no fundo, eu ainda me preocupava com você. No fundo, eu ainda queria te salvar, te fazer enxergar. Então, acabei vindo aqui para lhe dizer essas coisas. Ainda que, nesse mesmo fundo, eu saiba que não adiantará em nada, porque no momento que eu virar minhas costas para o portão de sua casa, você irá se trancar no seu quarto e chorar como nunca chorou. Vai chorar por saber que eu não disse nada mais do que a verdade e que, mesmo se cegando temporariamente, eu sabia de tudo que se passava dentro de você e que foram necessários apenas alguns instantes para juntar todas as peças do quebra-cabeça. Vai chorar porque sabe que seu coração está perdido no escuro e não sabe se existe alguma luz pelo caminho que segue, sem enxergar nada. Vai chorar porque ainda o ama e porque, aquele que você tentara amar, aquele com quem você desperdiçara energia tentando se recuperar do vazio deixado, é o único que te entende e o único que está, de alguma maneira, se preocupando com você. Mas poderá chorar o quanto quiser. Nunca vai chorar mais do que eu chorei.
Ela continuou fitando com atenção as costas daquele ser que um dia a amara com todas as energias que lhe eram disponíveis. Ela sabia que ele era uma boa pessoa. Um excelente rapaz que sempre a fazia dizer que ele merecia coisas boas, alguém melhor. Ele sempre respondia que não. Dizia que ela era o melhor que lhe poderia acontecer. Agora, esse mesmo rapaz que se preocupara tanto, estava a sua frente, lhe ditando palavras que não deixavam ela mais confusa. Apenas mais triste.
Se lembrava dos bons momentos que passara ao seu lado. Mas todas essas lembranças eram ofuscadas se fossem comparadas com as que ele tinha. Ele a amara de coração, enquanto ela pegava esse amor e usava como remédio para suas fundas feridas. Sentiu nojo dela mesma por um tempo e desejou morrer por instante, fechando os olhos com determinação para tentar ter seu desejo realizado. Abaixou a cabeça e só viu a escuridão de suas pálpebras fechadas. Ela percebeu algo encostando em seu ombro direito e rapidamente levantou sua cabeça e abriu os olhos. A mão direita do rapaz que ela tentara amar sem sucesso se unia ao seu ombro, que tremia. Ele se abaixou e ficou de joelhos, olhando para aquela expressão inerte de outros sentimentos além da culpa e da vontade de desaparecer de uma vez por todas.
            - Não. A morte não é uma solução, pelo menos não para os fortes. Apenas para os covardes. Fugir de seus sentimentos sem ao menos tentar confrontá-los com tudo o que tem é a pior coisa que pode fazer agora, e quero que entenda isso bem. Sua morte física não trará bem algum. Você morrerá um dia. Seu coração irá morrer, como um dia o meu pereceu. Não será eu que irá causar essa dor a você, mas você mesma, e é isso que venho tentado lhe alertar. Seu coração morrerá, simplesmente para lhe dar espaço e se libertar. O que você fará depois disso será de sua conveniência. Tentará amar de novo? Irá viver uma vida que esteve trancafiada por causa de um amor intenso e assassino? Eu não sei, querida. Quando meu coração morreu, eu fui junto. Desapareci. Simplesmente porque aquele ser que eu era não servia mais para ninguém. Eu era uma pessoa que queria ser amada de qualquer maneira, não importava se iria doer ou não. Mas agora eu não me importo. Descobri o que eu precisava fazer. E é isso que irá acontecer com você. Precisará colocar sua mente em ordem quando isso acontecer; precisará se recompor. Não sei como irá morrer, ou se somente seu coração irá falecer, mas precisa estar preparada para todas as oportunidades de crescer e se sentir livre. Siga seu coração, mas coloque um filtro nele, pelo amor de tudo que é sagrado.
Ela cessou as lágrimas por um instante e continuou imóvel, olhando para aquele que viria ser seu salvador. Ele não ligava mais para a dor causada. Ele não era mais ele. Era uma pessoa melhor do que antes. Teve um instintivo desejo de lhe beijar os lábios. Mas ela sabia que isso não era certo com ele. Poderia dar esperanças a aquele coração recém inaugurado depois de tantos ferimentos e cicatrizes curadas. Ela percebeu que ele havia entendido o que passava em sua cabeça e se levantou, tirando a mão de seus ombros. Se virou e seguiu em direção ao portão de saída da casa, tentando não olhar para trás e ver aquele rosto triste e belo mais uma vez.
            - Espero que minha caminhada até aqui não tenha sido em vão. O sol está tão forte aqui fora que seria possível fritar um ovo no meio da rua. - dali, o rapaz de novo coração parecia ainda mais belo do que em qualquer momento. A luz lhe batia no rosto e nos cabelos compridos, iluminando um semblante que não sentia lágrimas havia algum tempo. Um semblante que, como ela pôde perceber, estava sorrindo enquanto olhava atentamente para o sol, com sua mão direita sobrepondo seus olhos para diminuir o total de traços iluminados traçados nele. Se virou mais uma vez para a mulher que estava sentada em uma cadeira ornamentada que ficava na varanda da casa e de despediu. Fechou o portão e seguiu pela rua deserta, a não ser por ele mesmo.
Sabia que a viagem tinha dado certo de alguma maneira, mesmo que não para ela, mas para ele mesmo. Conseguiu colocar em ordem pensamentos um tanto já perdidos e se sentiu mais livre do que nas últimas vezes.  Lembrou-se dos bons momentos que passara com aquela garota; momentos que pareciam uma existência. "Uma existência...". Continuou andando e parou em uma esquina, enquanto olhava atentamente para o sol.
            - E agora, é só seguir adiante. Está um dia lindo. Mas amanhã será maravilhoso. Certeza.
Sua convicção era grandiosa naquelas palavras tão simples e jubilosas. Era novamente aquela "sensação" lhe cobrindo os sentidos. Sabia o que fazer agora. E tudo se resumia a seguir em frente. Metaforicamente. E literalmente. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Uma outra estação.




