sábado, 31 de dezembro de 2011

Mortem

Esse texto era para ter uma outra configuração. Uma completa e diferente configuração. Escrevi ele três vezes me baseando nela e nada. Quando saía algo, o texto ficava cansativo, ficava exaustivo, não parecia algo que eu realmente gostaria de ter escrito. Essa é a quarta tentativa. Acho que dessa vez vai funcionar.

 

O problema aqui é 2011. Esse ano foi um dos melhores da minha vida. Se, é claro, não foi o melhor. O que acredito que foi. Quantos sofrimento eu não passei, ou quantas coisas inacreditáveis não aconteceram? Quantas pessoas que eu nem havia imaginado que seriam importantes na minha vida surgiram e me fizeram pensar o que eu sofreria se perdesse uma delas? Foram muitos, vários, várias, muitas, além da conta. Então eu havia pensando "vou fazer um texto agradecendo e pedindo desculpa a essas pessoas importantes." A questão é que eu não consegui. Todas as vezes que eu começava a escrever, eu me perdia. Eu não encontrava as palavras certas e ia me perdendo cada vez mais em pensamentos e nas palavras. Lembrar me pareceu mais importante do que escrever, do que delatar, do que, simplesmente, agradecer ou arrepender. E sinto que algo era necessário para eu conseguir fazer isso. Alguma mudança. Algum novo foco de vida. 

E eu consegui. Esse foco de vida é a morte. Não pretendo matar vocês, fiquem tranquilos. Só pretendo me matar. Morte é recomeço, são novas oportunidades. Já está mais do que na hora de enterrar algumas coisas naquele passado que eu não quero mexer. Naquele pedaço da alma obscuro e que nunca deveria ser aberto. A verdade é que eu simplesmente cansei de ser tratado como capacho. Como mais uma pessoa, como mais um homem sem sentimentos. Sempre penso mais em vocês, ou em qualquer outra pessoa antes de pensar em mim, e por isso eu só faço essas merdas comigo mesmo. Eu me machuco. Firo-me cada vez mais profundamente e intensamente em vez de viver a vida da maneira que eu sempre quis, que é sempre me dedicando aos meus sentimentos, espalhando o que sinto, o que penso, o que sou para os outros. Eu tenho essa tendência de ajudar mais as almas perdidas ou necessitadas do que me ajudar. Do que tentar entender o que se passa nessa cabeça, nesse coração, nessa alma, nesse espírito. Então, morte.

Morte tem outros significados além de morte carnal. O que eu quero fazer é apenas mudar. Mudar quem eu sou? Não. A maneira que eu ajo em relação as coisas importantes? Definitivamente. Sentar, calcular e esperar alguma coisa acontecer foi sempre o que eu fiz, mas chega uma hora que entendemos, que a ficha caí, e que vemos que isso não ajuda a viver da maneira que havíamos decidido quando nascemos. E eu só quero mudar isso. Eu quero agir, eu quero fazer, eu quero lutar, eu quero me abrir. Só isso.

Sempre serei aquele cara extremamente sentimental. Aquele que chora com filmes românticos, em dramas e até em comédias (mas ai é de tanto rir). Aquele que chora lendo livros e com acontecimentos marcantes. Sempre serei aquele besta que gosta de Legião Urbana, Metallica e Dream Theater. Sempre serei o mesmo. A questão aqui é viver com meus próprios padrões. Arriscar mais. Viver o presente.

E vendo agora, eu saí completamente do assunto inicial que era me desculpar e agradecer algumas pessoas. Ou pelo menos, foi isso que você pensou. A verdade aqui é que tudo isso que se passou pela minha cabeça nesses últimos dias foi gerado por todas essas pessoas. Por amores. Por amigos. Por familiares e casos complexos demais. Então, chegamos a parte principal.

Larissa e Vanessa. As duas tornaram meu mundo de ponta-cabeça. Espero que vocês já tenham essa noção. Agradeço as duas por terem ficado ao meu lado por um tempo. Sinto muito por tudo aquilo que fiz e que deixei de fazer (cada uma entenderá sobre o que estou falando) e agradeço por me ensinarem algo que ficaria na minha cabeça por um tempo. Que é lutar pelo o que eu queria. Arriscar de vez em quando. Agradecido, até demais.

Marcus, Matheus, Gabriel, Roberto, Gláucia, Beatriz. O que vocês me ensinaram? Tudo. Eu sofri com vocês, senti a dor de cada um e vocês tiveram paciência em analisar a minha dor e dar uma resposta de valor. Alguns são como pedras, não sentem nada, mas alegram. Outros sofreram por amor e conseguem me entender de alguma maneira. Outros estão caminhando por caminhos não trilhados e finalmente entendem as coisas que venho dizendo há anos. Outros simplesmente batem e xingam. Ou compartilham textos, não é mesmo? Eu agradeço todos vocês por serem meus amigos, sentindo por todos não somente aquela intensidade aparente, mas sentindo aquilo que me faz pensar o que seria da minha vida sem vocês.

Dominique. Eu tenho que pedir desculpas demais. E mesmo pedindo desculpas, não sei o que acontecerá. Não sei, talvez nunca saberei. Mas eu lhe agradeço. De coração. Tu fora a luz que me alegrou enquanto eu estava no escuro, e Zeus sabe o quanto eu precisava dessa luz. Vai dar tudo certo? Toda a vez eu penso nisso, eu penso uma coisa diferente. O que eu posso responder agora é simples: veremos. Creio que ainda temos coisas a serem feitas.

Obrigado também aqueles que leram os textos, que comentaram e que seguiram o blog. Vocês não tem noção de como eu me sinto bem quando vejo alguém achando "genial" algum dos textos ou quando vejo algum comentário novo ou quando alguém mais entra para a lista de perdidos dentro desse labirinto.

Esqueci de alguém? Lógico que sim. São muitas pessoas para lembrar, muitas para pedir perdão ou simplesmente agradecer por estarem lá para garantir um sorriso, nem que seja uma vez. Não irei começar com nomes. Vou sempre esquecer de algum. E eu não quero esquecer de ninguém. Eu só quero agradecer por terem trilhado, nem que seja um enésimo do caminho, junto comigo. 

Obrigado por tudo. Perdoem-me todos. A morte é agora. 2011 morre hoje e um novo ano toma forma. Padrões antigos mudam. Tomam nova forma igualmente. Será que vamos conseguir vencer? Vamos. Se nos mantermos unidos, vamos todos conseguir vencer. 

Bom ano para vocês. Vamos enfrentar os perigos juntos. Vamos acabar com a Hidra. Vamos ganhar a guerra. Vamos ouvir a glória, os hinos, a emoção. Que 2012 seja de amor, de paixão, de amizade, de compaixão, de dedicação e de mudanças. E mesmo que algumas coisas não sejam boas, talvez tudo resulte em algo maravilhoso no final. Então, vamos desejar por uma coisa.



Que 2012 seja do caralho.

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