quarta-feira, 27 de julho de 2011

Escuridão.


Pinte meu mundo de negro com tintas fosforescentes. Deixe ele negro e me cegue com o máximo de luz. Seja aquela pequena luz que eu quis encontrar enquanto estava no escuro. Pinte a porta vermelha que leva ao meu coração de preto, como carvão, e depois a arrombe com toda a força. Me cubra com um véu negro que me deixa cego. Retire todas as cores da minha vida e saia dela pela porta mais próxima. Deixe-me no vazio enquanto sofro as sequelas de um amor antigo. Mas pinte tudo de negro, assim como esse coração, que se funde a noite, de alguma maneira. Sim, cada detalhe deve ser negro. Tudo. Simplesmente para combinar com meu coração que bate como tijolo contra a calçada; que geme como um infeliz no meio da estrada; que vive como uma pedra escura no nada. Eu quero me ver pintado de negro, quero ver tudo com a mesma cor. Depois de pintar tudo, suma, desapareça da minha vida, só que continue aquela luz distante. Mas só por um tempo. Me deixe aqui, na escuridão, tentando decifrar as incógnitas, me enfrentando; enfrentando aquele amor tão pesado e mortal que me faz escorregar para o mais profundo vale da agonia. Preciso de tempo. E preciso de escuro. Pinte-me de preto, por favor. Espere o tempo necessário. Mas venha. Venha ao meu mundo negro e me traga as cores. Ilumine meu mundo e me dê cores. Me dê luz, carinho e paixão. Arrombe a porta negra do meu coração novamente e pinte-a de vermelho, como era antes. Entre no meu coração e o aqueça. Se feche dentro dele e nunca mais me deixe.

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