Era dezembro. Pleno verão. Tempo bom. E eu, vagando por aí com um coração quebrado. Estava cansado de ir atrás de alguém. Estava cansado de ser machucado ou ser usado. Havia me cansado de ser feito de idiota e desisti de procurar alguém. Eu estava melhor sozinho. Não teria que me preocupar com me magoar mais no final, apenas comigo. Era a melhor coisa que eu poderia fazer. Então, eu sai com meus amigos. Sabe aquela expressão que diz "quando você menos estiver procurando, você acha?". Bem, foi isso que aconteceu. Eu te achei. Ou você me achou.

Não importa. Nos encontramos no final daquele mês e sabia que algo tinha acontecido. Não sabia exatamente o que, então nem me preocupei. Não demorou muito para te achar na internet e a gente começar a conversar mais e mais. Era legal conversar com você, pelo menos alguém me entendia dentre todas essas pessoas que nos cercam. Até comecei a escrever novamente e te mandar os textos. Depois de um tempo eu comecei a sentir algo diferente. Relacionamento virtual? Nem tente cara, você já fez isso uma vez e não deu muito certo, se lembra? E assim eu continuei. Eu achava nos textos que eu escrevia um meio de conversar com você e uma maneira de esquecer e desabafar. Sempre nas entrelinhas. Me lembro de um dia em que você me perguntou se eu estava apaixonado, já que tudo o que eu escrevia era tão romântico. Não, eu não estava. Pelo menos, não naquele dia. Me perguntou de uma outra menina, se eu estava gostando dela. Sinceramente? Coração quebrado. Não sabia o que eu sentia. Foi um pouco depois dessa indagações que eu comecei a pensar. E percebi que estava gostando de você sem ao menos te ver há mais de dois meses. Loucura. E me mantive na loucura por mais um tempo, até que me surgiu a oportunidade para sairmos.

