quinta-feira, 4 de agosto de 2011

E eu não quero que o mundo me veja.


Sabe quando você acorda e pensa “preciso fazer tal coisa”? Isso me aconteceu hoje. Eu acordei e quis ouvir uma música. Apenas uma. Uma música que poderia garantir paz imediata de espírito e, quem sabe, me dar alguma pista do que eu venho procurando. A música é bela e romântica, mas eu não estou ligando para as frases que, geralmente, são enviadas ou escritas por namorados pelo mundo afora. Eu não quero mensagens de amor. Eu quero mensagens que me digam a verdade.

“E eu não quero que o mundo me veja, porque eu não acho que eles me entenderiam”. Estou enterrado de notícias, textos, palavras sem sentidos, frases nulas, parágrafos incompletos e músicas que já não possuem sentido. Tudo em mente. Tudo numa lembrança vaga do que me parece ser outra vida ou outro eu. O que aconteceu nesses últimos dias? É uma pergunta, e boas perguntas possuem boas respostas, ou não possuem nada. Não tenho resposta. Toda a vez que penso eu navego por um mar já navegado, entretanto só vejo névoa me cercando. Eu não sinto o horizonte. Não vejo o céu. Apenas névoa. Tudo coberto de gelo, neve e ventos frios. Ninguém me entenderia agora. Eu mesmo não me entendo. Onde foram parar todas as esperanças e desejos que eu tinha? Em algum lugar. Mas onde? Não sei. Sinto minha mente trabalhando, porém não ouço meu coração batendo. Consegue entender? Eu não. Eu não quero entender.

 “Quando tudo é feito para ser quebrado”. Pô, com isso eu concordo. Nada dura para sempre. Tua vida acaba. As comidas tem prazo de validade e os eletrônicos só duram um momento de sua existência passageira. Avistamos o amor e, antes que percebamos, ele já se foi com a correnteza, com a maré. Tudo se quebra, tudo se divide, todos se separam, todos morrem. Qual é a nossa função então? Viver a jornada, simplesmente para desaparecer no final. O problema é o que usamos de combustível para viver essas jornada. Muitos usam o trabalho, outros usam os amigos e alguns usam os sonhos, maiores do que tudo e todos. Existem aqueles que vivem por vingança, simples conseqüência de um ódio mascarado com bons semblantes ou uma raiva com cara de bom samaritano.

E existe um outro tipo, que vivem no extremo na vida, sempre sendo machucados e vivendo apenas um momento  de suas vidas com felicidade que ultrapassa a de todos. Essas pessoas são as mais difíceis de se conviver e as que mais amam. Elas vivem em função do coração. Eu, infelizmente, descobri que sou uma delas. Ou era. Até um, dois meses atrás eu sempre corria atrás de alguém que pudesse me amar. Corria atrás de pessoas que poderiam gostar de mim sem fazer esforços. Vive pelo meu coração e nunca por mim mesmo. E agora, com o coração estilhaçado, não há nada para seguir. Eu já não o sinto batendo, pulsando vida. Está quebrado e buscando um meio de se reestruturar. Esses últimos meses que se passaram foram extremamente complicados. Não me admira dele estar em péssimas condições agora. Porém, o que sobra a uma pessoa que vive com o coração e somente com ele quando este é quebrado ou morto? Nada. Agora acho que consigam me entender.

“Eu só quero saber quem eu sou”. Quer frase que se encaixe melhor agora? Chegou o momento de tentar saber mais sobre mim mesmo. Gostar de mim. Me amar. Só ai meu coração poderá ganhar forças e resistir mais tempo. Enquanto isso, eu ficarei no vazio de um inverno quente e sem precedentes, que não tem hora certa de parar, nem hora certa de amenizar. Eu vivo sem viver. Me perguntando o que estou fazendo aqui. Me questionando no que eu quero e por quais motivos. Indagando mim mesmo sobre tudo que se passou, sobre todos que passaram e que não irão voltar. Fui sempre abandonado nas horas que eu mais precisei. Obrigado por me ajudarem e me entender.

“E você sangra somente para saber que está vivo”. Acho que não preciso de tanto. Minhas memórias servem de mapa para entender que estou vivo. Eu só quero me entender. Saber quem eu sou. E essa resposta está na ponta da língua, ou dos dedos. Só preciso de tempo para me encontrar, deixar meu coração se curando e lutar por mim mesmo. Com toda a certeza, eu ainda irei continuar vivendo com meu coração. Mas eu não quero mais inutilidades. Não aceitarei o que me imporem. O vazio por gerado por tudo isso. E, pensando bem, acho que entendi. Eu era uma pessoa confiável, que fazia tudo pelos outros sem esperar retorno. Que doava amor simplesmente para se sentir bem consigo mesma. Que buscava a felicidade no contentamento dos outros. Que sempre estava lá para o que der e vier. Que sempre era abandonada quando mais precisava de todos.

Eu era um imbecil. Um lunático apaixonado que caiu feio e morreu. Foi enterrado nas sombras do passado e nesse inverno que o reina. O coração dele fora assassinado a sangue frio, repetidas vezes, e sua mente sofreu uma overdose de pensamentos que nunca eram 100% formados. O lunático morreu. Quem vive agora é apenas um fantasma do passado que tenta encaixar todos os pedaços de sua alma negra como carvão. Eu sou apenas esse fantasma, que não escreve mais para botar algo para fora ou por simples prazer, mas sim para entender o que está acontecendo nele mesmo. Separando idéias. Tremendo no frio. Ouvindo músicas que só agora possuem sentido. Vivendo para encontrar um rumo. Dormindo para sonhar novamente. Digitando por ele mesmo e não pelos outros. Quem dá as cartas é um outro ser, irreconhecível por todos e até mesmo pelo seu fantasma. Ele é vazio, oco e vive no nada. As horas passam e ele não sente fome, sede ou vontade de se afastar de tudo. Vive apenas para se recompor. E tudo o cansa. Ela o cansa. Vocês o cansam. Ele está cansado de se sentir cansado. E agora ele se esconde do mundo. Eu me escondo do mundo.  O mundo não me entenderia. Mesmo se tentasse. Eu não me entendo.

Para quem ficou interessado na música, ela se chama "Iris"

2 comentários:

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  2. Lindo e profundo. Obra de um grande escritor! Parabéns. (:

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