sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Perigo


Arriscar a vida com coisas pequenas? Eu não aceito isso muito bem, e alguns até sabem como é que é. Melhor perder uma oportunidade e ficar martelando sobre as possibilidades da mesma do que fazer ela realmente dar certo. Acabei de ir na banca de jornal. Não tinha o que eu queria, mas tinha o que eu queria. A menina que estava lá, que estava trabalhando lá, era o que eu queria, e me veio uma passagem única de emoção e desespero quando as palavras "Você", "Sair" e "Algum dia" vieram na minha cabeça. É estranho demais acreditar que por um instante, durante todo aquele estado confortável de inércia, eu nunca fiz nada regado a vontade e ao que eu realmente queria fazer. Fiz isso apenas algumas vezes, coisa que dá para contar com apenas uma mão, para falar a verdade, e foram as coisas mais emocionantes da minha vida, não por causa da adrenalina, mas porque eram coisas ou algo que eu queria. Então, por que ainda estou martelando contra as possibilidades de descer a rua novamente, dizer que eu dei uma imbecil lá em baixo e convidá-la para sair? Só de escrever essas palavras meu coração já bate como um milhão e meio de outros corações juntos. Mas e se for mais uma oportunidade perdida? Vamos deixar ao acaso, ao destino, ao modo aleatório? E ainda mais, por que eu estou escrevendo isso se na verdade eu poderia estar chamando ela para sair nesse exato momento? Por que.... ah, a vida é curta demais para se pensar nessas coisas. Descer parece cansativo e tudo mais também, mas por que não tentar? Vamos lá. 

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Então, a vida é assim mesmo. Chamei ela para sair. Disse que era estranho. A gente não se conhece e tal e ela disse que precisava pensar. Falei que ia dar uma volta, e depois eu retornava. No final das contas, eu levei um fora. Pensando assim, o que eu aprendi hoje ao olhar para uma garota, ver que ela tem algo de especial e tentar as chances? Tudo. Eu me arrisquei. Arrisquei novamente o coração. Eu me arrisquei (tenho que repetir isso várias vezes porque é a verdade, e eu agradeço). Eu vivi. Eu fiz besteira. Eu levei um fora! E ainda rio disso como se não fosse nada. Ou como se fosse a coisa mais engraçada que eu já vi acontecer na minha vida. E tecnicamente, não foi. 

Foi a melhor.

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Ai alguns podem me perguntar "mas vocês nem sabiam os nomes um do outro e você, ainda assim, a chama para sair?". Sim, eu tenho parafusos soltos, mas pare para pensar (frase legal essa, "pare para pensar"), onde vou conhecer pessoas e sair com elas? Na rua, no mercado aqui perto. Facebook e outras tecnologias estão ai para ajudar, não para construir uma ponte gigante de uma alma para a outra. E arriscar me pareceu uma boa ideia. Sei que no fundo ela queria sair comigo. Até dava risada enquanto eu falava com ela. Mas o medo do desconhecido é maior. Irônico em alguma maneira? Não.

"É a vida."

Comentário do autor: desabafo e texto ao mesmo tempo. Conseguem distinguir o que é verdade e o que é mentira, ficção?

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