sábado, 31 de dezembro de 2011

Mortem

Esse texto era para ter uma outra configuração. Uma completa e diferente configuração. Escrevi ele três vezes me baseando nela e nada. Quando saía algo, o texto ficava cansativo, ficava exaustivo, não parecia algo que eu realmente gostaria de ter escrito. Essa é a quarta tentativa. Acho que dessa vez vai funcionar.

 

O problema aqui é 2011. Esse ano foi um dos melhores da minha vida. Se, é claro, não foi o melhor. O que acredito que foi. Quantos sofrimento eu não passei, ou quantas coisas inacreditáveis não aconteceram? Quantas pessoas que eu nem havia imaginado que seriam importantes na minha vida surgiram e me fizeram pensar o que eu sofreria se perdesse uma delas? Foram muitos, vários, várias, muitas, além da conta. Então eu havia pensando "vou fazer um texto agradecendo e pedindo desculpa a essas pessoas importantes." A questão é que eu não consegui. Todas as vezes que eu começava a escrever, eu me perdia. Eu não encontrava as palavras certas e ia me perdendo cada vez mais em pensamentos e nas palavras. Lembrar me pareceu mais importante do que escrever, do que delatar, do que, simplesmente, agradecer ou arrepender. E sinto que algo era necessário para eu conseguir fazer isso. Alguma mudança. Algum novo foco de vida. 

E eu consegui. Esse foco de vida é a morte. Não pretendo matar vocês, fiquem tranquilos. Só pretendo me matar. Morte é recomeço, são novas oportunidades. Já está mais do que na hora de enterrar algumas coisas naquele passado que eu não quero mexer. Naquele pedaço da alma obscuro e que nunca deveria ser aberto. A verdade é que eu simplesmente cansei de ser tratado como capacho. Como mais uma pessoa, como mais um homem sem sentimentos. Sempre penso mais em vocês, ou em qualquer outra pessoa antes de pensar em mim, e por isso eu só faço essas merdas comigo mesmo. Eu me machuco. Firo-me cada vez mais profundamente e intensamente em vez de viver a vida da maneira que eu sempre quis, que é sempre me dedicando aos meus sentimentos, espalhando o que sinto, o que penso, o que sou para os outros. Eu tenho essa tendência de ajudar mais as almas perdidas ou necessitadas do que me ajudar. Do que tentar entender o que se passa nessa cabeça, nesse coração, nessa alma, nesse espírito. Então, morte.

Morte tem outros significados além de morte carnal. O que eu quero fazer é apenas mudar. Mudar quem eu sou? Não. A maneira que eu ajo em relação as coisas importantes? Definitivamente. Sentar, calcular e esperar alguma coisa acontecer foi sempre o que eu fiz, mas chega uma hora que entendemos, que a ficha caí, e que vemos que isso não ajuda a viver da maneira que havíamos decidido quando nascemos. E eu só quero mudar isso. Eu quero agir, eu quero fazer, eu quero lutar, eu quero me abrir. Só isso.

Sempre serei aquele cara extremamente sentimental. Aquele que chora com filmes românticos, em dramas e até em comédias (mas ai é de tanto rir). Aquele que chora lendo livros e com acontecimentos marcantes. Sempre serei aquele besta que gosta de Legião Urbana, Metallica e Dream Theater. Sempre serei o mesmo. A questão aqui é viver com meus próprios padrões. Arriscar mais. Viver o presente.

E vendo agora, eu saí completamente do assunto inicial que era me desculpar e agradecer algumas pessoas. Ou pelo menos, foi isso que você pensou. A verdade aqui é que tudo isso que se passou pela minha cabeça nesses últimos dias foi gerado por todas essas pessoas. Por amores. Por amigos. Por familiares e casos complexos demais. Então, chegamos a parte principal.

Larissa e Vanessa. As duas tornaram meu mundo de ponta-cabeça. Espero que vocês já tenham essa noção. Agradeço as duas por terem ficado ao meu lado por um tempo. Sinto muito por tudo aquilo que fiz e que deixei de fazer (cada uma entenderá sobre o que estou falando) e agradeço por me ensinarem algo que ficaria na minha cabeça por um tempo. Que é lutar pelo o que eu queria. Arriscar de vez em quando. Agradecido, até demais.

