sábado, 18 de agosto de 2012

Todas essas mentiras (verdades)


Eu, do caos ao completo absurdo que cerca as margens da verdade. O que é a verdade além de um confusão eloquente e errônea do que parecia tão profundamente maravilhoso meses atrás? O que é a verdade além de pó em minhas mãos, areias em minhas botas e caos dentro do meu coração?

Todos que navegam deveriam saber, por um alerta infantil, que a verdade não existe. No final das contas, só mentiras, uma atrás da outra, comparecem ao seu funeral, apenas infinitos maiores que o seu te vem cair e vem teu barco, navio, afundar. Sempre, no final, existe o caos porque ninguém encontra paz porque não há paz num oceano de mentiras, desilusões e amores desvirtuados. Afinal de contas, o que é o amor? E o que é a verdade?

Agora eu vejo toda minha tropa se afogar em memórias passadas, águas esquecidas, frias como deveriam ser e às vezes quentes como o inferno que beira a mente assassina daqueles já fugiram da minha vida. Mentiras. Todos mentem, e eu minto a mim mesmo por não saber o que fazer agora que tudo não chegou ao ponto verdadeiro que eu queria. Nada durou pra sempre, nada me fez feliz ao ponto de explodir as vidas anteriores, nada é apenas uma palavra esperando tradução e eu não consigo achar a droga da solução.

O sol bate nos olhos, mas nado enxergo além de ondas batendo cada vez mais forte na costa. Eu murcho, eu desisto e mesmo assim eu continuo em pé, procurando algo que nem eu sei o que procurar. Não há mapas, nem sinais, nem barcos alheiros para entrar e ancorar em algum lugar seguro. Tudo depende de mim,  das minhas mãos, das minhas botas, dos meus olhos e do meu coração, ou pelo menos é isso que digo a mim mesmo, o que pode ser nada mais do que mais uma mentira que conto a mim mesmo: o pior de todos os tipos de mentira.

Então, todas essas mentiras são usadas, são retalhadas, são usadas novamente, são mortas e revividas, são desmentidas e mentidas, são armas, punhais, espadas de lâmina dupla, ondas de calor que apenas afogam-te até o caos da tua mente. Minha mente. Minhas ondas, minhas mentiras, minhas verdades, meu caos. E devo deixar tudo ir embora, devo mentir mais uma vez, eu sei. Mentir apenas mais uma vez, uma vez para acabar com tudo isso, porque estou cansado e essa é a primeira verdade que digo desde que cheguei aqui. Estou cansado de tanto caos, de tanta mentira, de tanta confusão, de tanto eu. De mim. Estou cansado de tudo e não de todos. De tudo e de mim. De mim, como nunca. De mim, como a vergonha de uma vida. De mim, como o amor que nunca consegui ter. De mim, como a dor que nunca consegui apaziguar. De mim, de eu, de-me, somente de mim, de eu, de-me. De mim, como ser humano que erra e erra consigo mesmo. De mim, alma que falhou no atento de encontrar a verdade e naufragou.

De todas as mentiras, a que eu mais odeio é dita: estou bem, e chove caos de uma vez só.

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