sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre caminhos, verdades, mentiras, mares e fins


Do ponto mais indulgente ao mais ridículo dos acontecimentos em plena chuva de primavera com dia ensolarado. Das chuvas ao sol. Do dormir ao amanhecer na praia. Dos traços que deixei ao ponto final que poderia ter sido uma vírgula. De uma verdade, uma mentira dita em segredo para que ninguém saiba. Uma mentira a mais, uma oração a menos no coração da verdade, que ecoa infinitamente com risadas e fontes do além. Talvez um último momento de depressão, talvez um último momento para retomar o fôlego, matar as dúvidas e andar sem rumo. Andar, não. Navegar.

Aqui, do ponto mais alto e mais baixo dos mares, as verdades são intrínsecas às mentiras das pessoas que uma vez passaram à minha frente para dizer olá. O sol, cercado de nuvens cinzas como o mesmo pó que um dia esteve em minhas mãos, brilha com uma intensidade primitiva; ele não brilha, para ser mais realista, ele ofusca, cega, mata e, por consequência, traz mais vida do que nunca. Pelo brilho da chuva que se aproxima, eu vejo os olhares de todos aqueles que me cativaram e já não são mais quaisquer uns; são únicos e são minhas responsabilidades. Eu vejo o pesar dos meus próprios olhos cansados de tanta falta de virtude, de tanto desespero, de tantas mentiras, de tanta falta de amor e de verdade.

No meio do trajeto, uma esperança e, de repente, chove o caos mais uma vez. O céu se fecha com uma pequena abertura por onde a luz continua matando: matando as escuridões dos corações dos homens. Aquela é a esperança no meio desse nosso mar que sozinho, acompanhado, navego no meu barco, navio. De todas as verdades, a única que não posso mais ignorar. De todas as mentiras, a que mais deve ser obliterada. Um relâmpago e um trovão tinem quando a noite chega, mas sempre amanhece no finito centro da existência. Grandes esperanças cercam o arredor, o horizonte trêmulo de tolo contentamento e de grande horror em virtude de uma nova etapa desvencilhada em sua vidas efêmeras. Ao pior de tudo, apenas uma grande deixa para o recomeço: o próprio fim.

O fim do labirinto. O fim da viagem em mares desconhecidos. O fim do amor de mentira. O fim da verdade do ódio. O fim de todos os clichês para que tudo seja apenas mais alguma coisa além de algo que já era. O fim da negação. O fim da omissão. O fim de tudo e de todos. O fim do bar, que pegou fogo. O fim do dragão, que morreu cortado. O fim do palco, que foi enterrado pelas lágrimas de um deus em melancolia. O fim dos ares e dos céus escarlates, produtos de sangues alheios e independentes. O fim de um labirinto cinza, mudo, que é tão infinito e espetacular quanto a própria dimensão da minha vida. O fim de uma vida. O fim de uma era. O fim do final, o final dos fins, a espera espetacular e a resolução de uma tormenta de mentiras e verdades. De tudo o que sobrou, a paciência para seguir em frente, as botas rasgadas, as cicatrizes nas mãos e rosto, a fé de dias melhores e com chuva, o amor cativante de olhos verdes, castanhos, azuis, esmeraldas, brilhantes, teus, um dia meus. O que sobrou é uma vida. Já não há mais folhas brancas nesse caderno, pelo menos por um bom tempo. Já chega a hora de terminar de relatar. É hora de caminhar pelo labirinto, não pelos mesmos lugares e mesmos fins, mas por novos fins, novos caminhos.

Da maior revolução das mentiras e verdades: o ato de viver e, eventualmente, mesmo sem querer, o de morrer. Tudo isso somente para que a roda gire novamente ao seu, meu, favor. Mas, por enquanto, o fim.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Rumo ao final do fim

E o fim é belo, incerto. Depende de como você vê.

Roubo palavras que não são minhas para relatar as próximas nessa folha branca na qual eu havia resolvido fazer o que viesse à telha. Depois de quase 19 meses de confabulações internas, nas quais alguns se reconheceram, xingaram, comentaram ou simplesmente nada fizeram, há de se haver um fim a folha que antes era branca, tornou-se cinza, e que agora é puramente preta.

Complicado? Nem um pouco. Dessa vez eu apaguei as marcas das folhas escritas. Deixarei elas em branco novamente. Desamassá-las será impossível, as marcas ainda ficarão mesmo que eu consiga, mas eu a deixarei em branco. Deletarei tudo apresentado na quantia absurda desse complexo labirinto de nada. Tudo.

Por fim, eu realmente porei um fim. Não existem mais cinzas nesse mundo negro e não existe mais branco nesse mundo alternativo e complicado. Deixarei trancado, diferente do labirinto da minha mente, que sempre prossegue e sempre prosseguirá pelos caminhos mais audaciosos e inesperados. 

A partir de hoje, irei iniciar uma contagem regressiva até o dia 1° de Outubro, dia em que o Labirinto Silencioso, amigos de uns, inimigos de outros e neutros para o restante da população, deixará de existir. Salvarei todos os textos antes, é lógico, mas esse lugar deixará de existir para o contato daqueles que queiram ler. 

Devo pedir desculpas para as pessoas que se mantiveram fiéis as leituras por tanto tempo e dizer que apenas por vocês eu continuei a publicar estes textos. Saibam que tenho muito mais coisas escritas além daqui, coisas em cadernos, livros e outros documentos, coisas nunca mostradas e que nunca serão.

O Labirinto Silencioso veio como um método de me expor ao mundo de uma vez, coisa que há tempos pensava ser a solução ideal. Não poderia estar mais enganado. Em 19 meses, aprendi que o verdadeiro valor de um texto não se localiza na quantidade de pessoas que o lê ou comenta, mas sim no pedaço da alma do escritor deixado naquelas palavras, naquelas exatas palavras, escolhidas entre tantas existentes. O verdadeiro poder de um texto não se localiza ao ser publicado, postado e curtido. Isso é um pensamento puramente século XXI e que cheira a estragado, tanto que é por causa dele que iria deletar de vez o blog.

Meus textos possuem minha alma e estou colocando valores virtuais, como likes, comentários e visualizações acima de tudo mais: da essência. Como um ultimato, as pessoas que lerem isso tem até o dia 1° de Outubro o tempo ideal para lerem os textos que quiserem, comentarem o que quiserem e compartilharem, se quiserem. Atento também para aqueles que não quiserem que o espaço seja deletado, para encontrar uma boa razão, nada fútil, para que o processo de funeral seja cancelado. 

Não irei me despedir formalmente nessa postagem. Farei isso com mais adequação dia 30 de Setembro, um dia antes do verdadeiro fim. E, também para as pessoas interessadas sobre motivos, razões ou que apenas querem apelar para o cancelamento do funeral, ou talvez que apenas queiram conversar, entre no Twitter e siga @gabefiel. Lá escrevo alguma coisa e não peço nada em troca.

Aproveitem o tempo que ainda possuem. Às vezes, o fim é mais rápido do que o pensamento de agir. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Todas essas mentiras (verdades)


Eu, do caos ao completo absurdo que cerca as margens da verdade. O que é a verdade além de um confusão eloquente e errônea do que parecia tão profundamente maravilhoso meses atrás? O que é a verdade além de pó em minhas mãos, areias em minhas botas e caos dentro do meu coração?