Acho que ninguém faz a menor idéia da felicidade que me veio naquele exato momento e nem das brigas que tive em casa, simplesmente para poder sair contigo. Mas consegui. E nunca vou esquecer daquela noite. Nosso primeiro encontro e eu passei mal. Só podia acontecer comigo. Saímos também no dia seguinte. E no fim de semana seguinte. Agora eu poderia responder suas perguntas. "Está apaixonado?". Sim. "Por ela?". Não. Por você. O problema de me estar apaixonando e tido meu coração quebrado mais de quatro vezes em menos de 3 anos não ajudou em nada. Na verdade, foi isso que sempre me fazia passar mal. Eu não queria estragar nada. Eu não queria adiantar nada, somente porque era você em questão e eu estava percebendo que não queria te perder de maneira alguma.

O tempo foi passando e tive várias oportunidades de te beijar. Mas todas as vezes que eu ia tentar, eu passava mal. Era aquele friozinho no estômago misturado com "será que isso é certo?". Devia ter feito isso antes, mas não fiz. Tive medo e travei em todos os momentos. Fiquei pensando em tudo isso e escrevi mais e mais. Os textos falavam sobre isso e te mandei. Dois dias depois eu estava na porta da sua casa te pedindo em namoro. Sem nunca ter te beijado. Putz. Fodeu. Tem que ser agora. Mas não foi. Nem no dia seguinte. Somente dias depois. Me arrependo de não ter feito isso antes. No momento que meus lábios encostaram nos seus, eu me perdi. Me perdi completamente em tentação e paixão por você. Ai veio a conversa com o pai. Outro dia complicado e outra vez que eu passava mal. Mas tudo bem, essas coisas passaram. Fui no shopping com sua família, visitei incontáveis vezes sua casa para assistirmos filmes. Chegou meu aniversário e fui na tua casa comemorar. "Fecha os olhos e abre a boca". Ahn.. tá bom. Brigadeiro. Quem iria imaginar. Depois daquele dia eu nunca fui o mesmo. A paixão, que é algo repentino e intenso, se transformou em outra coisa. Em amor. Esperava por aquelas terças que eu passava na sua casa, perdia a hora de ir embora e chegava atrasado nas aulas de teatro. Aguardava pelas quintas e sextas que eu iria te rever. Agradecia por todos os sábados que tínhamos e comemorava de poder te ver nos domingos. Sempre depois de sair da sua casa eu sentia uma vazio e esperava atentamente pelo próximo momento que passaríamos juntos. Como se todos os nossos encontros fossem vidas, existências, que agora jazem distantes do meu toque, trancafiadas na memória. Era legal te morder. Você reclamava e tentava me morder também. Nunca fiquei com as marcas. Você ficava puta de raiva por causa disso. Era legal, também, te fazer cosquinhas. De sua boca saiam risadas e pequenos gritos. "Gabriel...!", "Para!" E aí você tentava fazer o mesmo comigo. Tudo isso era divertido.

E dessa maneira nossas vidas foram passando, comigo ignorando o que não queria entender e/ou ver. Até o dia que eu percebi que havia algo diferente em você. Não sabia exatamente o que, mas eu tinha medo de ser a mesma coisa que já havia partido meu coração incontáveis vezes no passado. Será que ela está confusa e não sabe o que sente? Será que ela quer apenas amizade? Fiquei com essas perguntas na cabeça, mas eu não consegui conte-las por muito tempo e logo perguntei. "O que você sente por mim?". Você demorou para responder. Quando alguém demora para responder uma questão relacionada ao coração, ela já não tem mais certeza de nada. Já não sente o mesmo. É, já sabia o que iria acontecer. Marcamos uma conversa na sua casa. 21 de Maio de 2011. Eu me lembro do tempo lá fora. Estava ensolarado. Um pouco frio, mas maravilhoso. Dentro de sua casa eu até me perguntei: "como é possível o tempo, lá fora, ser tão lindo e o clima daqui ser tão.. nublado?" Ficamos no sofá. Conversando. Eu já sabia o que você diria. A única coisa que eu realmente estava concentrado era em como eu iria reagir. Me segurava para não chorar. "É só amizade mesmo." Palavras conseguem quebrar, mas clichês assim, usados mais de uma vez contra você, te esmagam, transformam todos seus sentimentos em pó. E mesmo assim eu ainda fui forte. Ai sua mãe chegou e eu caí em prantos. Eu estava enfrentando a verdade pela primeira vez. Eu estava cara-a-cara com a maior tristeza que poderia me assolar naquele momento. Chorei em sua casa. Chorei na minha. Chorei no dia seguinte.