Marcus, Matheus, Gabriel, Roberto, Gláucia, Beatriz. O que vocês me ensinaram? Tudo. Eu sofri com vocês, senti a dor de cada um e vocês tiveram paciência em analisar a minha dor e dar uma resposta de valor. Alguns são como pedras, não sentem nada, mas alegram. Outros sofreram por amor e conseguem me entender de alguma maneira. Outros estão caminhando por caminhos não trilhados e finalmente entendem as coisas que venho dizendo há anos. Outros simplesmente batem e xingam. Ou compartilham textos, não é mesmo? Eu agradeço todos vocês por serem meus amigos, sentindo por todos não somente aquela intensidade aparente, mas sentindo aquilo que me faz pensar o que seria da minha vida sem vocês.

Dominique. Eu tenho que pedir desculpas demais. E mesmo pedindo desculpas, não sei o que acontecerá. Não sei, talvez nunca saberei. Mas eu lhe agradeço. De coração. Tu fora a luz que me alegrou enquanto eu estava no escuro, e Zeus sabe o quanto eu precisava dessa luz. Vai dar tudo certo? Toda a vez eu penso nisso, eu penso uma coisa diferente. O que eu posso responder agora é simples: veremos. Creio que ainda temos coisas a serem feitas.

Obrigado também aqueles que leram os textos, que comentaram e que seguiram o blog. Vocês não tem noção de como eu me sinto bem quando vejo alguém achando "genial" algum dos textos ou quando vejo algum comentário novo ou quando alguém mais entra para a lista de perdidos dentro desse labirinto.

Esqueci de alguém? Lógico que sim. São muitas pessoas para lembrar, muitas para pedir perdão ou simplesmente agradecer por estarem lá para garantir um sorriso, nem que seja uma vez. Não irei começar com nomes. Vou sempre esquecer de algum. E eu não quero esquecer de ninguém. Eu só quero agradecer por terem trilhado, nem que seja um enésimo do caminho, junto comigo. 

Obrigado por tudo. Perdoem-me todos. A morte é agora. 2011 morre hoje e um novo ano toma forma. Padrões antigos mudam. Tomam nova forma igualmente. Será que vamos conseguir vencer? Vamos. Se nos mantermos unidos, vamos todos conseguir vencer. 

Bom ano para vocês. Vamos enfrentar os perigos juntos. Vamos acabar com a Hidra. Vamos ganhar a guerra. Vamos ouvir a glória, os hinos, a emoção. Que 2012 seja de amor, de paixão, de amizade, de compaixão, de dedicação e de mudanças. E mesmo que algumas coisas não sejam boas, talvez tudo resulte em algo maravilhoso no final. Então, vamos desejar por uma coisa.



Que 2012 seja do caralho.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011, Pt. 4/4

Outubro. Novembro. Dezembro. Confusão. Abandono. Verdades.

Onde eu guardo meu coração nesse tempos
Tão tristes, cinzas, claros e escuros?
Por onde andou todas as emoções e certezas?
Que tempo eu poderia dar para tudo dar certo?
Quanto tempo, na verdade.
Porque tudo é uma questão de tempo
Uma questão de costume absurda e arbitrária.
Julgue o que julgar, mas nunca engane o coração com mentiras
Sejam elas novas, velhas ou apenas ilusões
Contemplações antigas e confusas de sentimentos não sentidos
De batimentos pulados e pensamentos deletados.
Onde tudo não é verdade, apenas incertezas vivem sob as luzes
E a verdade é que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.
É sempre uma razão ilógica e impessoal
Uma motivação desvairante pelo vento.
Chega de incertezas, vamos dar o tempo.
Longe, longe, aqui do lado. Bem longe de seu lado.
O que deveria sentir agora além de mais nada
Além de conforto e de certeza?
Dúvidas cercavam todas as partes e resistiam cruelmente.
Simplicidade era o que havia a ser conquistado.
Felicidade era o que havia de ser sentido.
Lágrimas são derramadas e ambos choram em meio o campo de almas vazias.
A questão é sempre o que fazer depois de cair.
Mas quem caiu mais fundo?

O que era bem simples no começo, aparentou completamente complicado no seu fim. Dezembro foi um mês de mudanças, de assassinatos brutais aos sentimentos alheios e de verdades esclarecidas depois que todas as luzes foram apagadas. A verdade é que sentir felicidade não parece ser algo realmente distante; ela está aqui e agora. As lágrimas caíram, mas fizeram isso para melhorar, para tirar um peso negativo da alma, das almas. E aqui está o fim. Fim do fim do começo. Vejamos o que acontece a seguir.

Livros: série A Torre Negra (Stephen King); série O Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams); Um Dia (David Nicholls); Marina (Carlos Ruiz Zafón).

Filmes: Um Dia; X-Men First Class; Thor.

