quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lua mia


Tu, lua, apareces, meus olhos começam a parar de enxergar coisas, o olfato já não sente os mesmos cheiros e a memória começa a vagar, devagar, por entre todas as memórias, sons, cheiros e imagens que guardo tão cuidadosamente em mim. O cheiro da livraria. Aquele dia na livraria. A sensação gerada pelo palco. Aqueles dias no palco, no teatro. A imagem da praça. Todos aqueles dias na praça. Todos aqueles dias que eu já vivi, todos aqueles que ainda não vi. Por quais motivos eu ainda olho para ti, lua mia, lua não longe, tão não minha? Por que ainda me trava o olhar, me faz navegar por águas e brilhos de pesar? Por que eu ainda julgo meu entendimento com ti, lua mia? Às vezes penso que você brilha por mim e brilha por mais alguém. Alguém. Talvez a verdadeira alguém. Lua mia, me responda então, com sinceridade. Por onde andas essa alguém? Em que lugar tu brilhas também? Quem mais pensa tal coisas? Quem mais olha para ti, pensa em ti, e depois em outro alguém? Lua mia, tão longe, tão minha. Tua luz me ilumina, mesmo ela não sendo tua luz. Ela brilha no céu, derrete-me os véus, aquelas tranqueiras e bugigangas que cegavam, que brincavam, que machucam, que choram. Então, onde está esta alguém? E por que me fazes lembrar de tudo que já passou pelas minhas vias, lua mia? Lua mia, me responda. Por que a livraria? Por que o teatro? Por que a praça? Por que a rua? Por que julgas a mim se nem mesmo me escutas? Lua mia, tão longe, tão perto, sem perto, toda mia, sina nossa, toda minha. 

Cadê a mia lua, minha lua, não ainda lua mia?

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