Todos os dias eu olhava para aquele papel azul que ficava na minha estante e que era uma carta de um mês de namoro. Eu não conseguia mais olhar para ele. Toda a vez que eu tentava, principalmente naquelas primeiras semanas depois que rompemos, eu chorava. Mas o tempo passa não é? Eu sentia que meus sentimentos não diminuíam. Somente a dor variava, mas isso porque ela estava aumentando. Cada dia que passava. Cada segundo contado no relógio. Me enterrei em livros. Escrevi mais e mais. Nada saía do jeito que eu queria. Nada estava no jeito que eu imaginava. E sem perceber, estávamos mudando de estação. Eu com o frio e a dor estávamos completando um mês. Eu tinha um livro seu comigo. Li ele o mais rápido possível para te devolver no dia que eu queria. 21 de Junho de 2011. Solstício de inverno. Eu tinha escrito um texto e colocado na página 216 do livro. Nunca soube exatamente se o que eu fiz naquele dia foi certo para você. Mas foi certo para mim. Cheguei na porta da tua casa. Você me apareceu com um sorriso. "Oi! Quer entrar?". Não. Se eu entrar eu não vou aguentar e vou chorar e já basta você ter me visto chorar uma vez. "Não, eu já vou indo. Vou só devolver o livro. E abra ele na página 216. Tchau". Não sabia que você iria chorar depois daquilo. Não sabia que você iria me escrever um texto sobre nós. Não me leve a mal, mas eu precisava daquilo. "Os ventos mudaram de alguma forma." Sim, mudaram. Não estou mais com você e nem sinto mais o vento tocando minha alma. "Sinto em abandonar o passado." Você é meu passado e eu preferia continuar te amando, mas cada minuto que eu te amava era um minuto a menos na minha vida, simplesmente por uma causa perdida. "Vou para onde o vento me levar. Vou para onde meu coração mandar." O vento te trouxe até mim e meu coração me levou até você. E agora, seu coração me abandonava num lugar enquanto o vento me mandava para outro. Eu ainda te amava quando escrevi aquele texto e o deixei entre as páginas daquele livro. Tudo era uma mensagem bem clara. "É outra estação. Não posso ficar vivendo de coisas que só me corroem. Eu ainda te amo, mas acho que isso é meu adeus. Você deseja que sejamos amigos. Aceitei isso porque não queria te perder. Mas conversar com você nesse último mês sempre me matava. Mas não a partir de hoje. É inverno. E quero que entenda que vou te enterrar na neve, junto com as outras. Isso porque eu te amo e te amar só me causa dor. Que sejamos amigos." Depois que saí pelo portão de sua casa eu me virei umas três ou quatro vezes, até ver que você tinha fechado a porta. Eu esperei você fechá-la e chorei ali mesmo, na rua. Porém eu me aguentei e segui em frente. Morri quando cheguei em casa.

Fui cego. Eu quis ser cego. Éramos as pessoas certas no momento mais errado e certo possível. Errado para ficarmos juntos. Certo para entender quem éramos e quem somos. Você precisava de mim e eu precisava de você. Mas nunca daria certo. Teu coração nunca iria me pertencer e, agora, vejo isso claramente. Tentei me negar a verdade porque eu saberia que iria doer; saberia que no momento que eu enxergasse iria desistir; seria meu ponto final. Foi bom enquanto durou. Agora, é viver a vida da melhor maneira que podemos. Você, com sua paixão sem fronteiras ou limites. Eu, enterrando tudo e com minha eterna busca por felicidade. Não se preocupe. Agora eu entendo tudo. Eu vejo tudo. Eu te perdôo. E obrigado por tudo, de coração. Lembrarei de você para sempre. Como minha Clara. Como minha Cho. Como minha Gwenhwyfar. Como outra estação que se passou.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Por amor as causas perdidas.