Músicas: Legião Urbana (discografia); Dream Theater (discografia); Metallica (discografia); O Teatro Mágico (discografia); Slipknot (All Hope is Gone).


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A resposta (repost)


Sou a sombra
A sombra de sua estadia
As trevas de sua existência.

Sou o raio que intesifica sua queda
O relâmpago que te deixa apavorado
O trovão que tenta te acertar.

Sou o motorista na estrada que vaga
O capitão do navio que navega
O carrasco das suas injustiças.

Sou metal quente
Derreto e te machuco
Congelo e te esmago.

Sou luz que te cega
Te nego a verdade
Te abraço com ignorância.

Sou tudo e todos
Sou a luz e as trevas
O começo e o fim.

Sabe quem eu sou?
Sou o temido e idolatrado,
Curioso fato marcado;

O fim da luz que te guia
Pois no final, não há luz
Apenas o medo,
O fim da jornada,
A resposta.

(postado originalmente dia 26 de Fevereiro de 2011 às 15:28)

Comentário do autor: um dos poucos textos que eu demorei mais de um dia para escrever. Lembro de ter começado a escrever a primeira estrofe e ter travado, sem saber do que exatamente eu ia tratar nas palavras escritas. Estava cansado de fazer apenas coisas de melancolia, de amor e de paixão e fazer algo sombrio me pareceu uma grande ideia. Umas duas semanas eu voltei e continuei os versos. Eu gostei dessas comparações entre os dois lados das coisas e chegando no último verso eu decidi sobre o que seria. Lógico, cada pessoa que lê tem a interpretação que quer e esse é o belo da literatura. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vício



Ah, como você me vicia.

Parece cocaína para meu cérebro.
Nicotina para meus pulmões.
Uma dose de heróina para meus ossos e para meu coração.

Deus sabe que você é péssima para mim, mas não aguento outro minuto longe de você
Pode me arruinar.
Confundir meus sentidos.
Distorcer minha visão.
Me matar.
Não importa. Eu tenho que te usar.
Você me faz bem.
Me faz sentir vivo, com uma alma.

Ah, sua droga.
Você me viciou sua maldita.
Todos sabem disso.
Está estampado na minha cara e nos meus olhos.

Tratamento não irá adiantar.
Mudarão minha mente e não meu coração.
E meu coração está viciado em você.

domingo, 25 de dezembro de 2011

2011, Pt. 3/4

Julho. Agosto. Setembro. Dor. Melancolia. Luz. Falsa luz. 
                 
Onde todo o sofrimento se beirava, toda a luz cegava e nada entrava.
Todo o caminho de toda a fonte fica nublado e uma forte luz apareceu.
Toda distante, apaixonante e sincera.
Luz de vela, luz de lanterna, luz de Sol.
Raio de Sol.
O pêndulo anda, corre e circula, o tempo anda
A verdade desanda, nova luz aparece.
Luz cega, luz artificial, luz?
Quais das duas luzes?
Iguais, semelhantes, parecidas, estranhas, diferentes.
A mais próxima é a real, é a luz que mais ilumina. 
Incerteza irreal. Choro virtual. Distanciamento emocional.
Onde estavam as verdades e certezas?
Foram elas engolidas pelas mentira do caminho?
Foram elas nada além de falsas promessas vagas?
Onde está o carinho e a solidão e o amor e o desprezo e a dor e o desejo?
Faça de uma luz um novo Sol, uma estrela, algo que ilumine.
Aproveite a luz e dê sempre seus bom dias. 
Aparecidamente aparecido com força dominante e cerrada. 
Cega-me com sua luz ou com incertezas?
Que certeza eu teria se nada é certo?
Caminhamos pelo cinza rumo ao caminho mais nublado.

Encoberto pelo desejo a mente vagueia.
Felicidade encontrada, mas artificialmente programada.
Que sorrisos belos e falsos encontramos.
Que quartos apagados tentamos resolver com um pouco de luz não sincera?
Sinceridade, verdade, amor, mentira, tempo.
Quem navega em barcos separados desconhece o desejo
A vontade singela e triste de um coração ferido.
Os dias trouxeram angústia, veracidades e sentimentos
As vezes belos, as vezes amargos e outras vezes sem sabor.
As luzes, todas, eram falsas, imorais, mentirosas.
Que certeza existia além da certeza que havia incerteza?

Apenas tempo confirma. Apenas tempo é o que temos.


Livros: A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro (Stephen King); Tudo o que é sólido pode derreter (Rafael Gomes); O Herói Perdido (Rick Riordan); O Jogo do Anjo (Carlos Ruiz Zafón); Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas (Raphael Draccon).

