quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Divagação

[E por algum motivo, repeti o mesmo hábito que mantenho há meses, quase anos. Na verdade, o motivo é simples: virou hábito. Como doença, os sintomas aparecem e me atacam todos os dias. Lembrar das coisas não me parece mais algo a fazer antes de dormir ou ao escolher uma opção que vai mudar minha vida. É comum me entregar aos braços das memórias turvas que assombram e alegram meu passado. E se tornou tão vital quanto respirar. Engulo as lembranças que atingem minha mente e revejo as fotografias que meu coração tirou naqueles momentos mais fortes e emocionantes. Eu respiro a essência do passado como se fosse oxigênio e tento encontrar motivos e razões que me levaram à aqueles acontecimentos.

Tudo acontece tão rápido na minha mente que nem percebo que já estou lá, longe da realidade. Entretanto, não me preocupo com isso. Revivo memórias e imagino futuros com frequência. Tudo isso na minha cabeça. Raramente passo a limpo. Minto e digo que é preguiça. Não. É medo. Medo de estragar essas fantasias tão reais que habitam dentro do meu ser. Sejam as já salvas, aquelas de tempos passados, já guardadas em retratos; ou as em formação, na qual ergo dúvidas e armo impossibilidades. 

Mas as vezes eu uso as palavras e crio um muro com elas. Um muro que ninguém vê porque eu não deixo. Penso que as pessoas não entenderiam. E a maioria realmente não iria entender. Como uma amiga minha disse hoje: "Você é muito complicado". Por que facilitar se podemos, simplesmente, complicá-las? E nisso tudo, eu acabo voltando para aquilo que me atormenta; volto a ser trancado em caminhos estreitos, feitos de paredes ornamentadas com letras, sons, e imagens; continuo vagando por caminhos, sem saídas, pintados de preto, branco, cinza e sépia. Um lugar meu, complicado ao meu jeito e impossível para o restante. Além do mais, meus arquivos mentais são extensos....]

Lembranças. Nossa vida é feita delas. Estão lá por algum motivo. Seja para não cometermos erros do passado ou, talvez, para trazer sorrisos ao recordar um piada que nos foi dita. Afinal, nada dura para sempre, e fotografias sempre são necessárias. Sejam as escritas, as verdadeiras ou as que guardamos em nossos corações.


Olhar para o passado é como olhar pelo retrovisor de um carro. É importante, mas nosso rumo está a nossa frente, não atrás e apenas olhamos para saber se estamos, realmente, fazendo tudo certo. E depois de olhar para ele, segure as mãos firmemente no volante, breque, acelere, faça o que vier a mente. A viagem é sua.


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