Todos que navegam deveriam saber, por um alerta infantil, que a verdade não existe. No final das contas, só mentiras, uma atrás da outra, comparecem ao seu funeral, apenas infinitos maiores que o seu te vem cair e vem teu barco, navio, afundar. Sempre, no final, existe o caos porque ninguém encontra paz porque não há paz num oceano de mentiras, desilusões e amores desvirtuados. Afinal de contas, o que é o amor? E o que é a verdade?

Agora eu vejo toda minha tropa se afogar em memórias passadas, águas esquecidas, frias como deveriam ser e às vezes quentes como o inferno que beira a mente assassina daqueles já fugiram da minha vida. Mentiras. Todos mentem, e eu minto a mim mesmo por não saber o que fazer agora que tudo não chegou ao ponto verdadeiro que eu queria. Nada durou pra sempre, nada me fez feliz ao ponto de explodir as vidas anteriores, nada é apenas uma palavra esperando tradução e eu não consigo achar a droga da solução.

O sol bate nos olhos, mas nado enxergo além de ondas batendo cada vez mais forte na costa. Eu murcho, eu desisto e mesmo assim eu continuo em pé, procurando algo que nem eu sei o que procurar. Não há mapas, nem sinais, nem barcos alheiros para entrar e ancorar em algum lugar seguro. Tudo depende de mim,  das minhas mãos, das minhas botas, dos meus olhos e do meu coração, ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo, o que pode ser nada mais do que mais uma mentira que conto a mim mesmo: o pior de todos os tipos de mentira.

Então, todas essas mentiras são usadas, são retalhadas, são usadas novamente, são mortas e revividas, são desmentidas e mentidas, são armas, punhais, espadas de lâmina dupla, ondas de calor que apenas afogam-te até o caos da tua mente. Minha mente. Minhas ondas, minhas mentiras, minhas verdades, meu caos. E devo deixar tudo ir embora, devo mentir mais uma vez, eu sei. Mentir apenas mais uma vez, uma vez para acabar com tudo isso, porque estou cansado e essa é a primeira verdade que digo desde que cheguei aqui. Estou cansado de tanto caos, de tanta mentira, de tanta confusão, de tanto eu. De mim. Estou cansado de tudo e não de todos. De tudo e de mim. De mim, como nunca. De mim, como a vergonha de uma vida. De mim, como o amor que nunca consegui ter. De mim, como a dor que nunca consegui apaziguar. De mim, de eu, de-me, somente de mim, de eu, de-me. De mim, como ser humano que erra e erra consigo mesmo. De mim, alma que falhou no atento de encontrar a verdade e naufragou.

De todas as mentiras, a que eu mais odeio é dita: estou bem, e chove caos de uma vez só.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sobre escrever e ecos


Palavras são ocas
Mas cheias de ecos,
Gritos antigos
Distantes, como sempre são.

Não possuem voz
Nem razão
Apenas um fluxo
Que ecoa no coração.

Palavras são ocas
Cheias de recortes,
Cada um escondido em uma letra,
Cada letra, um universo em expansão.

Não possuem cheiro
Nem autorização
Elas apenas entram
E te fazem perder a direção.

Palavras são ocas, famintas, mudas e silenciosas
Possuem memórias antigas, recortes, gritos, nostalgias
São incontroláveis e quem as controla devia ter o mundo a sua mão:
Palavras são ocas, mas o coração não.

Feliz dia do escritor para todos aqueles que gritaram sem gastar as cordas vocais, que lembraram sem voltar ao passado e que amaram apenas escrevendo, um recorte de cada vez.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sorria, por favor

Bebia como um condenado. A mulher o largou. Perdeu todos os dentes antes do 30 anos. A família não o quer. Veio parar aqui em outra família, a minha, acolhido por minha vó, talvez por pena, talvez para preencher um vazio em sua própria vida. Quase ninguém na nossa família o suporta: ele passa dos limites naturais. Os únicos que, aparentemente, o toleram, e isso em parte, são a minha vó e eu. Ele já foi embora da casa dela, ficamos anos sem vê-lo. Ele voltou e ficou ai. Ele tem 83 anos e faz aniversário no dia do amigo, ou seja, hoje. Por ventura, me lembrei dos meus amigos e esqueci completamente de seu aniversário.

Então, quando fui até minha vó hoje, ela me disse em tom de segredo:
 - Dê os parabéns a ele, mas nem precisa cumprimentar, nem nada disso.
Pensei comigo mesmo: "Parabéns?". E falei em voz alta, mas baixa: 
 - Nossa, é aniversário dele. Meu Deus...
Eu entrei na casa dela e ele estava lavando a louça. Entrei e o vi de costas e pensei: esse será um dos momentos mais tristes da minha vida; tenho certeza disso. 
Gritei "Feliz aniversário!" e ele se virou, com um meio sorriso e um olho com formação de lágrimas. 
 - Espera um instante. Deixa eu secar a mão.
Passou-se alguns segundos até que ele me desse a mão e, contrariando o que minha vó disse, eu a apertei, olhei em seus olhos, verdes e com uma formação de chuva devastadora, e disse:
 - Feliz aniversário, sério. De verdade. 
 - Muito obrigado - ele respondeu, dando um sorriso. 
Fiz o que tinha que fazer na casa da minha vó e voltei para a minha. Cheguei para minha mãe e perguntei a ela:
 - Sabia que ele fazia aniversário hoje?
 - Não. Você deu os parabéns? - ela me perguntou.
 - Lógico.
Ela se sentiu péssima em não lembrar e ligou para lá, lhe desejou feliz aniversário com um ânimo espantoso e até falso, disse a ele que era tanta correria que tinha até esquecido. Ela desligou o telefone e falou:
 - Tava até chorando, tadinho.

Eu não aguento. As pessoas às vezes são canalhas, elas bebem, elas fumam, elas magoam, mas esse velho de 83 anos me fez me sentir péssimo comigo mesmo. Ele não deve ter amigos o suficiente para lhe dizer um feliz aniversário. Ele depende dessa família estranha que o acolheu. E esquecemos. Não tem bolos, presentes, pessoas ligando o dia inteiro para lhe dizer que sente falta. Duvido que sua própria família tenha ligado para ele. Tudo isso só pode ser irônico: nascer no dia do amigo e não ter ninguém com que passar o aniversário. Eu escrevo isso com peso extremo na consciência, com essa coisa que eu chamo empatia e com os olhos envoltos de lágrimas, e isso não é misericórdia, é humanidade.