Filme: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2.

Músicas: Placebo (Battle for the Sun); Dream Theater (discografia, como sempre); Avenged Sevenfold (Nightmare e Avenged Sevenfold --álbum branco--).


Aviso: nessa última semana de 2011, haverá mais 4 textos: um poema, um repost, um texto/desabafo e a última parte do especial de 2011. Mas eu vou alterar as datas de postagem. Enquanto segunda e terça continuam as mesmas, vou alterar a data do especial de 2011 e do novo texto. 2011 Pt. 4/4 vai ser publicado entre quinta e sexta e o novo texto só sairá dia 31 de Dezembro. Vocês irão me entender. =)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Perigo


Arriscar a vida com coisas pequenas? Eu não aceito isso muito bem, e alguns até sabem como é que é. Melhor perder uma oportunidade e ficar martelando sobre as possibilidades da mesma do que fazer ela realmente dar certo. Acabei de ir na banca de jornal. Não tinha o que eu queria, mas tinha o que eu queria. A menina que estava lá, que estava trabalhando lá, era o que eu queria, e me veio uma passagem única de emoção e desespero quando as palavras "Você", "Sair" e "Algum dia" vieram na minha cabeça. É estranho demais acreditar que por um instante, durante todo aquele estado confortável de inércia, eu nunca fiz nada regado a vontade e ao que eu realmente queria fazer. Fiz isso apenas algumas vezes, coisa que dá para contar com apenas uma mão, para falar a verdade, e foram as coisas mais emocionantes da minha vida, não por causa da adrenalina, mas porque eram coisas ou algo que eu queria. Então, por que ainda estou martelando contra as possibilidades de descer a rua novamente, dizer que eu dei uma imbecil lá em baixo e convidá-la para sair? Só de escrever essas palavras meu coração já bate como um milhão e meio de outros corações juntos. Mas e se for mais uma oportunidade perdida? Vamos deixar ao acaso, ao destino, ao modo aleatório? E ainda mais, por que eu estou escrevendo isso se na verdade eu poderia estar chamando ela para sair nesse exato momento? Por que.... ah, a vida é curta demais para se pensar nessas coisas. Descer parece cansativo e tudo mais também, mas por que não tentar? Vamos lá. 

....

Então, a vida é assim mesmo. Chamei ela para sair. Disse que era estranho. A gente não se conhece e tal e ela disse que precisava pensar. Falei que ia dar uma volta, e depois eu retornava. No final das contas, eu levei um fora. Pensando assim, o que eu aprendi hoje ao olhar para uma garota, ver que ela tem algo de especial e tentar as chances? Tudo. Eu me arrisquei. Arrisquei novamente o coração. Eu me arrisquei (tenho que repetir isso várias vezes porque é a verdade, e eu agradeço). Eu vivi. Eu fiz besteira. Eu levei um fora! E ainda rio disso como se não fosse nada. Ou como se fosse a coisa mais engraçada que eu já vi acontecer na minha vida. E tecnicamente, não foi. 

Foi a melhor.

....

Ai alguns podem me perguntar "mas vocês nem sabiam os nomes um do outro e você, ainda assim, a chama para sair?". Sim, eu tenho parafusos soltos, mas pare para pensar (frase legal essa, "pare para pensar"), onde vou conhecer pessoas e sair com elas? Na rua, no mercado aqui perto. Facebook e outras tecnologias estão ai para ajudar, não para construir uma ponte gigante de uma alma para a outra. E arriscar me pareceu uma boa ideia. Sei que no fundo ela queria sair comigo. Até dava risada enquanto eu falava com ela. Mas o medo do desconhecido é maior. Irônico em alguma maneira? Não.

"É a vida."

Comentário do autor: desabafo e texto ao mesmo tempo. Conseguem distinguir o que é verdade e o que é mentira, ficção?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sonambulismo (repost)


Hey, HEY YOU! Está acordado!? Acho que está, mas ainda está sonhando. Deve ser algo bom já que não consegue nem prestar atenção no que estou te dizendo. Mas mesmo assim, eu irei te contar algo muito interessante. Se quiser continuar dormindo, tudo bem; se quiser continuar no sonho, tudo bem. Um dia você irá entender.

É o seguinte, meu caro: acho que você anda dormindo demais. Na verdade, não acho nada. Tenho certeza. Tanto que aquela moça, qual é o nome dela mesmo? ...Lembrei! Molly! Ela te ligou, sabia? Deve fazer umas duas horas. E também veio aqui ontem, mas acho que você nem reparou. Se quiser saber minha opinião, acho que ela é uma boa garota, devia dar atenção a ela, quem sabe retornar a ligação. Mas acho que isso não vai rolar, né? Você está ai, dormindo.