Acordei. Está frio lá fora. Não quero me levantar.  Mas me levanto, mesmo sendo completamente contra a minha vontade. Paro um pouco e sento na cama. Olho para a estante em frente e vejo a vasta quantidade de livros e memórias guardadas em cada um deles. Na frente há uma carta. Uma mensagem de um mês de namoro. Quero ler ela novamente, mas não posso lê-la. Se ler, eu irei voltar a uma época em que eu era feliz; uma época em que eu tinha motivos de sobra para levantar da cama. Olho para o chão e sinto as primeiras lágrimas. Tento ser forte, mas elas são teimosas e saem da mesma maneira. Dentro de minutos, os olhos ficam vermelhos e irritados e estou caído no chão frio do quarto. Quantas lembranças me passam pela cabeça. O dia que nos encontramos sem querer. O dia que saímos e passei mal. O pedido de namoro. O primeiro beijo nosso. A conversa com o pai. As ânsias e o frio na barriga, que sempre me acompanhava. Minhas primeiras lágrimas perto de você. A primeira vez que te disse "eu te amo". Memórias que me deixam vazio. Lembranças que matam o pouco que sobrou dentro de mim. Fui abandonado pelo acaso. Não consigo me levantar. Pelo menos por um tempo. Fico estatelado no piso, ali, lembrando e sofrendo. Quem me dera isso tivesse acontecido apenas uma vez. Sofri no dia que nos separamos. Morri do dia seguinte. Ninguém entende. Ninguém consegue me ajudar. Quanto tempo já passou? Dias ou semanas? Acho que meses. E, da mesma maneira, sofro como se tudo tivesse acontecido ontem. Continuo lembrando. Seu sorriso. Sua risada. Com toda a certeza, a sua risada era o que eu mais gostava nos nossos momentos, lá, sozinhos, longe do mundo e da realidade. O cheiro me intoxica e seu olhar penetra fundo na minha alma. Quanto tempo durou? Parece que foi uma vida inteira. Uma existência que valia a pena. Não há motivos para levantar da cama. E de qualquer maneira, eu tenho que me erguer. Eu deixo o quarto, na penumbra das luzes apagadas. Sinto as lágrimas escorrerem mais uma vez quando vou apagar a luz. Não consigo te abandonar. Mesmo que seja apenas sua essência num pedaço de papel rabiscado a caneta. Me custa esquecer e me separar. Não aceito a realidade e me jogo novamente ao chão. Ninguém me socorre. Ela não vem em minha direção. Me levanto com dificuldade e me mantenho em pé mais uma vez, tremendo. Você não vem. Você não vai voltar. E isso me custa muito para acreditar. Ainda sinto o coração batendo, mas ele está dilacerado. Como consigo continuar vivo? Ando e olho para o calendário. Inverno. Qual é a diferença se faz frio ou não? De qualquer maneira estarei tremendo, sem energias ou idéias. A barba a fazer, o cabelo crescendo sem ser cuidado, dias com a mesma roupa. Estagnação? Sim. Eu parei. Eu não funciono e caio mais uma vez. Dessa vez não me levanto. Choro até que tudo se acabe. Choro até que eu não te ame. Choro pela eternidade.

sábado, 2 de julho de 2011

Para Sempre.


Ela brilha. Ilumina tudo e todos. É resplandescente. Alegra uma vida, uma existência. Não é linda, mas é mais bela que tudo; mais fantástica do que o céu noturno, cheio de estrelas; mais maravilhosa do que qualquer outra garota. Ela brilha, e brilha por ele.