Todos nós merecemos ser felizes, porra. 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Maços



Ele havia entrado na padaria para comprar um maço de cigarros, mesmo sabendo que ela não vendia e que nem tinha dinheiro para comprá-lo.
 - Por favor - disse ele para a vendedora do balcão, - um maço de cigarros.
 - Senhor, não vendemos cigarros - respondeu a mulher atrás do balcão.
 - Mesmo assim, eu gostaria de comprar um maço de cigarros.
 - Isso é uma padaria, não vendemos cigarros.
 - Vendem sim que eu sei. Vamos, por quanto você me venderia?
 - Senhor - suspirou a mulher, - não temos cigarros aqui. Compreende?
 - Não?
 - De maneira alguma.
 - Que absurdo! Todos os lugares deveriam ter cigarros.
 - E por que você diz isso?
Ele olhou para trás, em direção a rua, colocou as duas mãos no bolso e tirou um papel amassado de um deles.
 - Por favor - disse ele. - Leia o que está escrito nesse papel.
A mulher pegou o papel, com receio, desamassou-o o suficiente para conseguir entender o que estava escrito e portou-se a dizer em voz alta:
 - “Aqui, na rua, eu vi uma delicada mulher, linda como o brilho de uma lua cheia, andar. Eu, estonteado pela beleza singular e rara dela, a persegui como um sonho de verão. Ela nunca olhou para mim, mas eu sempre tive a oportunidade de vê-la, de ver aqueles olhos de cor azul como o céu e com tantos pecados quanto possíveis. A persegui por 26 dias, contando os domingos, até o dia que me atrevi a lhe falar. Ela possuía uma voz de seda, delicada e suave, pronta para esmagar meu coração com veludo. Ela retirou um cigarro de sua bolsa, o acendeu vagarosamente e me ofereceu um. Aceitei sem pensar duas vezes, embora eu não fumasse. Ela me disse que todos deveriam fumar. Perguntei para ela, por que, e só o que eu vi foram os dois olhos dela virando para mim, com um ar angelical, e o som de uma risada leve, de outro mundo. Ela respondeu com a seguintes palavras: “Quando o amor não serve de vício, porque mata e esmaga, o cigarro é um excelente apaziguador de corações”. Perguntei-lhe, “por que então não a bebida?”, e ela me respondeu “bebida? Ela vícia, e mata, e te faz perder o sentidos.” - a mulher deu uma pausa, olhou para ele, que fez sinal para continuar - E ela continuou: “deveria haver cigarros em todos os lugares”. Novamente, lhe perguntei “por quê?”. Sua resposta, que nunca esquecerei: “Quando a vida dá uma trégua, é hora de fumar. É hora de matar a dor, de esquecer a dor. O mundo precisa de cigarros. O mundo precisa de amor.”
 - Ótima leitura - disse ele. - Pode parar aí mesmo. Deixe-me te perguntar, você fuma?
 A mulher, esbabacada pelo o que havia lido, demorou a responder.
 - Sim. 
 - Você ama?
 - Sim.
 - Com que frequência?
 - Como assim?
 - Quando você se toca que está amando?
 - Eu.. não sei.
 - Entendo. Então, você tem cigarros, não é?
 - Tenho?
 - Poderia me dar um?
 - Claro.
A mulher se afastou, pegou um cigarro e deu-o para ele.
 - Muito obrigado.
 - Sabe, você poderia ter ido na loja do lado, lá eles vendem maços de cigarro.
 - Eu sei. É que eu não tinha dinheiro e precisava amar um pouco.

sábado, 16 de junho de 2012

Imagens cinéticas, amor em pedaços e arte. Pura arte.

O problema da vida é que ela não é igual à um filme.

Os filmes terminam, em sua maioria, em finais felizes onde todos ou choram ou alargam um sorriso igual ao do Coringa. Eles também possuem cortes. Um cena pode ficar esteticamente linda num filme porque há cortes, enquanto na vida tudo é consecutivo, relativo e progressivo. A ideia de você falar uma frase de impacto, virar as costas e ir embora é fantástica em filmes, é cinematograficamente aceitável, entretanto, na vida real, você não tem essa oportunidade, porque depois de virar as costas, você tem que continuar andando e seguindo em frente, o que poderia ser a próxima cena ou não. A próxima cena poderia ser a consequência de sua fala para tal pessoa que você deu as costas, e mesmo assim, existem coisas no meio que são eliminadas do visual final de um filme. Na vida você vai continuar andando, vai fazendo outras coisas e esperando que tudo dê bem para você no final.

Outro ponto que tornam os filmes melhores são as imagens que existem além das que você possui de você mesmo e dos seus pensamentos. Em um filme você consegue ver o que todos os personagens estão fazendo ou sentindo, enquanto na vida real você só tem duas câmeras: teus olhos. O que você vê e o que você sente de verdade só é visto e sentido por você. Nada mais e nada menos do que isso. Então, vamos exemplificar.

Você está no aeroporto de Florianópolis. Verifica os horárias e percebe que as pessoas já estão se dirigindo para a entrar no avião que vai te levar para São Paulo. Então você levanta, pega suas malas e segue em direção norte enquanto todas as pessoas passam por você e você passa por elas, sem uma olhar na cara uma da outra. Ninguém se importa afinal que você esteja com os olhos vermelhos, quase sangrando de tanto chorar e que ande como se a morte estivesse te segurando mais um pouco, como se nem ela te quisesse por enquanto. 

Você continua andando e aquele desgraçado aparece atrás de você, há alguns metros de distância, talvez 5 ou 6 metros, e grita teu nome. Você estanca no lugar, largas todas as malas no chão, com delicadeza, e vira o corpo 90°. Não 180°, para ficar cara a cara com ele, mas 90°, o que te deixa numa situação agradável, já que você não olha para ele diretamente e existe uma maior facilidade de escapar da tortura que será aquilo rapidamente.

Antes do desgraçado falar, você já sabe porque ele veio. Ele foi atrás de você para te julgar e dizer coisas que você tecnicamente já sabe, só não quer admitir porque sabe que vai sofrer mais ainda do que já sofreu. Nesse momento, você imagina como foi um desgraçado com ela, em como quebrou o coração dela e sofreu pelo próprio sofrimento dela em relação a você. Então, você tentou por meios quase impossíveis conversar com ela e conseguiu estabelecer um relacionamento maravilhoso com ela, ou pelo menos era assim que você imaginava. Você, como o quebrador de corações que nunca imaginou ser, quebrou o coração dela e ela, mesmo não sabendo disso, morria para poder te fazer o mesmo ou pior. Quando descobriu, ela tinha arranjando um novo alguém na vida dela, e esse alguém agora falava com você no aeroporto enquanto você tentava não pensar em mais nada além da dor que causara a si mesmo e à ela. 

O desgraçado do namorado dela não para de falar sobre você, ela e ele. Seus ouvidos captam o que ele quer dizer e sintonizar sentimentos e vergonhas em teu espírito. Seus olhos sintonizam o leste, enquanto ele olha para o norte, para você, falando e gesticulando em voz grave e atos rudes e grosseiros, falando com as mãos, como um italiano perfeito. 