Mas sabe cara? A vida tá andando que nem louca lá fora. Acho que você devia acordar, tá perdendo muita coisa. O tempo está passando e você está ficando para trás. Ou você para de sonhar e viver um mundo inexistente nessa sua cabecinha, ou sua vida vai virar um pesadelo da qual você nunca vai acordar...

Acho que você não conseguiu me entender, não é? Vamos falar sério agora.

Você é um idiota. Fica dormindo para as coisas da vida e faz aquilo que acha benéfico para você na hora e no lugar que estiver. É capaz de sair com alguém e no meio do encontro ver outra menina e tentar suas chances com a segunda enquanto sai com a primeira. Ou sair com uma menina, brigar com ela, ir para outra e para outra, como se fossem brinquedos e você uma criança: quando cansa de um, ou não entende como funciona, logo desiste e joga fora, indo brincar com outro e quando se cansa desse novo, volta para o antigo.

No mesmo jeito, você ignora o que os outros pensam sobre você. Sei que você tem que ser quem você quiser, mas sinceramente, tá na hora de acordar; tá na hora de perceber que o mundo não gira ao seu redor e que todas as pessoas tem sentimentos. Você faz idiotices e nem liga para elas. Você faz as pessoas de idiotas e nem se preocupa em consertar isso. Eu acordei e não suporto olhar para você aí, largado a deriva do vento que vier ou em busca da luz que brilhar mais forte.

O problema mesmo é que eu não posso te acordar. Terá que fazer isso sozinho e com sua própria força de vontade. Sem uso de despertadores. Você terá que entender que está na hora de parar de sonhar quando ela chegar. E quando ela chegar, entenderá o que eu quis dizer. É uma pena eu não poder te ajudar cara. Eu mesmo fico com raiva disso. Mas vou estar ai caso precise. Então, quando acordar, me avisa.

AH, antes que eu esqueça. Quando acordar, não esqueça de ligar pra Molly e pedir desculpas pela demora. Acho que ela gosta de você.


(postado originalmente dia 27 de Março de 2011 às 11:11)

Comentário do autor: quando eu leio esse texto eu lembro de duas pessoas. Uma menina e um menino. Lembro que essa menina tinha me falado algo sobre esse menino que eu não havia gostado, e que é exatamente esse desligamento da realidade e do sentimento alheio, tratando as meninas como se fossem lixo ou algum brinquedo que pode ser pego a qualquer instante. Realmente penso o que eu escrevi e até que ficou bom. Dá para perceber bem a crítica. Em referência ao nome do texto, "Sonambulismo" foi o que mais me atraiu. A pessoa está se movimentando, está fazendo coisas no mundo real, mas parece que vive no próprio mundo dos sonhos dela. Me pergunto, algumas vezes, se algum dia esse menino leu o texto. Provavelmente não. E outro comentário interessante: o primeiro nome desse texto era "Hey You", tanto que comecei o texto com essa frase. Pink Floyd a parte, o outro título era melhor. E foi o que ganhou.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

I Me Mine

Observação: não me levem a mal. Esse texto foi uma brincadeira que eu fiz nem lembro para quem. Não sou orgulhoso e nem fico me achando. Mas foi legal fazer.

Não sou do tipo mais procurado
Alguém com quem você pode ter se relacionado.

Sou louco. Um pouco cinico
E se permite dizer, muito dramático.

Nunca teria a coragem de dizer que você é linda no primeiro encontro
Ou de que você faz meu coração bater mais rápido.

Nunca sairia com alguém que eu não goste ou que me irrite:
não preciso aturar pessoas que não me impressionam.

Tenho alguns parafusos soltos e uns neurônios a menos
Mas tudo bem, acho que penso mais que o restante.

Nunca te trocaria por outra
Ou ficaria parado enquanto chora.

Posso não ser o mais bonito
Mas sou o mais capaz de te fazer feliz.

Não serei sua primeira escolha,
Ainda mais que eu não sou seu tipo.

Isso porque eu não sou um tipo
Sou excêntrico do meu jeito e se não gostar
Procure outro em outro lugar.