Ele escurece. Apaga tudo e nocauteia o brilho da esperança. Vive pelo ódio e possui um coração dilacerado. Se esconde dos holofotes que tentam lhe trazer a realidade e a luz; foge com medo do que pode ver; desaparece com horror do que pode sentir. Ele foge e mente, e faz tudo isso por ela.

Ela corre pelo campos. É simbolo da natureza e do amor. Ele corre por becos sem saídas. É símbolo da veracidade do mundo e do rancor. Ela o ama, mesmo na obscuridade do universo. Deixaria a luz de lado para lhe fazer companhia. Ele se odeia por amá-la e por fazer o sentimento ser correspondido. Deixaria as trevas, mas tem muito medo.

Ela ama como nunca amou. Ele foge com fôlegos que nunca sonhou. Eles se amam, mas estão tão distantes. Tão distantes quanto o que representam.

Eles vivem e continuam vivendo. Um sendo atraído pelo outro. Nunca estarão juntos. Mas morrerão juntos. Não existe luz sem trevas e vice-versa. Ela não existe sem ele e vice-versa. Estarão separados pelo tudo, mas serão mais unidos do que todos. E para sempre.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Memórias de Outono.


Poderia ser um dia qualquer, mas era um dia de outono. Na verdade, ainda é um dia de outono. O tempo lá fora é cinza, nublado e realmente triste. Um dia que não há sol, só chuva, que cai de tempos em tempos. Além disso, você está sozinho, mesmo na companhia de dezenas, centenas ou milhares de pessoas ao seu redor. Se sente abandonado e confuso, como se estivesse perdido no labirinto; o próprio labirinto de sua mente, que prossegue quieta e alerta seu coração para algo que traga insegurança. Você prossegue em seus pensamentos, que oprimem seu coração ferido e fica trancado em casa, no escuro, digitando num teclado negro como a noite, tendo como base de iluminação somente a luz do monitor ou da luz do rádio que fica logo perto de você. E assim o dia passa. Um dia solitário, talvez o pior dia de sua vida, mas você tem certeza que será um bom dia, mas sem saber o porquê. Na verdade, acha que está sendo o melhor dia de todos. Está triste, escuta músicas tristes, gosta de se sentir triste. Acho que isso te dá alguma inspiração para as tantas palavras que vem a digitar em seu computador. E vai seguindo seu dia. Pensando em você. Pensando nela.

Ah, ela. Ela te torna especial não é? Sei que torna. Te faz feliz, te faz passar mal, te faz o cara o mais sortudo do mundo, mesmo não a tendo agora, em seus braços. "Wish You Were Here" toca tristemente no fundo do cenário, da sala completamente escura, enquanto pensa em como você a quer tanto. "Ela também me quer, eu sei disso". Sim, ela gosta de você, ou então não teria desperdiçado horas de sua vida saindo com você. Você a ama. Mas tem medo. Ela te adora. Mas tem medo. Ambos tem insegurança.

Você quer segurá-la em seus braços, a abraçar e suspirar as primeiras palavras que lhe vierem em mente, sejam as 3 palavras que formam um clichê usado por todos ou as únicas palavras que poderiam derreter o coração dela. Quer seguir adiante com ela, ser feliz e, mesmo sendo contra posse, dizer que ela é sua e se orgulhar disso. Ela ri nas horas mais inacreditáveis. Na verdade, ela ri das coisas que normalmente você não riria. Ela sorri quando pensa em algo bobo e começa a gargalhar. Ela é linda e faz seu coração bater para fora de seu peito. Ela é sarcástica e te entende. Ouve Beatles e Legião Urbana e não tem medo de ser quem é. Dizem que não é perfeita, mas você acha que ela é muito mais que perfeita.

É, está apaixonado. E somando isso com a tristeza do dia lá fora; com a escuridão de seu abrigo; com a melancolia das suas músicas, o dia se torna perfeito. Só falta ela para que esse dia de outono seja, exatamente, o mais triste e apaixonante da estação, do ano, se sua vida. Só falta ela....