Você conta o tempo. 1, 2, 5, 15, 20, 35 segundos. Não, 3 minutos e 23 segundos de discurso nocivo e destruidor. Cada palavra que aquele desgraçado falava era tido como uma bala de canhão em direção ao teu coração. Cada frase não te fazia pensar; fazia teu coração chorar. Suas tentativas babacas de tentar impedir o sangramento incolor dos teus olhos são realmente babacas e uma lágrima sai do seu olho esquerdo, coisa que ele não vê. Teu coração começa a romper aos poucos, falhas começaram a aparecer e você começa a respirar cada vez mais rápido, suas mãos começam a tremer, sua pulsação aumenta rapidamente e pulam partes até que você sinta que todo o mundo é dor. É quando sua mente racional termina de contar o tempo e você percebe que o discurso acabou. Você pega as malas, coloca-as em seus ombros e carrega uma delas na mão direita. Você vira novamente em direção ao norte, dando as costas mais uma vez para ele. De repente, como a verdadeira fonte de toda a beleza da ação, você vira seu corpo mais uma vez, com todas as malas e com lágrimas saindo de seus dois olhos, sem ser ainda um 180°, apenas um 135° ou um pouco mais, olha diretamente para ele e diz apenas o seguinte:

 - Eu tenho apenas três palavras para você...

Você dá as costas novamente para aquele ser que sua amada escolheu para tomar teu lugar e dá um tempo em que sua mente calcula como menos de 4 segundos. Qualquer frase de 3 palavras ficaria ótima agora e seria de efeito, seria esteticamente linda. "Eu a amo", "Eu a odeio", "Eu te odeio", ou, se realmente preferir, "Vai se foder", o que é realmente libertador para a tua alma sofredora. Ele deve estar pensando em todas essas frases nesse mesmo instante, mas você escolhe aquela que você acha que seja a mais verdadeira depois de 3 minutos e 23 segundos, que seriam cortados num filme, de palavras certeiras e negativas. Você para de andar, com o corpo em direção ao norte, vira a cabeça num ângulo de 45° e diz as três palavras.

 - Eu me odeio.

Agora sim, isso foi uma belíssima cena. O ódio, o amor, a luta interna. Mas isso não é um filme, então você continua seguindo, tuas duas câmeras te guiando pelo caminhos enquanto o desgraçado continua com cara de babaca, estático feito uma pedra, olhando em sua direção. Você não sabe disso, mas quer imaginar que isso seja verdade. Consegue ver o reflexo a partir de um pequeno espelho redondo em um dos cantos da sala do aeroporto e comprova que a frase foi realmente certeira, além de não ter sido mais um clichê. Você não gosta de clichês.

Você dá seu passaporte, passa pelo check-in, passa por tudo e se senta na poltrona 22 em direção a janela às 19h23. O voo está marcado para as 10 para as 20h, o que te dá margem de tempo para imaginar tudo o que aconteceu.

E pensando em toda a cena você repara que se fosse um filme, toda a cena seria cortada e haveriam pelo menos duas câmeras, uma centrada em você e outra centrada no desgraçado. Tua lágrima inicial seria vista e todos veriam a reação do otário depois das três palavras que você disse a ele. Tudo cinematograficamente belíssimo, como um excelente filme de drama. Então, captariam uma imagem de você dentro do avião, olhando pela janela para as cidades que passavam enquanto voltava não para São Paulo, como a maioria imaginara, você trocou de passagem e apenas dois amigos seus sabem que você está indo para Curitiba. 

Enquanto isso, você não sabe que as palavras que você falou eram as mais corretas para aquele momento e que sua amada estava sentada no carro esperando o desgraçado voltar e contar o aconteceu. Depois dele contar tudo, ela resolveu ligar para seus amigos e perguntar para onde você estava indo. 3 deles disseram São Paulo, 2 deles disseram Curitiba. Era uma questão de chute, uma questão de sorte, então ela decidiu abandonar o namorado, entrou no aeroporto e comprou uma passagem para Curitiba para o voo que iria sair às 20h40. Pediu para os amigos enrolarem você quando chegasse na cidade para dar tempo dela chegar e te impressionar, porque era agora a vez dela pedir desculpas.

Mas você não sabe disso. Você não sabe que vai dar tudo certo no final porque você não sabe o efeito que teve aquelas três palavras. A cena, que agora são cenas e ocupam quase todo o fim do filme, não o teu presente, e o tempo continuam correndo, enquanto você sofre e outras pessoas estão lá para te deixar feliz.

Esteticamente falando, o fim desse filme é melhor, mas sentimentalmente falando, a vida tem muito mais a oferecer e esse é um problema que não precisa ser consertado, porque você está sentando no avião, olhando para as cidades e pensando apenas em como aquela cena toda no aeroporto seria belíssima vista por outros olhos e editada e a mulher que você mais ama também pensa nisso e pensa em você e em como colocar um sorriso na tua cara será um excelente...


The End.

sábado, 9 de junho de 2012

Coincidência


Em presença daquilo que me assusta
Daquilo que afoga os sentimentos e tormenta
Nada era mais do que relativo e surgia
E a noite era mais barulhenta do que a chuva que caía.

Com um olhar vi aquilo que assombrou
Das cabeças aos pés aterrissou
Em medo e deselegância matou
Apagou as chamas e vivi eternamente do que restou.

E em vão tentativa de lembrar do ocorrido
Lembro apenas das batidas do coração
Que batia feito pedra e ecoava feito trovão

A música ritmada dos corações ecoava
Prosseguia tudo enquanto ela em minha direção andava
E curava aquilo que me foi ferido.

Nota do autor: peço desculpas pelo tempo que eu não postei. Pretendo voltar a escrever mais no blog em breve.

sábado, 31 de março de 2012

Anormalidade


É estranho pensar que, por um momento, ambos queriam a mesma coisa, quando as coisas seguiram uma trilha bem diferente do esperado. Então, o que eu queria? O que eu quero?

Simplicidade. Apenas estar ao lado, me sentir confortável, trocar palavras carinhosas, sorrisos idiotas de piadas ridículas. E você sempre me passou a mesma ideia, me disse, por entrelinhas e ações, que queria a mesma coisa; que sentia a mesma coisa. E onde mesmo está você agora? Ah sim, bem longe daqui. Em outra casa. Em outra cama com outro alguém em sua cabeça.

Tudo o que aconteceu entre nós, do encontro ao desencontro, do desconhecido ocasional para o desconhecido proposital, foi apenas uma piada sem graça que apenas você riu no final. Mas vamos em frente, ria com prazer das dores fortes que causara a mim e à outras pessoas. Ria do desconforto, da amável incerteza do que quer e do que deseja. Entretanto, está tudo bem. Você deve se sentir bem e eu também, e quero que saibam que isso é uma mentira proposital: a mesma que eu digo por rotina quando me olho no espelho.

Mas tudo bem, brilho de sol, tudo bem, fofa. Está tudo bem, querida. Você era o que sempre supus que fosse e nem ao menos me desapontei sobre a ironia dessas últimas palavras e do quanto machuca poder escrevê-las sem sentir remorso ou pena, porque você não teve muita preocupação ao julgar as coisas que passavam por sua cabeça. Medo, inocência, indiferença. Vamos, menina, me diga quem é, mesmo que não saiba, me dê alguma certeza irrelevante para que eu possa me agarrar nela até o fim. Era tudo isso que eu queria, mas era muito para poder cumprir.