Comentário: essa composição foi minha primeira tentativa de fazer um texto que sugerisse o que eu sou para as outras pessoas, tanto que eu o fiz em março e vários outros textos do tipo já vieram e foram deletados ou postados. Mudei o fim para ficar mais aceitável e menos palhaço, mas se quiserem eu posso colocar o fim original. Escolher a foto também foi complicado. Então, deixei sem foto. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

2011, Pt. 2/4

Abril. Maio. Junho. Me apaixonei. Amei. Sofri. Morri. 

Dá para resumir o 2° trimestre de 2011 dessa maneira. Tentar voltar àquelas memórias e sensações me parece algo complicado, agora. Ainda vou lembrar da garota da livraria dizendo sim. Da gente se beijando no shopping. De receber meus presentes de aniversário. E de eu dizendo que eu não gostava muito de morangos enquanto ela dizia que iria me obrigar a comer o bolo dela, que teria morangos. Tudo parecia que iria durar. O para sempre e para toda a eternidade tem um sentido claro de acabar cedo. 

Sofri demais entre Maio e Junho. Retomei minhas leituras. Assisti os filmes que haviam passado na TV enquanto eu não estava em casa. Nunca dei de fato aquele tempo para eu organizar meus pensamentos e viver do jeito que eu queria. Todo aquele precioso tempo foi feito para esquecer. E, afinal de contas, esquecer o que? Já imortalizei tantos textos que já perdi o básico da noção de memória. Cada palavra digitada era apenas um meio de tentar extravasar toda a dor e todo o nada que existia. E no final das contas, que dor sobraria além da dor que eu não sou feliz comigo mesmo? 

Junho ainda teve um ponto final. Ou o ponto de partida. Se um texto codifica, poetisa e argumenta tudo o que aconteceu e que deixou de acontecer, é aquele que estava na página 216. Solstício de inverno. Quais das cartas, das palavras escritas por ambos teve mais impacto? Não sei dizer. Talvez publicar algo que fosse pessoal fosse a gota que qualquer um gostaria para ver o copo transbordar. 

Retomei as passagens e caminhos desse labirinto. Postei novas fotos, novos sons. Invadindo o labirinto, eu libertei coisas que, antes, estavam trancadas a sete chaves. Eu morri para entender que na verdade apenas uma parte de mim havia morrido. E isso morto era aquela paixão súbita pelo o que, um dia, significou muito. 

E por que não virar meu mundo ao contrário? De ponta-cabeça? Julho estava ali por perto e o labirinto se complicou mais uma vez.

Entre os livros que marcaram essa época, eu preciso ressaltar: A Zona Morta (Stephen King); A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas (Stephen King); Eu sou o Mensageiro (Markus Zusak); A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón).

Filmes? Quais marcaram? Across the Universe; O Paciente Inglês; Lembranças.

E entre as músicas, recomendar bandas. Engenheiros do Hawaii (Acústico e Novos Horizontes); Legião Urbana (discografia).

Por que eu não coloquei fotos ou vídeos? Bem, eram muitas coisas. Se eu colocasse fotos e vídeos para tudo, o post ficaria gigantesco e perderia o sentido original.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Indubitavelmente



A: Querida, para onde vamos hoje a noite?  As cidades estão espalhadas de venenos mortais, gases de perdição, palavras sem coração. Cheias de verdades e mentiras. As pessoas vestem máscaras e não podemos enxergar além da face. E que faces verdadeiras essas meias-verdades poderiam nos dizer? Será que na verdade eu não visto uma máscara todos os dias quando te vejo e a derrubo, a vaporizo, quando nos separamos pela manhã? Onde está o que é certo e errado nas cidades? Onde as assombrações e as mentiras não podem ser vistas? Onde só me resta a liberdade de saber que nem tudo é realmente uma grande farsa? Não é apenas uma peça ou um jogo? Vamos tirar as máscaras, querida. Veja meu ser. Veja pelo reflexo e entenda o que eu desejo e sonho. Vamos fugir. Dane-se a cidade. Vamos lá. Tire sua máscara, o que me diz? 
B: Eu não me apaixonei pela sua máscara, seu imbecil. Eu consigo ver além dela. E eu já não uso a minha faz tempo.
A: E eu também. Mas não a use mais. A quebre. Jogue no rio. Deixe nos trilhos do trem ou jogue aos ventos do norte. Tire-a de sua vida.
B: Mas, por que eu deveria? Minha máscara é minha proteção. E eu quero me sentir segura. Mesmo não a usando.
A: Não precisa usá-la. Nesse baile de máscaras fúteis, apenas uma se mostrou verdadeira. Uma máscara que protege e não mente. Quando vi aquela mulher eu sabia que eu iria sonhar com ela todas as noites e dias até o fim da minha vida. E talvez o fim esteja longe, mas agora, estamos tão perto. O que eu quero de verdade é jogar fora sua máscara, querida. Quero te levar para fora das mentiras, das omissões. Não precisa mais de máscaras. 
B: Não? 
A: Não. Já vivemos sem elas. Por que precisaria?
B: Eu... Não sei.
A: Fiquei assim também, mas a joguei na lareira e a vi arder em brasas. Não preciso de mais proteções. E nem você. Eu te amo. E ninguém tem a noção do quanto esse sentimento é imensurável. Vamos, jogue-a fora. 
B: Como pode ter tanta certeza?
A: Porque eu nunca senti isso antes. Éramos meias-verdades. E nos completamos. Você não se sente bem com tudo isso? Com nós?
B: Lógico que sim, seu tonto. Eu te amo também. E eu a nunca tinha tirado para ninguém antes.
A: Meias-verdades unidas. Nós formamos uma verdade, um sentimento único e real. Vamos. Jogue fora. Seja minha para sempre. Se case comigo. Tenha filhos comigo. Não preciso de mais ninguém se eu te tenho ao meu lado.
B: Para sempre?
A: Para sempre e para toda a eternidade. Você é a minha verdade absoluta e sem dúvidas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Really? (repost)


