domingo, 30 de outubro de 2011

Love in the Afternoon


Outubro de 2011. Faz um ano, sabe. Um ano desde que eu me transformei. Um ano desde que eu percebi quem eu realmente queria ser. Um ano desde que eu me apaixonei.

É tão estranho voltar a pensar nisso. Pensar que um momento, uma pessoa e uma chuva poderiam mudar tantas coisas numa vida. E pensar que tudo isso aconteceu e é por isso que eu lembro. Porque a chuva foi forte.

Em março de 2010, eu me apaixonei. Talvez eu possa colocar o que aconteceu dessa maneira. Me apaixonei. Mas devem saber como é. Relacionamento virtual. Por um momento eu não sabia no que eu estava me metendo. Sinceramente. Mas foi ótimo. Me senti vivo. "Conheci" novas pessoas, todas do círculo de amizade dessa garota que meu coração escolheu para amar. Só que as circunstâncias favoreceram o rompimento de nós dois, selando tudo o que um dia fora bom com um beijo.

E quem iria dizer que eu estava bem? Ninguém. Porque eu saí magoado desse "relacionamento". Alguém poderia dizer que eu iria parar um dia de lutar contra o que fora escrito no meu livreto? Não. Mas tudo tem um ponto final, e aprendi isso com essa garota.

Em setembro desse mesmo ano, eu estava fazendo um trabalho perto da casa dela. Lógico, ela morava na mesma cidade (ainda mora) e é algumas semanas mais nova que eu. Nos entendiamos bem e eu sabia onde ela morava, porque nosso único encontro fora naquela calçada em frente sua moradia. A professora havia perguntado em que lugar meu grupo gostaria de fazer o trabalho. Por que não perto da casa dela? O que eu tenho a perder?

Pois é. Eu tinha tudo a perder. Mas o que realmente aconteceu foi algo frio e uma lição que eu precisava. E bastante. Apertei a campainha. A vi. Sem sorrisos. Por que haveria sorrisos, não é mesmo? Simples. Frio. Um ponto final nisso tudo.

O tempo caminhou. Em outubro, eu estava no grupo de teatro e conheci uma garota. Especial, sabe? Afinal, todas as pessoas que conhecemos e que nos conquistam são especiais. Como essa. Era mais nova, mas possuía algo a mais, algo que eu havia perdido. Se chama literatura. 

Por ela eu comecei a ouvir Pink Floyd. Comecei a procurar livros como um condenado. E creio que poucos sabiam disso. Na mesma época eu voltei a ouvir uma banda chamada Avenged Sevenfold, muito importante pro contexto.

Virei traça de livros e comecei a pegar todos aqueles que eu queria. Somente para entendê-la. E em uma das aulas de teatro, caiu um temporal desanimador. Saímos correndo do teatro e fomos direto para a parte coberta da garagem da escola. Ela não teve medo da chuva. Foi nesse momento que eu pude dizer com todas as palavras que eu havia me apaixonado por ela. Algo forte. Algo que me dava ânsia, calafrios e mal-estar. 

Enrolei, mas chamei ela para sair. Fui esperto e chamei para sair como amigos, mas ela entendeu o que eu queria. Inexperiente, sabe? Deve ter vivido grande parte de sua vida nos livros, desejando alguém melhor e no final das contas quem ela conseguiu foi um moleque desajeitado, sem mira, alto e magro. Não deu certo. Mas foi fundamental. Tudo foi fundamental.

Estava ouvindo uma música do A7X, "Gunslinger", só que eu não fazia a menor ideia do que o título significava, então fui procurar no nosso amigo Google. Encontrei, na verdade, um livro com esse nome. O primeiro de uma série chamada "A Torre Negra". E eu estava emocionado por voltar ao mundo dos livros depois de anos desde que eu havia lido o último volume da saga Harry Potter, e isso ainda em 2007, quando foi lançado.

Mesmo com o coração destroçado, fui atrás da série. A achei. Comprei o primeiro volume e o li. Uns dias depois eu sai com uns amigos e por alguma força eu quis voltar na livraria e apenas olhar o restante da série que tinha lá. 

Lá eu me deparei com uma menina um pouco mais nova que eu. Fez teatro comigo. Era amiga daquela que eu me apaixonei. Estava lá comprando material escolar. Conversamos e descobri que ela tinha a série inteira. Coincidência? Talvez não. Talvez sim. Para ela, deve ter sido. 