Eu te julgo agora com uma certa displicência, uma certo egoísmo e, com toda a certeza, muita irritação particular e alheia. E é uma pena não saber exatamente para quem eu escrevo tudo isso, que é ela, que é você. Quem sou eu? Quem é você? O que é você, seu monstro, sua dívida de vida que tenho de pagar todos os dias antes de conquistar um novo sorriso na cara de alguém. Aquela pequena dívida externa que tenho com a pequena (ou talvez, grandiosa) utopia que formo em minha cabeça. Dos sonhos que sonho, das músicas que canto, dos textos que leio e do muito que me importava com o que eramos e com o poderíamos ser algum dia. 

Então, é estranho pensar que há tantas garotas por ai, mas nenhuma que corresponda a imaginação fértil? E é estranho pensar que a pergunta mais simples que eu tenho é também a mais difícil? Porque eu só queria saber onde aquela outra garota, aquela que eu amo, aquela que me ama ou está quase chegando lá, está.

Realmente, onde está você?

domingo, 25 de março de 2012

Monólogo à dois


A: Cara, decida logo. Não tenho o tempo todo.
B: Lógico que tem. Na verdade, tem o mesmo tempo que eu.
A: Tá, mas vai logo. Não temos o luxo de perder mais tempo.
B: Fica tranquilo. To trabalhando em tudo.
A: Conheço seu trabalhando. Quando você diz isso é mais ou menos como um "cara, to fazendo nada em relação e, o pouco que eu faço, eu não tenho certeza alguma do que to fazendo".
B: Não tem nada disso acontecendo...
A: Tem sim! Não minta para mim.
B: Não estou mentindo...
A: Está! Para mim, para você e para mais alguém.
B: Olha, mesmo que eu esteja mentindo, não devo nada a ninguém, tudo bem?
A: Não está tudo bem. Você deve algo, pelo menos, à mim! O que acha que está fazendo?
B: Eu...
A: Vamos lá! Responda!
B: Eu não sei! Pronto! Não estou pensando mais. Eu só estou agindo. Instinto.
A: Seu animal. Então vamos lá, já que temos o mesmo tempo, decida alguma coisa agora.
B: Eu não estou preparado para fazer alguma coisa.
A: Não, você está. A única coisa que você tem é medo.
B: ...
A: Medo de tentar de novo, se encontrar de novo. Se machucar, de novo.
B: Olha...
A: Não, dessa vez eu vou falar. Entendi o fato de você querer se distanciar de tudo e de todos. Entendi quando você mudou, quando cortou o cabelo, quando começou a ser uma pessoa distante, diferente e alegre com pessoas que você normalmente nem falaria. Entendi tudo até esse ponto. Mas você não melhorou as coisas. Simplesmente piorou. Cadê o cara que cantava versos de paixão, que escrevia coisas com o coração? Cadê o infeliz que passava mal pelas coisas mais absurdas que afetavam tua alma, mesmo que fosse um errinho imbecil? Eu... Eu sinto falta dessa pessoa. Ela era meio fechada, mas era uma ótima pessoa.
B: Desculpe-me se eu não sou o meu antigo eu ultimamente, mas entenda o meu lado. Eu nunca tinha sido ferido tão mortalmente e eu nunca tinha ferido tanto alguém antes. E repeti o ato mais uma vez! Ninguém consegue ficar normal depois de tudo isso. Eu não me sinto normal. Eu gostei de agir dessa maneira e vivo com um medo que me corrói o sono toda a noite mal dormida. E se eu não conseguir mais amar? E se todas as mulheres forem apenas mais uma qualquer onde eu não encontre nada além de conforto passageiro? Meu medo é absurdo em relação a isso, meu amigo. Absurdamente gigante. E então eu fico conversando com várias ao mesmo tempo e nem eu sei exatamente o que eu quero, quem eu quero e nem se eu consigo sentir algo. E então eu lembro do meu antigo eu, de como ele agia, de como ele amava, de como se sentia. Ele tinha um medo arrebatador, não se mexia, não fazia nada. Mas quando fazia, ele conquistava. Ele se focava em um espírito, em uma alma e se deixava levar. Ele simplesmente era aquilo que eu sempre quis ser e que só percebi que era depois que já não era mais aquilo que outrora fora.
A: Amigo, estamos nessa juntos. Estou aqui do teu lado. Somos dois, mas somos apenas um. Estou apenas te alertando que alguma coisa precisa ser feita nesse teu coração. Está doendo demais e ficar lendo, fazendo piadinhas e nem escondendo mágoas vai adiantar em alguma coisa. Você tem sonhos estranhos, perde, muitas às vezes, a fome, treme diariamente, mente todos os dias quando levanta. Precisamos de uma cura para você, mas, antes, você tem que decidir o que quer da vida. Quer amar?
B: Quero.
A: Ótimo. Então ame. Se concentre. Escreva, cante, chore. Entretanto, se concentre. Ame com todas as forças que puder. Não se controle.
B: Tudo bem.
A: Quem te chama a atenção?
B: Tem algumas. Só não sei se alguma realmente conseguiria chamar a atenção de que eu preciso.
A: Bem, vá atrás daquela que achar que é a tal. Mas lembre-se, isso é um diálogo, mas é um monólogo. Eu sou você.
B: E você sou eu. Somos duas partes do mesmo ser.
A: Sim. Está na hora de resolver os problemas.
B: Está na hora de viver a vida.
A: Está na hora de seguir em frente.
B: Olhando para atrás sempre que pudermos.
A: Prestando atenção nas placas.
B: Nos sinais.
A: Nos encontros e desencontros.
B: Em tudo.
A: Pronto para enfrentar a antiga estrada?
B: Um pouco. Ainda tenho medo.
A: Temos que viver com ele mesmo.
B: É.
A: Vamos seguir juntos.
B: Tudo bem. Vamos em frente então.

E as palavras ecoaram pela mente. Fizeram barulho. Apertaram as teclas. Bagunçaram as folhas. Gearam de frio. Trouxeram uma dor de cabeça e simplesmente seguiram em frente para um lugar melhor.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A única verdade


Duas semanas atrás a vida perdia parte de seu sentido. Perdia parte de sua luz, de sua realidade e de sua existência. Aquele sufoco começava na hora que eu acordava e ia até a hora que eu dormia. Era continua, interminável. Era como se tudo, e tudo mesmo, perdesse o real valor de existir. Como se as músicas mais tristes ganhassem mais sentido e as felizes perdessem tudo o que tinham. Acordar não era simplesmente aquela sensação de viver a vida, vencer a preguiça e levantar da cama. Era abrir os olhos, ver o teto do quarto e querer voltar a dormir. A voltar a sonhar. Os sonhos eram muito melhores. Os pesadelos, algumas vezes, eram melhores.

Uma semana atrás o tempo era completamente perdido. Ler era sem sentido, algo pouco concreto, algo imoral. Escutar as velhas canções virou um ritual para me habituar a própria dor, a própria solidão, a própria miséria e repugnância do meu ser, cada vez mais cadavérico, sem vida, sem luz, sem amor. Os olhos alheiros julgavam da maneira que queriam julgar e nunca sequer perguntaram se estava bem de verdade. O egoísmo é algo fascinante e só percebemos o quanto ele é devastador quando sentimos seus efeitos sob a nossa pele.