A: O mundo é uma hipocrisia! Onde quer que você olhe irá ver mensagens de amor falsas, músicas mentirosas escritas somente para alcançar sucesso, filmes de sétima categoria que mostram que qualquer um pode amar! Maior hipocrisia conhecida: nós mesmos!
B: Não concordo muito contigo.
A: E por quê? Você sabe que eu estou certo e ponto.
B: Não. Você está generalizando. Há canções belas escritas por uma alma perdida que quer encontrar sua cara metade. Há roteiros e livros escritos de tal maneira que o amor seja tema principal porque, convenhamos, o amor é a maior incógnita em nossas vidas. Vamos amar? Seremos amados? Não há como sabermos quem irá conquistar nosso coração ou quando e muito menos saberemos quem irá quebrá-lo ou dá-lo aos braços de um fogo que o fará queimar até sangrar. O que a sociedade apresenta não é hipocrisia. É sonho. Desejo. Ou você também não quer alguém? Se quer alguém hipócrita, procure algum político. Não um escritor. Não um compositor. Não uma pessoa que consegue amar.
A: Você só diz tais coisas por causa daquela vadiazinha que vem saindo..
B: Não preciso pagar para conquistar uma mulher. Não sou um hipócrita que só sabe reclamar e que sempre prefere pagar um custo monetário do que apostar seu coração num jogo assassino. Hipócritas são assim mesmo: enxergam o que acontece e sabe o que querem, mas são covardes demais para lutar por algo que possa machucar. E por isso mesmo que não preciso de vadias, seja lá como prefere chamar. E de qualquer maneira, elas também são pessoas. Não é porque te satisfazem que não possuam alma e coração. Além disso, não sou hipócrita de dizer as coisas apenas por um momento. Sei quem sou. Sei o que quero defender.  E sabe o que é?
A: O que?
B: O amor. Algo que a mentira e pessoas falsas não conseguem enxergar.


(postado originalmente dia 11 de Junho de 2011, às 19:44)

Comentário do autor: esse é um daqueles textos que eu olho, leio novamente e penso "Nossa, eu que escrevi isso?". O interessante é que eu queria fazer algo engraçado, somente para variar. Ia ter uma tirada mesmo, só que acabei indo para um caminho mais sério. Bem mais sério. O resultado foi esse. Uma tirada social e uma mensagem de amor ao mesmo tempo. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Entre linhas


Me falaram que estou apaixonado.
Disse que não.
Mentira

Me falaram que estou insano.
Disse que são eles que estão.
Mesmo sabendo que sou eu

Me disseram que estou sofrendo.
Falei que não sou eles.
Eu sofro mais
Que estou feliz
Outra mentira
Que estou alegre
Como posso estar alegre...

Me perguntaram o que me fez mudar tanto
Disse que não sabia
Foi você

Me disseram tchau.
Eu também
Foi de coração
Te disse oi
Você me disse adeus
Que coração?


Texto antigo em layout novo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

2011, Pt. 1/4

Comecei o ano em vermelho. Paixão, amor, eu queria essas coisas do fundo do meu coração. Olhava para o céu, me alegrava em ver os fogos de artifício que meu tio e meus primos soltavam. Ouvia Dream Theater pelo fones de ouvido e pedia por um bom ano. 