Comecei a conversar com ela por meses. Em março de 2011 eu sabia que estava gostando sério dela e queria algo a mais. Saímos várias vezes. Passei mal em metade dessas vezes e nunca consegui beijar ela. Então, como corajoso homem que eu sou, menti ao sair da escola e fui até sua casa. Para fazer o que? Pedir ela namoro. Pelos deuses! Loucura né? E se eu te disser que nem ai eu beijei ela? Ai fica tenso. Mas não demorou muito. Ela aceitou o pedido e uns dias depois eu tive a coragem. 

Conheci sua família e comecei a viver dentro daquela casa. Eram momentos felizes, porém havia um porém. Um estava amando. Outro, estava perdido. Fazia um pouco mais de 6 meses desde que ela havia se encontrado com um homem mais velho. Pelo o que eu sei foi paixão, e ela ainda o amava. Ainda o ama. É claro, é lógico. Só ler seus textos.

Fiquei destruído. Tudo o que eu fazia me lembrava dela. Voltei a ouvir Legião por causa dela. Escrevia muitas coisas para ela. Que porra. E ali eu estava. Fodido, com o coração esmagado e sem pontos finais.

Já fiz dois textos sobre isso, e ambos estão aqui no blog, mas vamos realçar mais um pouco. Em junho eu entreguei um livro dela que estava comigo. Terceiro volume d'A Torre Negra. Dentro do livro, eu coloquei uma carta com um pequeno poema. O resultado disso foi um texto gigantesco que ela me mandou naquele mesmo dia. Chorei. De verdade. Dias depois ela fez um blog e colocou como primeiro texto esse que ela tinha feito especialmente para mim. Sempre quando eu escrevia, trancava aquilo tudo que pertencia ao meu coração. Tudo a sete chaves. E quando vi aquele texto lá, eu certamente senti as piores das sensações. O pessoal lia e se encontrava naquilo. Não sei como dizer isso de verdade, mas acho que fiquei com uma mistura de inveja com ódio. Talvez por isso que eu tenha voltado a trabalhar no blog. Talvez por isso eu tenha mudado tantas coisas aqui no meu cantinho. Talvez seja a palavra errada. Certeza que sim. 

Com o segundo texto dela eu consegui meu ponto final. Ficava claro que ela ainda amava aquele homem, e depois de minutos lendo aquilo tudo eu consegui me contentar com o que era verdade e com o que era bom para mim.

Em julho de 2011 eu estava dando grande parte do meu tempo para esse cantinho que eu dei o nome de Labirinto Silencioso. Fiz propaganda como ela fez. Até pelo msn. E uma menina se mostrou interessada. Já havia mostrado textos meus para ela, e ela gostava, tanto que me pediu para mostrar mais quando eu escrevesse mais. Fiz isso, e comecei a conversar bastante com ela. E apareceu outra menina. Bem mais nova. Sei lá quantas centenas de quilômetros de distância daqui. Conversei bastante com essas duas. Ambas foram importantes. Me tiraram da escuridão e me deram alegria. Tenho que agradecer elas. Deram rumo a minha vida. Uma me deu sonhos. Outra me deu esperança. Ambas sorriram em minha vida. Virei grande amigo da distante. Me apaixonei pela próxima. E quem garante que fracassos são para a vida inteira? Ela também se apaixonou por mim. E conheci ela através daquele meu romance no começo de 2010. Interessante como as coisas funcionam. Fui o mesmo covarde com extrema vergonha no começo. Meio difícil de fazer alguma coisa. Mas deve ser parte do meu charme ser complicado. A parte boa é que as coisas quando são recíprocas são ótimas. Alegres. Felizes. Não é mesmo?

E para falar a verdade, me sinto bem escrevendo tudo isso. Tirei um peso das minhas costas, porque amar foi complicado e ainda é, mas podemos tornar tudo isso mais simples, como esse texto que resumiu mais de um ano da minha vida. E posso dizer que 2011 está sendo o melhor ano da minha vida. Me apaixonei pela garota errada. E gostei. Tive meu coração quebrado. E chorei. Encontrei luz e lua. E amei. Escrevi. E odiei e amei. E agora, por ouvir uma simples música, eu consegui as forças de colocar tudo isso pra fora. E isso me fez pensar numa coisa.

Que a vida é um trocadilho de bom gosto. E que eu me sinto bem com isso. De verdade.

3 comentários:

  1. Comovente, assim como todos os seus textos... (:

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