E dias atrás eu consegui respirar aliviado. Acordar hoje, mesmo com sono, fazer prova de química, ir no odontologista. Tudo isso, todas essas coisas sem prazer me deram prazer. Eu sorria, eu falava, eu conversava. Eu era, finalmente, o ser habitual e desconhecido que eu sempre quis fundir. A proximidade sentimentalista com o toque de coragem e bravura que sempre quis ter. O medo foi deixado para gavetas mais antigas. O mar parece mais claro. A verdade, aquela mesma que se senta solitária, em lugar algum, esperando ser encontrada, finalmente sorri, acena-me, brilha-me. A verdade a ver navios. A verdade perdida no labirinto. A verdade morta por um machado. A verdade que jogava e bebia num bar. A verdade absoluta, escondida, achada. A verdade que sempre foi a verdade, que sempre estivera à minha frente enquanto eu seguia bússolas que me faziam me perder mais em outros pensamentos, em outras ilhas, em outros sentimentos, em outras verdades. Hoje o inimigo cai. A máscara cai. O céu se abre. Todas essas verdades, derradeiras, andantes, nômades, que nunca saíram do mesmo lugar. Todas essas verdades que resolvi enxergar. Todas essas verdades que, hoje, eu resolvi aceitar. 

E outra verdade é que a maré abaixou. Vou viajar por mares de nuvens, sonhos ilógicos, pontes no céu. Mundo, aqui vai o novo, e velho, eu.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Rayon de soleil


É estranho pensar que escrever é seu jeito de se salvar e quando tenta se salvar você não consegue fazer aquela coisa que te salva, que é escrever. Por tempos as emoções se acumulam e, de uma maneira ou de outra, veem saindo desconfortavelmente de meu ser, de minha alma e daquele coração que já está arrebentado.

Essa é outra tentativa, talvez em vão, de tentar esclarecer algo comigo mesmo e algo com mais alguém. É hora de viver a vida da maneira que havíamos combinado e tanto nos afeiçoado. Dessa vez eu pego o mesmo machado que talvez você queira me matar e irei matar os antigos medos e melancolias tão fundas dentro de mim mesmo. Dessa vez espero que as palavras me acolham e me salvem. 

Mas, para dizer a verdade, eu nem sei o que escrever exatamente. São tanto dias, tantas vergonhas, amores, ódios, rancores, temores, erros. Quando acordei eu só queria escrever sobre uma coisa, uma luz distante no topo da colina mais verde. Agora que as palavras fluem delirantemente dos meus dedos, vejo que há tantas coisas para dizer que eu somente fico aqui, digitando no vazio, escrevendo nada que realmente seja salvador. E nem que essas palavras me salvem, que salvem alguém, sei que qualquer coisa que lerem das frases e orações a seguir serão, para alguém, alguma droga, algum remédio. Perdoem-me pelo mal hábito de não escrever sucintamente e nem alegremente. As palavras são apenas reflexos do que é dito e sentido, e, algumas vezes, elas gritam por salvação.

Gostaria de saber se alguém, de fato, já amou com tanto impeto, com tanta força de vontade, com tanta paixão, que mesmo depois de discussões, de brigas, de lágrimas, de vontades esmagadoras de querer matar o outro, a solidão se abate e você lembra que na verdade era feliz. Há aquele ditado que diz "precisamos perder algo para entender o seu valor". Não que eu quisesse te perder, é claro. Eu fui fraco, covarde e muito insolente em todas as relações que nos uniram. Eu que te procurei. Eu que te fiz sofrer e acho que mereço um pouco do sofrimento que guardo aqui no peito. 

Com amigos, eu sei que se me abrir totalmente, mais coisas vão escapar, como quase escaparam com essa tentativa única de salvar apenas uma coisa, que é o que realmente necessito. Essa solidão, esse mal estar, mal viver, é péssimo, nem um pouco egoístico e, desnecessariamente, matador. A música se torna o chefe, as palavras, nem que não sejam suas, acabam virando suas orações e preces e o silêncio, na escuridão, com você e apenas você, se torna seu melhor amigo, ou sua amante. Sua paixão. São nesses momentos que fantasmas do passado, correntes que já pensava estar quebradas, me prendem novamente, buscam meu pescoço, me enforcam e me fazem navegar em águas passadas, quando uma das frases finalmente me disse que algo mais estaria por vir. "Estamos no mesmo barco".

Sua vontade e caridade eram temores aos meus olhos lacrimosos e ao meu ser que tentava se recuperar de tantas falhas e cortes. Sua luz era forte, seu sorriso era iluminado e, por dias, semanas, me tiraram do buraco. Sem sua luz eu me perdi, e nunca expliquei o exato porquê, a exata ignorância de minha parte ao acreditar que estive fazendo as coisas certas para magoar o menor número de pessoas possível. E a única explicação plausível é a mais difícil de aceitar. Eu errei, e ninguém sabe como é complicado dizer isso, nem que seja num texto. 

Eu errei, eu errei, eu errei. Nossa, fica tão claro as coisas quando você realiza que sua vida, sua existência nem sempre é exatamente aquilo que acha que vai ser. A vida dá essas voltas, é uma vadia por si própria e se apropria de suas próprias dores para continuar a trajetória, já que o tempo não para, mas seu, ou meu, coração, sim. 

Eu errei ao dizer tudo aquilo que eu não deveria. Errei em ser frio. Errei em não ser eu, em ser imbecil, em ficar confuso, em ser um desgraçado, um maldito e até acho que devo merecer a porra do machado. Mas eu disse que o tempo era a melhor coisa que eu precisava, era meu remédio, e que ficando sempre atento a luz, eu me perderia na minha própria insanidade e na minha própria escuridão.

E agora, sei que me evita. Amizade entre nós? Quem queremos enganar, mas nós mesmos? Eu digo que a escuridão findou tão forte que apenas luz é o que me sobra. Luz do sol ainda. Mas você, não sei se isso é a verdade ou é apenas ignorância de minha parte, de minha majestade errante e nem um pouco graciosa, sofre sequelas tão fundas quanto as minhas e sua escuridão não desaparece, mas te engole e te inverte e me mata a cada noite mal dormida, em cada pesadelo sonhado, todos os dias e todas as noites, mesmo contra a vontade, mesmo contra o instinto, mesmo contra aquele fio sentimental que ainda nos deve unir de uma maneira ou outra. 

Esse fio, essa corda, arrebentou no lado mais forte. Eu era aquele que aguentava trancos e barrancos e sempre fiquei firme, mesmo perante o pior dos inimigos. Invertemos dessa vez, porque eu abandonei nosso navio um pouco cedo demais. E eu, de certa forma, me arrependo disso, porque eu não queria te deixar. Mas eu precisava. De verdade. Com você as coisas eram sempre simples. Nunca quis complicações contigo, sempre quis o simples, o verdadeiro, o natural. Eu não poderia ter nada disso sabendo que meus ferimentos poderiam alimentar a destruição do fio. 