Janeiro é sempre férias. Pus minha leitura em dia e comecei a conversar com uma garota pela internet. Tínhamos nos encontrado semanas antes na livraria. O mês foi passando bem assim, com um pouco de sossego, livros novos na estante e na cabeceira, jogos para jogar e novas e antigas músicas para escutar. Comecei a escrever de verdade nesse mês. Fosse por necessidade ou não, os textos vieram e ficaram. Mostrei-os a quem eu achava que deveria mostrar. Tranquei em sete chaves.

Entre janeiro e fevereiro eu tive uma crise. Não queria mais saber de internet. Resolvi ficar longe e tentar me entender. E foi daí que surgiu o Labirinto Silencioso. De uma crise. Irônico, não é mesmo? Aproveitei que eu já tinha textos salvos e resolvi postá-los, me abrir para o mundo. E tentar entender o que se passava dentro de mim. 

Os meses foram passando. Fui escrevendo cada vez mais e mais e mantive conversas maiores com a garota da livraria. Esse três meses foram ótimos em certa parte. Acabei achando o que eu queria achar. Vi as pessoas que eu queria ver. Falei com quem eu quis falar. De Janeiro a Março as coisas mudaram. Para melhor. Comecei a me encontrar com a garota da livraria. Meus textos ganhavam força, expressão. Eu estava amadurecendo e me deixando levar pelas coisas que aconteciam ao meu redor. 

O primeiro trimestre do ano foi ótimo. De verdade. Os buracos só começaram no segundo.

PS: isso aqui seria apenas um texto. Mas por que não fazer algo a mais? Aqui estão as músicas que marcaram, os livros que eu mais gostei de ler e o filme que mais me emocionaram nesses meses.


Wish You Were Here - Pink Floyd


Across the Universe - The Beatles


A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três - Stephen King


Percy Jackson & Os Olimpianos - O Último Olimpiano - Rick Riordan


(500) Dias com Ela


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Jornada


É constante. Tudo é constante. Nossa vida é constante. Segue um padrão. Nascemos, vivemos e morremos. Constante direção de eventos. Então para que seguimos? Por que nos mantemos vivos? Já temos a resposta do final de tudo, e ela se chama morte. Mas não é a morte que nos atraí. É o que nos leva até ela. É a jornada e as trilhas que pisamos antes de respirar pela última vez. É simplesmente entender que existem mais coisas além da vida e do fim da própria. Navegamos sem rumo, perdidos, sempre seguindo a luz no fim do túnel, que na verdade não passa de um trem desgovernado que carrega as almas daqueles que já atingiram sua hora. Prosseguimos por caminhos cobertos de mistérios e segredos e é isso que nos chama tão ardentemente para caminhar por vales desconhecidos e nos apaixonarmos por totais estranhos que vemos na rua.

O mistério nos atrai. O anormal é interessante, instigante. A curiosidade nos faz viver, mas ela também nos dá nosso atestado de óbito. Isso deveria ser mais do que gratificante. 


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Aviso ao leitores



Estive pensando sobre o blog ultimamente. Sobre quais textos eu postaria e quando. E acabei chegando numa conclusão, que está logo abaixo. 

Irei postar em todas as semanas de dezembro. Vou me organizar aqui e fazer um esquema de postagens. Será algo mais ou menos assim: 

Segundas: postagens de poesias e poemas. Faz tempo que eu não faço nada desse tipo e muito mais tempo que eu não coloco aqui. Vou retomar isso porque foi aonde eu comecei e foi aonde o blog começou.
Terças: repostagens. O que seria isso? Bem, vou pegar os textos antigos e editar, colocando fotos e talvez alterando o título de alguns. Com isso, eu vou mudar as datas originais para ficarem logo na primeira página.
Quartas: textos novos. Desabafos ou textos normais (como o da Janine, se estão lembrados) serão publicados toda a quarta e pretendo manter isso não somente para dezembro.
Quintas: sem postagens. Dia de sossego para mim e para vocês.
Sextas: especial de fim do ano. Tem quatro semanas pela frente e quero fazer um resumo do que eu achei de cada mês, então dividi o ano em trimestres e escreverei sobre meus pontos de vista em relação a tudo que me aconteceu e sobre tudo que deixou de acontecer.
Sábados e domingos: sem postagens. Mesmo sendo férias, esses dias continuam sendo dias de descanso.

Ou seja, postarei quatro dias por semana. Se em algum desses dias eu não publicar algum texto, publicarei no seguinte. 

Atenciosamente, Gabriel Fiel, escritor/dono do Labirinto Silencioso.