domingo, 21 de agosto de 2011

Em cinza


Em cinza eu me visto, em cinza o céu desfila. Frio, nublado, dia calmo de inverno enlouquecido. Mando sms e digito nesse frio. Minha respiração cria uma fumaça branca. Como eu amo frio e chuva. E acordar não me parece ser mais um tarefa árdua. Já aguento não olhar para aquele papel azul, já aguento aceitar as verdades. Mesmo com tempo feio, eu me sinto feliz. Em cinza eu digito as palavras pelo celular e em cinza eu escrevo esse texto. A música toca, o cheiro de comida flutua da cozinha. Essa calça velha de moletom cinza me deixa quente. As letras cinzas que vibram meu celular me aquecem. Porque mesmo sem sol, os dias se tornaram quentes. As tristezas que eram pintadas em preto ou em branco se equilibraram. Cinza. Bem claro. Como a camiseta que visto. As horas passaram enquanto eu lia na cama. As horas passam enquanto escrevo. E quero que as horas passem para eu logo te ver. Porque mesmo sem sol e com chuva, o cinza me alegra. Eu estou iluminado. Sinto que o mundo é meu. E por coincidência, posto isso num lugar cinza. Você, que me responde em letras cinzas, é o meu cinza, meu equilíbrio e minha jubilação, e você me ilumina mais que o branco. Deixe suas tristezas no cinzeiro, querida, me acompanhe pelo pôr-do-sol, sem sol, cinza. Sem planos. Apenas sentindo o frio dessa tarde cinza.

2 comentários:

  1. Cinza, cinza, caraca me contagiou,rs. Sabe, eu imaginei, vc, de manhã, acabando de acordar e vê o tempo "cinza" e escrevendo isso, sentindo o cheiro da cozinha, como dizes, porque acordou tarde e nem quer saber. Só escreve e sente saudades. Lindo *-*

    ResponderExcluir
  2. Os dias cinzentos fazem todos os pequenos detalhes da vida gritarem...

    ResponderExcluir