E, quem sabe, então não podemos simplesmente seguir em frente? Não. Acho isso impossível e por incontáveis vezes já pensei em deixar tudo, você, para trás. Eu não consigo. Sempre volta para você, talvez porque eu tenha acertado logo de cara ao te procurar e só fiz merda no meio tempo. Ambos erramos, eu sei disso e você também deve saber, mas quando olho para o meu quarto, leio os textos, revejo coisas no meu celular e ouço aquela música que eu havia dito que me lembrava de você todas as vezes que escutava, eu simplesmente penso em não te esquecer e simplesmente desistir dessa vida rotineira, sem novidades, desse desapego, dessa maravilha, para viver contigo, nem que seja por uma hora. 

Não. Não estou em desespero e você, garota de olhos claros e cabelos cor do sol, sabe disso. Minha salvação é você e espero que, mesmo que nada aconteça entre nós, o fio seja restabelecido, nossa união, nosso sentimento puro, simples e complicado, mas recíproco. Eu espero que no final do texto, leia ou não, a salvação chegue para algum de nós. 

Eu lembro de tudo. Eu lembro da promessa e de datas. Eu lembro de temores, de melancolias ditas no chão de madeira da minha casa por uma mensagem de celular. Eu lembro de seu nome completo, de sua data de aniversário, do nome de sua cidade. Lembro de seu apelido e a promessa de nunca dar ele para mais ninguém. E lembro dos momentos que passamos juntos, tão distantes um do outro, esperando que um dia o mundo resolvesse nos unir. 

Como eu havia dito naquele mesmo texto que tu leras: "Me pergunto se estou pronto para escrever sobre você. Será que estou? Já demorei demais para descrever tudo o que passou entre nós. Tempo demais. Mas vamos tentar. Uma tentativa. Se der errado, é só tentar de novo. Por você vale a pena fazer tudo de novo."

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Coffee and stuff

Seguidores do Labirinto Silencioso, tenho uma notícia para vocês.

A partir de hoje, 23 de Fevereiro de 2012, um blog nasce: Coffee and stuff. Ele é meu novo blog que estará ai para tratar, principalmente, de resenhas e comentários sobre cds, filmes e livros, tendo algumas notícias e alguns textos rápidos, que dá para ler na hora do café.

Antes que perguntem se o LS vai acabar, eu já digo: não, ele não vai acabar. Ficará muito vivo, como sempre foi. A única diferença é que agora terei dois blogs para tomar conta. Espero que gostem desse novo território e compartilhem entre seus conhecidos.

Ah, o link para o blog está aqui: Coffee and stuff.

Obrigado pela atenção.

                                              Gabriel Fiel, 
dono do Labirinto Silencioso.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

First


Hoje, entre tantos dias, é um dia importante. Nesse mesmo dia, ano passado, foram digitadas as primeiras palavras que formariam esse labirinto de ideias, de imagens sem fotos e de verdade enevoada. Hoje, 17 de Fevereiro de 2012, o Labirinto Silencioso faz um ano de existência pura, simples e nostálgica. Vamos rever o que aconteceu durante esses 365 dias? Nah. Só resumir mesmo.

Muitos textos foram criados. Mais do que eu poderia imaginar. Mais pessoas leram os textos e ainda os leem. São coisas que eu não imaginei que iriam ocorrer quando criei o blog, na tentativa de tentar encontrar quem eu era e o que eu poderia fazer de bom para este mundo. As tentativas deram certo, seus frutos foram colhidos, replantados e foram modificados. Os novos frutos nascem agora, quando vejo quanto as coisas mudaram em apenas um ano.

Eu devo agradecer as pessoas? Acho que sim. Agradeço, em geral, a todos os leitores, principalmente os assíduos, que leem, comentam, analisam e voltam sempre. Agradeço também ao grande universo musical por ter ajudado na hora de escolher algum título ou simplesmente dar inspiração para um texto. Também sou grato aos escritores de plantão, já que lendo textos é que eu fui melhorando os meus próprios. Devo agradecer também aquelas pessoas especiais que ficam perto do coração ou numa memória mais repleta de emoções, sem confiar nomes ao puro segredo. 

De presente, eu criarei ideias novas. Novos textos estão para vir e talvez algumas surpresas, que nem devem ser relacionadas com o próprio LS. 

Eu agradeço de verdade as horas perdidas lendo cada letra de cada palavra. Que venha outro ano repleto de labirintos sem saídas, sempre com a saída ao teu lado.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Difícil mesmo é ser

Olá pessoa irreconhecível. Toda a vez que te olho, eu te vejo mais diferente do que no dia anterior, mais próxima da resposta do que anteriormente, mais ousada do que já fora antigamente. Cada vez que olho em teus olhos, eu me perco na margem do castanho, me perco nas memórias de um passado já muito colorido em sépia, nas ondas negras de decepção, solidão e descontentamento. E toda a vez que eu te vejo eu viajo. Eu viajo sem sair do lugar, sempre nas nuvens, sempre com os pés no chão, mas sempre tão distante do que eu poderia estar. 

As verdades estão escondidas em cada ação que faz. Em cada sorriso, seja ele falso ou não. Em cada risada que consegue gerar. Em cada palavra que consegue escrever. Todas as afirmações de quem é e de quem foi. Cada dia diferente, cada dia novo, cada dia um novo alguém continuando o mesmo antigo de sempre, pois cada dia é uma batalha, é uma guerra e a sobrevivência vem sendo complicada.

Cada vez que eu te vejo eu sinto todas estas porcarias. Relembro de amores, de dores, de frescores, de tempos passados, de caminhos errados. Eu penso em coisas novas, em rotas recentes, em amores tão frescos, em novas coisas que me dão refresco no calor infernal que se faz.

Em teus olhos eu vejo a mim mesmo. Sempre tão diferente. Sempre meio sorridente, mesmo num inferno sem iguais. Nunca tão ausente, nunca tão desigual ao que um dia foi. O cabelo está diferente. As marcas no rosto são diferentes. O sorriso, velho, seco, feliz, banal, anormal, tão cálido é o mesmo. Os olhos são os mesmos. A pessoa é a mesma, eu sou o mesmo. Eu sou eu olhando para um reflexo tão pálido, tão diferente, que sempre quer se aventurar de sentimentos, de emoções, de amigos, novos livros, músicas e paixões. Os óculos são novos. O corte de cabelo é novo. Mas a carga é antiga. 

Perante o espelho eu sou irreconhecível. Perante as palavras e as ações, reconheço que minha singularidade física é tão distante quanto sempre foi de quem eu já fui. Pois a cada olhar que eu dou perante o espelho, os olhos refletem tudo que já refletiam e ficam um momento mais cansado das torturas que aquela antiga pessoa tem causado. 

Meus olhos são castanhos, meu cabelo segue o mesmo padrão. O sorriso é simples e tão ocasional. As espinhas são estranhas, nunca vou aceitá-las. A barba é estranha, cresce quando dá vontade. E eu não me importo. Pois este sou eu e eu aceito essa imagem deturpada com prazer imensurável.

