sexta-feira, 1 de julho de 2011

Memórias de Outono.


Poderia ser um dia qualquer, mas era um dia de outono. Na verdade, ainda é um dia de outono. O tempo lá fora é cinza, nublado e realmente triste. Um dia que não há sol, só chuva, que cai de tempos em tempos. Além disso, você está sozinho, mesmo na companhia de dezenas, centenas ou milhares de pessoas ao seu redor. Se sente abandonado e confuso, como se estivesse perdido no labirinto; o próprio labirinto de sua mente, que prossegue quieta e alerta seu coração para algo que traga insegurança. Você prossegue em seus pensamentos, que oprimem seu coração ferido e fica trancado em casa, no escuro, digitando num teclado negro como a noite, tendo como base de iluminação somente a luz do monitor ou da luz do rádio que fica logo perto de você. E assim o dia passa. Um dia solitário, talvez o pior dia de sua vida, mas você tem certeza que será um bom dia, mas sem saber o porquê. Na verdade, acha que está sendo o melhor dia de todos. Está triste, escuta músicas tristes, gosta de se sentir triste. Acho que isso te dá alguma inspiração para as tantas palavras que vem a digitar em seu computador. E vai seguindo seu dia. Pensando em você. Pensando nela.

Ah, ela. Ela te torna especial não é? Sei que torna. Te faz feliz, te faz passar mal, te faz o cara o mais sortudo do mundo, mesmo não a tendo agora, em seus braços. "Wish You Were Here" toca tristemente no fundo do cenário, da sala completamente escura, enquanto pensa em como você a quer tanto. "Ela também me quer, eu sei disso". Sim, ela gosta de você, ou então não teria desperdiçado horas de sua vida saindo com você. Você a ama. Mas tem medo. Ela te adora. Mas tem medo. Ambos tem insegurança.

Você quer segurá-la em seus braços, a abraçar e suspirar as primeiras palavras que lhe vierem em mente, sejam as 3 palavras que formam um clichê usado por todos ou as únicas palavras que poderiam derreter o coração dela. Quer seguir adiante com ela, ser feliz e, mesmo sendo contra posse, dizer que ela é sua e se orgulhar disso. Ela ri nas horas mais inacreditáveis. Na verdade, ela ri das coisas que normalmente você não riria. Ela sorri quando pensa em algo bobo e começa a gargalhar. Ela é linda e faz seu coração bater para fora de seu peito. Ela é sarcástica e te entende. Ouve Beatles e Legião Urbana e não tem medo de ser quem é. Dizem que não é perfeita, mas você acha que ela é muito mais que perfeita.

É, está apaixonado. E somando isso com a tristeza do dia lá fora; com a escuridão de seu abrigo; com a melancolia das suas músicas, o dia se torna perfeito. Só falta ela para que esse dia de outono seja, exatamente, o mais triste e apaixonante da estação, do ano, se sua vida. Só falta ela....

Um comentário:

  1. Gabriel, um dos seus textos mais lindos... Sério mesmo. Você sabe que eu sou sua fã!

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