Olá, tão estranhamente eu. Espero que a gente se dê bem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lua mia


Tu, lua, apareces, meus olhos começam a parar de enxergar coisas, o olfato já não sente os mesmos cheiros e a memória começa a vagar, devagar, por entre todas as memórias, sons, cheiros e imagens que guardo tão cuidadosamente em mim. O cheiro da livraria. Aquele dia na livraria. A sensação gerada pelo palco. Aqueles dias no palco, no teatro. A imagem da praça. Todos aqueles dias na praça. Todos aqueles dias que eu já vivi, todos aqueles que ainda não vi. Por quais motivos eu ainda olho para ti, lua mia, lua não longe, tão não minha? Por que ainda me trava o olhar, me faz navegar por águas e brilhos de pesar? Por que eu ainda julgo meu entendimento com ti, lua mia? Às vezes penso que você brilha por mim e brilha por mais alguém. Alguém. Talvez a verdadeira alguém. Lua mia, me responda então, com sinceridade. Por onde andas essa alguém? Em que lugar tu brilhas também? Quem mais pensa tal coisas? Quem mais olha para ti, pensa em ti, e depois em outro alguém? Lua mia, tão longe, tão minha. Tua luz me ilumina, mesmo ela não sendo tua luz. Ela brilha no céu, derrete-me os véus, aquelas tranqueiras e bugigangas que cegavam, que brincavam, que machucam, que choram. Então, onde está esta alguém? E por que me fazes lembrar de tudo que já passou pelas minhas vias, lua mia? Lua mia, me responda. Por que a livraria? Por que o teatro? Por que a praça? Por que a rua? Por que julgas a mim se nem mesmo me escutas? Lua mia, tão longe, tão perto, sem perto, toda mia, sina nossa, toda minha. 

Cadê a mia lua, minha lua, não ainda lua mia?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Orgulho


Me diga o que você pensou, o que você achou depois de ter virado as costas. 

Nunca soube se as lágrimas realmente começaram a sair de seus olhos ou se isso é apenas um ilusão que garanto a mim para parar de pensar em tragédias sentimentais. Teus olhos amargos, escondidos, às vezes, dentre fios de cabelos castanhos e sem brilho, me diziam para ir embora antes que as coisas piorassem. Era nossa décima quarta briga dentro de três meses, era nossa primeira aversão total um pelo outro. Mas o pior é que eu não queria parar de te olhar. Nossas brigas eram mais interessantes do que não possuir nada de emocionante entre nós. Meus olhos molhados recomendaram que eu abandonasse a indisposição de realmente defender meu ponto, sugeriram para virar as costas, ir embora e deixar que as coisas realmente fossem solucionadas. E assim eu fui.

Dois dias depois eu recebi uma mensagem chorosa na secretária eletrônica. Assalto a mão armada? Enquanto você se dirigia a minha casa para fazer as pazes? Que ironia do mundo. Que ironia maldita. Que bala maldita.

E agora eu estou aqui, perguntando realmente o que você pensou em fazer. Quis deixar o orgulho de lado e viver apenas o simples do amor? Se arrependeu amargamente, como eu, do que tinha dito? Lógico que sim, você sempre se arrependia das coisas que dizia sem pensar. Era por isso que eu te amava. Droga, ainda te amo, sua desgraçada. Você nunca poupou palavras. Sempre disse o que lhe vinha a mente e passar esses últimos 9 meses ao teu lado foram mais do que especiais: eu realmente entendi o que era viver. Saiba que, embora, estejamos tão distantes, em lugares tão diferentes, meu coração bate como um só por ti. Espero que um dia eu possa te encontrar, Angie.

Quando quiser falar, eu estarei aqui. Sempre. Sem nunca virar as costas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ausência


Eu choro por lágrimas não verdadeiras. Infravermelhos de sentimentos que nunca poderão, jamais, ser vistos. As lágrimas parecem verdadeiras, parecem curar, parecem cair. E elas caem, alagam tudo, mancham as roupas, estregam o sofá. São gotas meticulosamente criadas de memórias tão vistas que já estão gastas, já estão mofadas. O que era verdadeiro já teve sua fase, o que sobrou foram apenas sósias que mentem, descaradamente, e fazem as lágrimas caírem. Os segundos passam enquanto tudo escorre pelo rosto, enquanto tudo cobre nada e se desfaz em algo mais físico do que havia sido originado. O tempo é o maior aliado e a maior vadia. Enquanto achar que ele garante tudo, nada é garantido. No momento que independer de pensamentos falsos e copiados, o tempo relativa as coisas boas ao seu redor e a vida parece ter sucesso. Mas que sucesso é garantido enquanto choro, lembro de coisas antigas que já foram deletadas e sobreviveram a todos os ataques mentais, seguro mais lágrimas e penso em tudo o que poderia ter feito ou estar fazendo de bom a mim mesmo nesse momento? Que dor é essa que sinto, tão funda, tão ligeira, tão maldita e tão repentina, que na verdade nem parece dor? Que tempo é esse que me promete mundos e na verdade somente me dá trocos para pegar o próximo ônibus, sem me dar direções, mapas, conselhos? Que lágrimas não verdadeiras são essas que não saem apenas pelos olhos, mas que também escorregam, por minha mente, para o além mar do meu próprio eu?

Onde estão vocês, feridas malditas, quando eu preciso finalmente fechá-las?

domingo, 15 de janeiro de 2012

Simplicidade



Quando chove, eu penso em ti. Quando abre sol eu penso em ti. Ouvindo aquela música da nossa primeira dança, eu penso em ti. Ouvindo qualquer música, eu penso em ti. Quando o passado é nosso presente e quando o presente é tão perto de um futuro brilhante, eu não temo adentrar o território infinito do amor. Pois eu estou sempre pensando em você. E essa é a simplicidade de alguém que tende a ser tão complicado. Essa é a simplicidade do meu amor por você.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Novus


Ah, aqui estamos de novo. Mais uma página em branco. Literalmente branca. Novo começo. Sim. Começo, começo, começo, começo, começo, começo, começo, começo, começo. Nem todos devem ter lidos todos os começos e pularam logo para cá. Acharam graça em pular a parte chata e chegar onde as coisas são mais legais. Quem pulou, pulou. Que não pulou, por que não pulou? Você está no seu direito, sabia? De qualquer maneira, é tudo novo. Olhar para o espelho parece algo novo, ler livros parece ser algo novo. Arrumar novas metas parece antigo, mesmo com metas novas. Então, o que aparenta novo em um mar de palavras escritas, talvez aleatoriamente batendo a cabeça no teclado, assim como alguns livros que eu não mencionarei, ou digitando com o dedão do pé? Não há nada de novo. Eu não sou novo. Mesmo achando que tudo mudou, nada mudou. Sou o mesmo, antigo e imperfeito, saco de matéria criando novos rumos. Quem lê isso sabe que é verdade. Não só para mim. Para tudo e todos. Mas por que tudo parece novo? Por que é um novo ano e temos um livro inteiro em branco? Não. Não temos um livro inteiro. Ganhamos alguns novos capítulos. O velho, o antigo ainda está lá. Escrito com seu próprio sangue e com as páginas amareladas pelo tempo. O que tem de novo é essa página. Esse dia. Esse momento. Esse segundo. Como sempre há. Sempre há coisas novas. Olhar para elas e perceber que são novas e aderi-las a nossa vida é uma escolha. Sempre há espaço para novas rotas, para novos traços, para novas palavras, para novos amores e temores. É só querer. É só não pular as partes chatas.